sexta-feira, 17 de maio de 2013

45 - Para Roma com amor (To Rome with love) – Estados Unidos (2012)



Direção: Woody Allen
O longa é dividido em quatro segmentos. Em um deles, um casal estadunidense (Woody Allen e Judy Davis) viaja para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. Outra história envolve Leopoldo (Roberto Benigni), um homem comum que é confundido com uma celebridade. Um terceiro episódio retrata um arquiteto da Califórnia (Alec Baldwin) que visita a Itália com um grupo de amigos. Por último, temos dois jovens recém-casados que se perdem pelas confusas ruas de Roma.

Woody Allen, cada vez mais repetitivo. Quem não acompanhou os trabalhos recentes do diretor, pode até se animar com esse filme. Mas quem viu os últimos, consegue perceber uma certa repetição em Para Roma com amor.

Continuo achando que se Allen parasse e se dedicasse durante uns 4 anos em apenas um projeto, o próximo lançamento seria um filme excelente. Mas, com essa produção industrial, de um filme por ano, o diretor tem errado a mão.


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quarta-feira, 15 de maio de 2013

44 - O primeiro dia (idem) – Brasil (1999)



Direção: Daniela Thomas; Walter Salles
Uma mulher desiludida e um bandido em fuga, às vésperas da entrada do ano 2000.
 
Logo após o estrondoso sucesso de Central do Brasil, Walter Salles surpreendeu com um filme muito mais simples, menos pretensioso, mas de grande sensibilidade.
O primeiro dia é uma espécie de presente que os diretores deram ao Rio de Janeiro, como que se dissesse “Feliz Ano Novo, Rio. Que o novo milênio traga paz para todos e para cada um de nós”. Tal como Eduardo Coutinho fez em seu Babilônia 2000.
Se o filme é tecnicamente limitado, há uma compensação com a habilidade na direção, um elenco de primeira e algumas cenas encantadoras.
O primeiro dia está fora das “grandes listas” do cinema nacional. Mas, tem o seu valor e merece ser visto.
E que ninguém mais morra nessa cidade, afinal de contas, o um vai virar zero, o zero vira dois, o dois vira um...




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segunda-feira, 13 de maio de 2013

43 - São Bernardo (idem) - Brasil (1971)



Direção: Leon Hirszman
Um mascate consegue se transformar em um próspero fazendeiro, só que ele é um homem torturado constantemente por suas obsessões e desconfianças. Baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos.

Um filme necessário, sobre um livro importante, de um escritor indispensável.

Se São Bernardo deixa a desejar, por conta de suas limitações técnicas e atuações mais teatrais do que cinematográficas, os monólogos encantam e deixam qualquer um com vontade de re(ler) a obra de Graciliano Ramos.


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quinta-feira, 9 de maio de 2013

42 - Mr. Vingança (Boksuneun naui geot) – Coréia do Sul (2002)



Direção: Chan-wook Park
Ryu é um homem surdo-mudo que vive com sua irmã, uma jovem que precisa fazer um transplante de rim. Desesperado e disposto a tudo para salvar a vida dela, ele aceita doar um de seus rins, em troca da promessa de receber um outro que seja compatível com o dela. Mas Ryu é enganado pelos traficantes e acaba ficando sem nada. É quando surge Cha Yeong-mi, uma amiga ativista. Juntos, eles traçam um plano: sequestrar a filha de um poderoso e rico empresário chamado Park Dong-jim e, assim, obter o dinheiro necessário para o tratamento.

Pense numa obra-prima: Oldboy.

Mr. Vingança, que faz parte da trilogia, está alguns degraus abaixo. Mas, não deixa de ser um filme fantástico.

Chan-wook Park é um diretor diferenciado. Uma espécie de “Tarantino” do oriente.

Já que as palavras me fogem para descrever Mr. Vingança, recomendo que assistam – e, gostando ou não dele, não deixem de ver Oldboy, esse sim, genial!



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segunda-feira, 6 de maio de 2013

41 - O assalto ao trem pagador (idem) – Brasil (1962)



Direção: Roberto Farias
Baseado num caso real ocorrido no Rio de Janeiro em 1960, quando um bando atacou e assaltou o trem pagador da Central do Brasil. Armados, seis assaltantes levaram 27 milhões de cruzeiros e mataram um homem. O caso só foi encerrado um ano depois, com a prisão dos culpados.

