sábado, 9 de junho de 2012

113 - A Viagem da Hiena (Touki Boki) – Senegal (1973)



Direção: Djibril Diop Mambéty
Roteiro: Djibril Diop Mambéty
Dois jovens vivem à margem de sua sociedade, em Dakar. Ao sabor da corrente, realizam roubos e golpes, a fim de reunir dinheiro para morar em Paris.

Confesso que me surpreendi com esse filme senegalês. Por dois motivos. O primeiro, pela tradicional característica dos filmes africanos que eu já vi, cujas histórias são lineares, preocupadas em dar conta do conteúdo, sem se importar tanto com a forma. E o segundo, pela minha ignorância sobre a cultura senegalesa, em especial ao cinema feito por lá.

A viagem da hiena me mostrou que, mesmo em 1973, já existiam artistas carregados de referência e destreza técnica. Nunca tinha visto um filme africano tão ousado esteticamente. Ele tem um ar de movimento, que lembra a Nouvelle Vague e também o Cinema Novo, nossa prata da casa.

Como tais movimentos, o filme é um pouco confuso e, durante alguns momentos, cansativo. Mas o resultado geral é impactante, pela experimentação e por conseguir transmitir conteúdo, mesmo com poucos diálogos e ausência de um roteiro amarrado. Quem transmite o sentido da história são os movimentos rápidos de câmera, a montagem que intercala imagens metafóricas e a trilha sonora, antagônica e, por isso, irônica.

A viagem da hiena não é um filme tão interessante para se assistir em um domingão à noite, nem chamando os amigos. Antes de ver para ter prazer, é necessário ver para observar. E conhecer! Tal como um senegalês diante de um filme de Glauber Rocha.



Minha nota: 7,7
IMDB:  6,9
MelhoresFilmes: 7,0

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