Direção: Charles Chaplin
Chaplin faz dois personagens: Adenoyd
Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase
sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é
principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini
e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de
um gueto aterrorizado por tropas inimigas.
"Todos nós
desejamos ajudar uns aos outros. Desejamos viver para a felicidade do próximo,
não para seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros?
Neste mundo há
espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas
necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos
extraviamos.
A cobiça
envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e
tem-nos feito marchar a passo de ganso. Criamos a época da velocidade, mas nos
sentimos enclausurados dentro dela. A máquina que produz abundância, tem-nos
deixado em penúria.
Nossos
conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, empedernidos. Pensamos
em demasia e sentimos bem pouco. Mais que de máquinas, precisamos de
humanidade. Mais que de inteligência, de afeição e doçura. Sem essas virtudes,
a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o
rádio aproximaram-nos muito mais. A natureza dessas coisas é um apelo à bondade
do homem, um apelo à fraternidade universal.
Neste mesmo
instante, minha voz chega a milhares de pessoas, milhões de desesperados, homens,
mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e
encarcera inocentes.
Aos que me
podem ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós é o
produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do
progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o
poder que do povo arrebataram retornará ao povo. E assim, enquanto morrem
homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não
vos entregueis a esses brutais que vos desprezam,que vos escravizam, que ditam
os vossos atos, vossas idéias, vossos sentimentos! Que vos tratam como gado
humano, e vos utilizam como bucha de canhão. Não vos entregueis a esses
desnaturados. Esses homens com mentes e almas de máquina!
Não sois
máquina! Homens é que sois!
E com o amor
da humanidade em vossas almas!
Não odieis!
Só odeiam os que não se fazem amar...
Soldados! Não
batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!
Em São Lucas
está escrito: ''o Reino de Deus está dentro do homem.'' Não de um só homem ou de
um grupo de homens, mas dos homens todos!
Vós, o povo,
tendes o poder, o poder de criar máquinas, de criar felicidade!
Tendes o
poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto, em
nome da democracia, usemos desse poder, unamo-nos todos nós.
Lutemos por
um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê
futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados
têm subido ao poder.
Mas, só
mistificam! Não cumprem o que prometem. Os ditadores liberam-se, porém
escravizam o povo. Lutemos todos para cumprir estas promessas. Lutemos para
libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e
à prepotência.
Lutemos por
um mundo de razão, em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos
nós.
Soldados! Em
nome da democracia, unamo-nos!
Hannah... estás
me ouvindo?
Onde te
encontrares, levanta os olhos!
O sol vai
rompendo as nuvens que se dispersam!
Estamos
saindo da treva para a luz!
Vamos
entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens
estarão acima
da cobiça, do ódio e da brutalidade.
Ergue os
olhos Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar.
Voa para o
arco-íris, para a luz da esperança, para o futuro, o futuro glorioso que te
pertence, que pertence a mim, a todos nós!
Ergue os
olhos Hannah!
Hannah,
ouviste?
Ouçam..."
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Pacote de legendas:
Legenda em português
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