Existem diversos filmes sobre grandes roubos, desigualdade social, racismo, favelas, heróis e vilões. O Assalto ao trem pagador é apenas mais um desses. E um dos melhores!

É possível ver na obra de Roberto Farias um tanto de western, com um bem elaborado assalto a um trem e muito dinheiro nas mãos dos assaltantes. Tal como em O Tesouro de Sierra Madre, a grana modifica o comportamento de cada um e as amizades vão cedendo à desconfiança. E tal como na maioria dos bang-bang, se torce para o “vilão” que, olhando bem de perto, não é tão mal assim.

Mas a aventura “faroéstica” de Trem Pagador se mescla com o drama urbano, das periferias das grandes cidades. Roberto Farias vai filmar a favela por dentro, em cima, em baixo, por todos os cantos. Sem muita caricatura e certeiro como quem sabe aonde pisa.

O assalto ao trem pagador é um dos melhores filmes nacionais já feitos. Uma fonte riquíssima para qualquer obra atual. Ele continua vivo, tal como seus personagens e favelas. É emocionante, belo, angustiante e empolgante. Honra o cinema brasileiro!



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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Top 10 - MAIO



22 de abril: data em que os europeus comemoraram o “Descobrimento do Brasil” e os índios lamentaram a invasão portuguesa. Abril seria o mês para homenagear a história brasileira, pegando o mote dessa data comemorativa. No entanto, achei mais oportuno homenagear os Direitos Humanos e, por conta disso, joguei para maio a homenagem ao Brasil.
O Top 10 desse mês traz alguns filmes que representam diversos períodos e que ajudam a contar um pouco a nossa história – ou pelo menos torná-la mais divertida. Abaixo, o Top 10 em homenagem ao Brasil:

Caramuru, a invenção do Brasil – Brasil (2001)
Direção: Guel Arraes
De uma forma bem humorada, Guel Arraes satiriza a história de Diogo Álvares Correia (Caramuru) e Catarina Paraguaçu. Caramuru foi um dos primeiros portugueses a chegar no Brasil, em 1509, após sua embarcação naufragar. Ele foi aceito pelos Tupinambás e passou a viver entre os índios, facilitando o contrato entre a tribo e navegantes europeus. Caramuru se casou com Paraguaçu e é considerado o fundador da cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano.



Como era gostoso o meu francês – Brasil (1970)
Direção: Nelson Pereira dos Santos


 Em mil quinhentos e alguma coisa o viajante alemão Hans Staden foi capturado por canibais da tribo Tupinambá. Após conseguir escapar, voltou para a Alemanha e publicou o seu diário. Dessa inspiração nasceu o filme de Nelson Pereira dos Santos, uma grande obra, que aborda com bastante ironia e experimentalismo a relação entre um aventureiro e a tribo indígena pronta para lhe devorar. Uma interessante representação não-caricatural da relação entre índios e europeus. Um filme literalmente antropofágico.



Carlota Joaquina, princesa do Brasil – Brasil (1995)
Direção: Carla Camurati
Aos 10 anos Carlota Joaquina se casou com D. João VI, que veio a ser rei de Portugal e de suas colônias, incluindo o Brasil. Ela também foi mãe do imperador Dom Pedro. Mimada, a jovem rainha possuía um temperamento agressivo, sobretudo contra o seu marido, inclusive tentando derrubá-lo para tomar o poder. Ao contar a história de Carlota Joaquina, o filme faz uma representação do período colonial no Brasil.



Mauá – o imperador e o rei – Brasil (1999)
Direção: Sergio Rezende
Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, foi considerado um dos maiores empreendedores do Brasil. Sua visão desenvolvimentista impulsionou no país uma série de obras, como a construção da primeira ferrovia brasileira; instalação de iluminação pública a gás no Rio de Janeiro; criação do primeiro Banco do Brasil; além de explorar comercialmente regiões como a Amazônia e até o Uruguai. A história do Barão de Mauá se confunde com a história dos primeiros movimentos desenvolvimentista-capitalista da segunda metade do século XIX no Brasil.


