domingo, 8 de julho de 2012

151 - Janela Indiscreta (Rear Window) – Estados Unidos (1954)




Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: John M. Hayes; Cornell Wollrich
Fotógrafo com a perna quebrada fica imobilizado numa cadeira de rodas, olhando pela janela a vida de seu vizinhos, quando suspeita de que aconteceu um assassinato. Com a ajuda da namorada, da massagista e um amigo policial, tenta provar o suposto crime.

O voyeurismo é natural ao ser humano. O próprio cinema já é uma forma de se aproximar disso. Compreensível, portanto, que o próprio cinema se aproprie desse instinto humano e o utilize ao seu favor, em suas histórias.

Não é à toa que já passaram por esse blog, filmes em que algum dos personagens manifesta o seu prazeroso e inescrupuloso lado voyeur, como em Medos Privados em Lugares Públicos, A Fraternidade é Vermelha, Histórias de Cozinha, além dos diversos documentários, que também matam essa sede do espectador.

No entanto, Janela Indiscreta é a síntese de tudo isso. O ócio, seguido da curiosidade e alimentado por uma despreocupação com a moral, faz do personagem o símbolo do voyeurismo. Um passatempo que se transforma em prazer e que o insere em uma rotina que lhe faz perder o controle sobre si mesmo, agindo por impulso e sem medir os limites dessa prática.

Janela Indiscreta é, sobretudo, uma confusão psicológica que, inicialmente afeta o personagem, mas aos poucos passa a consumir o espectador. Confesso que, antes do fim, eu já estava querendo matar a charada antes do protagonista, Jeff (James Stewart). Para não lhe dar chance, não abri mão de pausar o filme, voltar a cena e buscar, em determinados planos, detalhes que ele não poderia ver. Ele tinha o binóculo e a lente, eu tinha a manipulação do filme. Eu queria desvendar o mistério antes dele e, por conta disso, olha onde eu parei: num passatempo que se transformou em prazer e me fez agir por impulso, sendo consumido pela história e jogado em uma confusão psicológica. O voyeur do voyeur do voyeur...

Talvez, por toda essa expectativa criada, é que eu achei o final um pouco pobre. E, convenhamos, a solução do caso foi fraca, corrida, ou, pelo menos, aquém da grandiosidade do restante do filme.

Mas, tudo isso é apenas o conteúdo. A forma também é brilhante.

Eduardo Coutinho costuma dizer que ele cria as próprias prisões, que lhe ajuda no processo criativo – filmar em um só edifício; sem pré-produção, etc. Hitchcock segue essa mesma lógica em alguns de seus filme: todo rodado em um plano-seqüencia; ou um só cenário, sob apenas um ponto de filmagem. Isso torna o filme ainda mais desafiador e que, quando superado, dá uma pitada maior de genialidade. É o caso de Rear Window.

E tudo que é bom se desdobra. Na internet tem essa versão dos Simpsons, com referências a Hitchcock. E uma montagem interessantíssima sobre Janela Indiscreta, colando os planos de todos os apartamentos e rodando de forma sincronizada.




Minha nota: 8,8
IMDB:  8,7
ePipoca: 9,2

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6 comentários:

  1. Grande filme........gosto até da versão feita na década de 90, com o eterno superman como protagonista.

    abraços

    www.renatocinema.blogspot.com

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  2. Muito bom o blog. Já estou seguindo. E grato pela visita.

    O Falcão Maltês

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  3. Blog com filmes diversificados e com qualidade. Rear Window é um desses filmes que eu me apaixonei pela primeira vista. Até o figurino Edith Head é deslumbrante. Eu particularmente adoro o filme Suspicion/ Suspeita que tbm é dirigido pelo Hitchcock. A cena do copo de leite protagonizado por Cary Grant e Joan Fontaine é fantástica. Quem sabe pinta por aqui e boa semana

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    1. Muito obrigado! Ainda não vi A Suspeita, mas vou pôr na lista. Valeu pela sugestão e pela visita.
      um abraço

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  4. Como sempre, um grande prazer ler os textos aqui no 366...
    Há quem defenda a ideia, e eu concordo quase totalmente, que o voyeurismo é uma característica ( sem juízos de valor ) natural do ser humano e, muito... muito mais, mais especificamente no seu aspecto erótico,
    do macho da espécie ! KKKKK
    Tive uma coleção da velha e boa Ele & Ela que se eu fizesse um monolito com as revistas talvez chegasse à altura de um prédio de 3 andares!
    Já vi este clássico do mestre Hitch umas 3x e certamente verei mais algumas. No momento, "Os pássaros" são a "bola da vez".
    Grande abraço

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    1. Valeu pelas frequentes visitas, django.
      Realmente, o voyeurismo, sobretudo erótico, é inevitável no ser humano. Quem nunca bisbilhotou algo ou alguém!?
      O Ele e Ela eu já vi alguns exemplares, mas o que me alegrava mesmo era a Playboy... comecei nos tempos áureos de Carla Perez, Nana Gouvea.
      E, por mais que se negue, todo mundo daria uma olhada no apartamento do vizinho, se esse ficasse defronte ao seu apartamento. Se estivesse trocando de roupa, então...
      Enquanto a "Os Pássaros", é mais um de Hitchcock que está na minha lista, em breve verei.
      grande abraço

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