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domingo, 29 de abril de 2012

77 - A Pele que Habito (La Piel que Habito) – Espanha (2011)



Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Adaptação do romance "Mygale", escrito por Thierry Jonquet, trata-se de um drama de vingança de um médico cirurgião plástico que, após a morte trágica da esposa, tenta fabricar uma pele perfeita e capaz de resistir a dor (uma que poderia ter salvado a mulher, vítima de um incêndio).

Sempre tive uma certa resistência com Almodóvar. Metade por preconceito, a outra metade por um conceito mesmo. O preconceito se deve ao fato de eu sempre ter um pé atrás com coisas muito cults, como por exemplo, Los Hermanos, jazz no MAM e... Almodóvar. A áurea intelectual que lhes são colocadas acaba atrapalhando um pouco a própria obra. Já o conceito, é porque eu não vi nada demais em Volver e achei medonho Kika.

No entanto, A pele que habito me causou uma boa sensação e amenizou um pouco a minha pressão sobre Almodóvar. É um filme grandioso, intrigante e surreal. Tem que ter muita habilidade para pegar uma história absurda e desenvolvê-la de um modo que o faz ter todo um sentido. E, o melhor de tudo, sem muito estrelismo estético.

Só fiquei com uma dúvida: eu entendi errado ou a mãe/empregada e o irmão (tigrão) do protagonista (Antonio Banderas) eram baianos?

Minha nota: 8,4
IMDB:  7,7
MelhoresFilmes: 6,9

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sábado, 28 de abril de 2012

76 - Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment) – Estados Unidos (1960)


Direção: Billy Wilder
Roteiro: Billy Wilder; I.A.L. Diamond
Um funcionário ambicioso (Jack Lemmon) descobre um atalho para subir na companhia em que trabalha: ceder seu apartamento para os encontros amorosos de seus chefes. A tática inicialmente dá certo, mas passa a ser ameaçada quando ele se apaixona pela amante de um de um deles.

O Apartamento (que não sei por que traduziram “Se meu apartamento falasse”) é uma prova de que se pode fazer ótimos filmes a partir de uma história simples, mas ao mesmo tempo bastante original. Da mesma forma com que já havia feito em Quanto mais quente melhor, Billy Wilder traz graça e comicidade ao enredo, conquistando com isso a atenção do espectador. Méritos, também, aos seus atores, em especial a Jack Lemmon, que esteve presente nos dois filmes , com grandes atuações – agora ficou mais claro em quem Jim Carrey se inspirou.

Billy Wilder consegue superar seus próprios clichês e tornar a história divertida e particular. É, também, bastante criativo na hora de pensar seu argumento e desenvolvê-lo. O Apartamento é mais uma deliciosa obra do diretor.

O filme também é muito recomendado para solteiros que moram só e que às vezes não sabem onde colocaram o escorredor do macarrão.




...
Atendendo a pressões, estou fazendo uma ressalva: realmente a minha nota e o tamanho do meu texto não fazem jus a esse ótimo e original filme de Billy Wilder.


Minha nota: 7,9
IMDB:  8,4
MelhoresFilmes: 9,4

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75 - O Idiota do Nosso Irmão (Our Idiot Brother) – Estados Unidos (2011)



Direção: Jesse Peretz
Roteiro: Evgenia Peretz; David Schisgall; Jesse Peretz
Ned é um puro, um bem-intencionado que só quer o bem das suas três irmãs e do mundo que o rodeia. Só que de boas intenções o inferno está cheio e as de Ned têm a irritante tendência a dar errado, transtornando as vidas de todos que dele se aproximam.

É sempre bom, em um sábado à noite, assistir uma boa comédia. Meu irmão idiota cumpre bem essa função. Não tira tantas gargalhadas, mas distrai, com um humor leve.

Ele é um filme simples, sem ineditismo nenhum, mas serve para relembrar o quanto nós somos idiotas em algumas circunstâncias, sobretudo naquelas em que não temos coragem de enfrentar a verdade e acabamos criando uma rede de ilusão. No filme, foi preciso vir um idiota para destruir toda essa rede.

Dele, fica a lição: quase sempre a verdade é o melhor caminho, exceto quando é dita para policiais fardados.

Destaque, também, para a grande atuação de Willie Nelson – o cachorro, não o cantor, e a referência ao Brasil, na cena em que a personagem mostra a sua recente depilação “brasileira”.