Narradores de Javé – Brasil (2003)
Direção: Eliane Caffé
O filme não é sobre nenhuma cidade “real”, mas Javé pode ser qualquer uma. Pode ser qualquer povoado brasileiro que sumiu do mapa com o surgimento de hidrelétricas, megaprojetos e metrópoles. E a sua história, contada/inventada na base da oralidade é similar ao de muitas que existem por aí, feitas na base da criatividade e memória de seu povo. Narradores de Javé é um pouco de muitas cidades que ficaram no passado brasileiro.



O que é isso, companheiro? – Brasil (1997)
Direção: Bruno Barreto
Representação de um fato marcante ocorrido durante a Ditadura Militar: o seqüestro do embaixador estadunidense no Brasil, em 1969. Charles Burke foi seqüestrado pelo grupo MR-8, que resistia ao regime ditatorial. Nomes como Franklin Martins e Fernando Gabeira participaram dessa ação, que teve o objetivo de negociar a liberdade de presos políticos, alguns deles presos pelos militares durante o famoso Congresso da UNE.



Muito além do Cidadão Kane – Grã Bretanha (1993)
Direção: Simon Hartog
O documentário realizado pelo canal televisivo britânico Channel 4, conta um pouco da história da mídia e o poder no Brasil. O filme mostra como se deu o processo de crescimento da TV Globo, se utilizando de manobrar ilícitas com os governantes do período da Ditadura Militar, como por exemplo Antonio Carlos Magalhães, para construir o seu império. Seu poder de influência na sociedade e na vida das pessoas também é mostrado, em uma situação que não difere muito dos tempos atuais.



Central do Brasil – Brasil (1998)
Direção: Walter Salles
Da Central do Brasil no Rio de Janeiro para o interior nordestino. O filme de Walter Salles traça pontes entre regiões, pessoas e sociedades. Um pouquinho de Brasil e de brasileiros!






Encontro com Milton Santos ou o Mundo global visto do lado de cá – Brasil (2006)
Direção: Silvio Tendler
Como o nome já diz: é sobre o mundo globalizado, a partir do olhar de Milton Santos. É a compreensão da sociedade brasileira, levando em consideração uma análise global e como estamos inseridos nesse contexto. Teses e idéias do geógrafo baiano, que com sua sensibilidade e inteligência traça um perfil do que somos diante do mundo.





Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro - Brasil (2010)
Direção: José Padilha
Polícia. Milícia. Deputados. Governo. Mídia. Uma representação muito próxima da realidade, mostrando que o buraco da violência no Brasil está muito mais em cima. É a indústria do crime contada por um dos maiores filmes do país.





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terça-feira, 30 de abril de 2013

40 - Em nome de Cristo (Au nom du Christ) – Costa do Marfim (1993)



Direção: Roger Gnoan M´Bala
Numa pequena aldeia marfinense, vive um criador de porcos, desprezado por todos. Num belo dia, ele bebe demais e tem a visão de um Deus-criança, que o elege para salvar seu povo. Ele passa então a ser Magloire 1º, primo de Cristo, e usa sua eloqüência para impressionar a imaginação das pessoas e fundar uma seita.

Dando uma colher de chá, dá para deixar passar o amadorismo visível no filme. Interpretação e direção péssimas. Algumas cenas parecem ter sido feitas por colegiais. Isso sem falar na baixa qualidade técnica das imagens. Mas, enfim, o filme foi feito há 20 anos e por um país com baixa tradição cinematográfica.
Desconsiderando toda essa parte, dá para absorver o conteúdo. A representação de um profeta e seus seguidores é milenar e ainda atual. Seja na Costa do Marfim ou no Brasil, vestindo trajes rústicos ou de terno e gravata, há muito em comum nas religiões que dependem de líderes que garantem ser enviados por Deus, prometem mundos e fundos e atraem uma legião de pessoas cegas pelo poder de convencimento.
Em algumas cenas, parece que estamos no Brasil do século XXI (ou na Idade Média, o que dá quase no mesmo).
- Que povo somos nós? Em nossa história, basta que qualquer um apareça e nos conte qualquer historia para que o sigamos como ovelhas! Amanhã, estaremos vazios de toda nossa substância. Não há morte pior para um povo do que a morte espiritual!
- Meu irmão, vou lhe dizer... Estamos agonizando!
- Você e seus deuses covardes que agonizam!!! Onde estavam eles quando nos submetiam ao chicote e à humilhação negreira e colonial? Eu quero uma religião que devolva a razão aos loucos e a visão aos cegos! Uma religião que ponha fim ao sofrimento e à miséria!
- Uma religião que liberte.
- A quem? E o quê?
Abra seus olhos!


