sábado, 2 de junho de 2012

105 - Entre os muros da escola (Entre lês Murs) – França (2008)



Direção: Laurent Cantet
Roteiro: François Bégaudeau; Robin Campillo; Laurent Cantet
François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um ano letivo. Tudo seria um pouco mais normal, se a escola não estivesse em um bairro cheio de conflitos.

Ao assistir Entre os Muros da Escola acabei por transitar em três situações diferentes.

A primeira, inevitavelmente, foi de me colocar na posição de estudante. Impossível não sentir um pouco de remorso e culpa só de imaginar o quanto eu estava tornando a vida do meu professor um inferno, sem ao menos me dar conta. Tudo bem que, individualmente, eu nunca fui de dar trabalho a ninguém. Pelo contrário, sempre tive bons relacionamentos com os meus mestres. No entanto, enquanto turma, tenho minha parcela de responsabilidade sobre o caos que transformávamos nossa sala de aula. Se eu pudesse, eu pediria perdão a Conceição, de Biologia (chamada por nós de Fandangos); João, de Religião (Relijoão); Liliane, de Matemática (Chitãozinho) e alguns outros que eu não me recordo, mas que certamente sofreram nas nossas mãos. O único que eu não me desculparia seria Marcelo, de Geografia (Marceluuummm) – esse estava errado, pisou na bola comigo e se deu mal.

No entanto, nem tudo é uma nostálgica graça em Entre os Muros. A tensão provocada pelo desgaste diário da turma foi tão grande e crescente, que me fez sair do papel de estudante e me colocou na cômoda condição de um mero espectador. Psicologicamente falando, não dava mais para julgar alunos ou professores. A evolução do caos era tão grande que o que me restou foi me limitar à observação, aguardando que algo acontecesse – pois era preciso que acontecesse – para resolver as situações postas no filme.

Por fim, chegadas as férias, me coloquei um pouco no lugar de professor. Se, durante o filme, veio a sensação de que eu “jamais seria professor”, no final refleti sobre as virtudes dessa profissão e o quanto parece valer à pena todo o sofrimento que esse pobre coitado passa durante o ano. É, sem dúvida, uma função das mais dignas que uma sociedade pode ter.

Talvez se minha turma tivesse assistido Entre os Muros da Escola, ainda na época do colégio, poderíamos ter sido um pouquinho mais comportados e respeitosos. Pelo menos com Conceição e Relijoão.

Mas, ainda há tempo de jovens estudantes assisti-lo, para melhorarem e amadurecerem enquanto alunos. Além do governador Jacques Wagner, para aprender a dar mais valor aos professores.

Comparada com a realidade das turmas escolares, se pode dizer que esse filme é: “puuuuu, igualzão, véi”. Tão igual, que às vezes até parece que é real, que instalaram câmeras na sala de aula. A própria estética do filme e a naturalíssima atuação dos atores (?), fazem com que se transmita uma realidade muito mais próxima do cotidiano, despida de exageros ou artificialidades.

É um filme brilhante e mais real que alguns documentários que existem por aí.


Minha nota: 9,0
IMDB:  7,6
ePipoca: 7,8

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4 comentários:

  1. Extremamente atual, é um provavelmente o melhor filme ao retratar toda a tensão numa sala de aula.

    Os debates acalorados deixam o pobre professor muitas vezes sem saída, tudo muito próximo da realidade.

    Abraço

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  2. Jurava que era um documentário! Oo

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  3. Deixando um link válido - http://bitshare.com/files/0x6iw03l/EntreOsMuros.avi.html

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    Respostas
    1. Obrigado, Bruna.
      De qualquer forma, também disponibilizei um novo link, com o torrent do filme.
      Valeu

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