segunda-feira, 10 de setembro de 2012

214 - Donnie Darko (Donnie Darko) – Estados Unidos (2001)



Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly
Donnie Darko é um adolescente que está à beira da loucura, devido a visões constantes de um coelho monstruoso, que tenta mantê-lo sob a sua sinistra influência. Donnie luta contra os seus demônios, literal e figurativamente, numa intriga de histórias entrelaçadas que jogam com as viagens no tempo, gurus fundamentalistas, predestinação e os desígnios do universo.

Imediatamente após ver o filme, foi inevitável entrar no google. Ao digitar “donnie darko não ent”, a ferramenta já tratou de completar a frase. Foi aí que eu me senti aliviado ao perceber que eu não era o único a não entender, de imediato, o filme. Aliás, quem conseguiu é que deve ter sido o único.
No entanto, mesmo sem entender, o filme já vale à pena. Prende o espectador da primeira à última cena. Faz ele pensar, especular, duvidar. Fica na cabeça de qualquer um durante o dia inteiro. Isso, por si só, já é um grande trunfo de qualquer obra cinematográfica.
Lendo aqui e ali, raciocinando enquanto lavo a louça, estendo a roupa, como quem fica com uma charada na cabeça, finalmente pude chegar a algumas conclusões e suposições.
Abaixo, descrevo a minha interpretação sobre o filme. Portanto, se você não viu, não leia. Pois, contarei o filme inteiro e provavelmente você não irá querer mais ver, ou verá com sua interpretação influenciada. E, como este é um filme que merece ser visto, NÃO LEIA.
...
No meu entender, todo o filme não passou de uma visão do futuro de Donnie. Tal destino pode ter aparecido por uma obra divina, uma brecha na física quântica ou uma simples esquizofrenia. Fato é que Donnie, na noite em que a turbina do avião caiu em sua casa, teve tal visão.
Daí, a grande “moral da história” gira em torno de uma citação, logo no começo do filme, na aula de inglês, onde Donnie diz “destruição é uma forma de criação”. O que se vê durante a história é que as destruições que ocorrem acabam reproduzindo um fator positivo, novo. Quando a escola é inundada, as aulas são suspensas e por esse motivo Donnie tem oportunidade de conversar com Gretchen, sua futura namorada. Quando a casa é queimada, o instrutor de auto-ajuda acaba sendo descoberto, por pedofilia. E é justamente nos momentos mais “destrutivos” que o relacionamento entre Donnie e Gretchen evolui: quando ela é hostilizada na sala de aula e sai transtornada, acontece o primeiro beijo entre o casal; e quando a mãe dela some e ela procura Donnie, é que ocorre a primeira transa.
Apesar de todos esses fatos, o futuro reserva uma série de fatalidades às pessoas próximas a Donnie: seus pais e irmã morrem em um acidente aéreo; seus questionamentos na escola contribuem para a demissão da professora de inglês; a gordinha se torna cada vez mais introspectiva, escondendo a sua paixão por Donnie; e Frank é assassinado, justamente por ter matado, acidentalmente, Gretchen. Eis, aí, o fim do mundo. Não era o fim do mundo, com a extinção do planeta. Mas, o fim do mundo de Donnie, que se resumia a Gretchen, única capaz de não deixar Donnie sentir-se sozinho. E quem estava lá no momento de sua morte? O homem fantasiado de coelho.
Então, mesmo tendo a oportunidade de prever a queda da turbina e, portanto, a possibilidade de se salvar, o drible no futuro resultaria em tragédias às pessoas ao seu redor.
É por isso que, em seu último ato, Donnie dá um sorriso consciente e, como o seu cachorro, opta por ceder ao seu destino e morrer sozinho, para não causar danos aos seus queridos, sobretudo a Gretchen. É um gesto altruísta. Um gesto que custa caro: a sua própria morte. Uma tragédia, mas que dela surge a criação e a continuidade do futuro das pessoas que ele ama. Para Donnie o mundo acaba, mas para os outros ele continua.
 ...
Quem já viu e teve outra interpretação, por favor, compartilhe aqui com a gente!


Minha Nota: 8,8
IMDB: 8,2
ePipoca: 6,6

Sugestão: Melancolia

Download:

Torrent +Legenda (zippyshare)

7 comentários:

  1. Existem filmes que não precisam, na minha visão, serem entendidos. Precisam ser sentidos, tocar o público.

    Donnie Darko é um clássico de minha geração.

    Amei, mesmo sem entender tudo. kkk

    ResponderExcluir
  2. Sua teoria é interessante, mas como o Renato citou acima, é um filme que não precisa ser compreendido com exatidão, a história em si já é intrigante o suficiente.

    Um dos melhores filmes dos anos noventa.


    Abraço

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Entrando nessa discussão sobre a necessidade ou não de se "entender" uma obra: acho que se você consegue compreendê-la, você só tem a ganhar, apesar de isso não anular o próprio prazer que se possa ter pela simples relação com a obra. É como na comédia, você não precisa entender a piada, mas se você, ainda assim, conseguir cair na gargalhada, o filme já conquistou o objetivo. Se, além de rir, você entende a piada, certamente o prazer é ainda maior.
      Concordo com Hugo e Renato quando dizem que Donnie Darko já vale à pena, mesmo sem precisar compreendê-lo. De fato, o filme fica na cabeça, cria um enigma, intriga e ainda abre um leque de possíveis interpretações. Isso, por si só, já é algo que poucos filmes conquistam. Mas, cá pra nós, tentar matar a charada do filme o torna ainda mais prazeroso, além do que, realmente o autor não fez a obra só por fazer, tem um significado e é um dos papéis da arte nos levar até esse sentido.

      Rodrigo, primeiro obrigado pelo comentário e pela frequencia aqui no blog. Sobre sua teoria, realmente faz muito sentido. Essa tese do "amadorismo" é uma grande possibilidade mesmo. Apesar de quebrar o encanto da obra, é realmente possível que o grande enigma do filme possa ter sido gerado muito menos por uma genialidade do autor, e muito mais por equívocos e erros que ele mesmo cometeu. Faz sentido. Mas, taí algo que acho nunca saberemos e, mesmo que a gente não chegue a nenhuma conclusão, o caminho interpretativo que o filme nos leva já o torna uma obra de destaque, mesmo que ele seja uma sucessão de erros e "amadorismos". Taí um bom paradoxo.
      abraços!

      Excluir
  5. em plenos 2015...
    concordo um pouco com vc no início, mas depois descordo totalmente.
    Para mim o filme usa de muitos artifícios, como a física quântica, para passar uma mensagem mto maior. Partes do filme não são reais, servem apenas demonstrar melhor essa mensagem. Esta em si demoraria mto pra explicar aqui.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. é... em plenos 2015.... nem eu sei mais se concordo comigo mesmo. Esse filme é muita doideira.... pra te ser sincero, precisava assistir novamente pra atualizar minha opinião.
      Mas fiquei curioso em saber essa sua interpretação relacionado à física quantica...

      Excluir