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segunda-feira, 29 de abril de 2013

39 - Incêndios (Incendies) – Canadá (2010)



Direção: Denis Villeneuve
Antes de morrer, uma mãe faz um último desejo ao casal de filhos, os irmãos gêmeos Simon e Jeanne: eles devem reencontrar o pai, que há muito tempo imaginavam morto. Para tanto eles seguem rumo ao oriente médio, numa jornada que também lhes servirá como uma busca às próprias raízes sempre cercadas sob um véu de mistério.

Não achei nem tão bom quanto falaram, nem tão ruim quanto eu julguei de início.
Continuo achando as cenas muito previsíveis. Não a história em si, mas as seqüencias. Muitas delas dá para saber o que acontecerá logo de cara. Tudo muito clichê, com soluções fáceis. A trilha sonora também não ajuda muito e algumas cenas, se tivessem sido mais bem trabalhadas (como a do ônibus), teria mais emoção.
Já o final, tão elogiado e “surpreendente” também não me animou. Não me surpreendeu, justamente por não ser original – existe um filme muito melhor que tem o final similar. E aí, a segunda vez não é tão impactante quanto na primeira.
De qualquer forma, com a esmagadora maioria elogiando esse filme, passei a acreditar que talvez eu é que não tivesse inspirado no dia, daí uma opinião tão ranzinza.


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quinta-feira, 25 de abril de 2013

38 - O grande ditador (The great dictator) – Estados Unidos (1940)



Direção: Charles Chaplin
Chaplin faz dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de um gueto aterrorizado por tropas inimigas.

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, empedernidos. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais que de inteligência, de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A natureza dessas coisas é um apelo à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal.
Neste mesmo instante, minha voz chega a milhares de pessoas, milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós é o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram retornará ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam,que vos escravizam, que ditam os vossos atos, vossas idéias, vossos sentimentos! Que vos tratam como gado humano, e vos utilizam como bucha de canhão. Não vos entregueis a esses desnaturados. Esses homens com mentes e almas de máquina!
Não sois máquina! Homens é que sois!
E com o amor da humanidade em vossas almas!
Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar...
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!
Em São Lucas está escrito: ''o Reino de Deus está dentro do homem.'' Não de um só homem ou de um grupo de homens, mas dos homens todos!
Vós, o povo, tendes o poder, o poder de criar máquinas, de criar felicidade!
Tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto, em nome da democracia, usemos desse poder, unamo-nos todos nós.
Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder.
Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos todos para cumprir estas promessas. Lutemos para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.
Lutemos por um mundo de razão, em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados! Em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah... estás me ouvindo?
Onde te encontrares, levanta os olhos!
O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam!
Estamos saindo da treva para a luz!
Vamos entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens
estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.
Ergue os olhos Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar.
Voa para o arco-íris, para a luz da esperança, para o futuro, o futuro glorioso que te pertence, que pertence a mim, a todos nós!
Ergue os olhos Hannah!
Hannah, ouviste?
Ouçam..."


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segunda-feira, 22 de abril de 2013

37 - Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom) – Estados Unidos (2012)



Direção: Wes Anderson
Na Nova Inglaterra dos anos 1960, um menino e uma menina - ambos escoteiros - se apaixonam e resolvem fugir. A população da cidade, sob o comando do escoteiro mestre, então organiza uma busca pelos dois, e o lugar acaba virando de cabeça para baixo.

O amor nos tempos do pragmatismo e dos diálogos secos.
No mundo sem fantasia, sem espaço para oscilações sentimentais e onde os sonhos e as aventuras são abortadas desde criança.
Wes Anderson dá vida a uma casa de bonecas, liga os elementos de uma orquestra sinfônica e deposita sua esperança em Moonrise Kingdom. Ainda que o pragmatismo quebre todos os encantos, ainda resistirá um pedaço de praia pronto para ser desbravado por aqueles que não desistiram de sonhar.
Wes Anderson, cada vez mais excêntrico. Pelo visto, ele também não desistiu de fantasiar enquanto dirige minuciosamente cada cena. A minúcia necessária para não quebrar a sua frágil casa de bonecas, nem errar a nota da canção.


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