Minha nota: 7,2
IMDB:  6,6
MelhoresFilmes: -


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quinta-feira, 26 de abril de 2012

74 - O Escritor Fantasma (The Ghost Writer) – Inglaterra (2011)


Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Harris; Roman Polanski
Adaptação do romance "The Ghost", escrito por Robert Harris, que narra a história de um ghostwriter contratado para completar o livro que conta as memórias de um ex-Primeiro Ministro Britânico. Durante o processo, o político revela segredos que colocam sua própria vida em perigo.

O Escritor Fantasma sustenta um bom suspense investigativo. É uma ficção, mas que bebe da realidade. Como, por exemplo, quando cita as relações “perigosas” entre Inglaterra e Estados Unidos. No filme, isso é parte relevante da trama; na vida real é pertinente ver que essas nações têm sido muito amigas em guerras como Iraque e Afeganistão.

Outro ponto interessante que é apresentado é o patrocínio de políticos por empresas bélicas, que lucram com guerras criadas por tais políticos. Qualquer semelhança com a carreira política de Bush não é mera coincidência. Outra referência é a tortura inglesa em solo iraquiano e a justificativa de que isso é feito para proteger o mundo do terrorismo. Me fez lembrar disso.

Algumas passagens, no entanto, chegam a ser engraçadas, como a ingenuidade do personagem – Michel Teló (Ewan McGregor) – que conta tudo para todo mundo, e faz o espectador pensar “seu idiota, porque você tá fazendo isso?”.

Mas, no geral, o filme é instigante e interessante. Para quem gosta do gênero, vale à pena. Um detalhe curioso é uma cena em que um dos protagonistas, envolvido em um escândalo, fica em um dilema sobre sair ou não do país, rumo aos EUA, sob o risco de ser preso pela polícia internacional. Muito provavelmente isso foi só uma piadinha sarcástica, de Polanski, que meses antes de rodar o filme se encontrava preso, após ser pego pela polícia suíça, sob a acusação de estupro. Por esse suposto crime, o diretor passou 20 anos sem pisar nos EUA, onde seria imediatamente preso.

Minha nota: 7,8
IMDB:  7,4
MelhoresFilmes: 7,1

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73 - Aniki Bóbó (Aniki Bóbó) – Portugal (1942)

Direção: Manoel de Oliveira
Roteiro: Manoel de Oliveira
Garoto tenta ser aceito num grupo de meninos que brincam na rua. Primeiro longa do veterano realizador português Manoel de Oliveira. 

Impossível assistir esse filme e não se recordar da própria infância. Quantas saudades do meu tempo de outrora. “Anikibébé, anikibóbó. Passarinho, totó, berimbau, cavaquinho, Salomão, sacristão. Tu és polícia, tu és ladrão”.
Se os “miúdos” me fizeram recordar das minhas brincadeiras e aventuras infantis, Carlito me fez lembrar de Totó, de Cinema Paradiso. As ruas da capital portuguesa me fizeram lembrar de Sob o céu de Lisboa. E Portugal, em si, sempre me faz lembrar de Fernando Pessoa:
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu
Poema que combina bem com os “gatos” de Aniki Bóbó – que sentem só o que sentem.
Minha nota: 7,8
IMDB:  7,8
MelhoresFilmes: 7,7

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

72 - Fahrenheit 11/09 (Fahrenheit 9/11) – Estados Unidos (2004)


Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
Documentário analisa o que aconteceu nos EUA depois dos atentados de 11 de setembro e as relações entre o clã dos Bush e a família de Osama Bin Laden.

Pouco mais de 10 anos se passaram desde o 11 de Setembro - dos EUA (não confundir com o 11 de setembro do Chile).

Por isso, nem vale mais a pena comentar sobre as acusações feitas por Michael Morre, no filme. Foram diversas empresas, pessoas e ações citadas. Atualmente, é bom ver como elas estão:

A exploração de petróleo no Iraque produz 2,145 milhões de barris por dia. Fonte

Uma série de atentados no começo de janeiro de 2012, no Iraque, deixou 94 mortos e 212 feridos. Fonte

A Carlyle Group (citada por Moore) e que teve estreitas relações com Bush, comprou, em março de 2012, 85% da varejista de brinquedos brasileira, a Ri Happy, pelo valor de 1 bilhão de dólares. Fonte

Em março de 2012, um novo ataque no Iraque deixou mais 50 mortos. Fonte

A Microsoft (citado por Moore) lucrou 6,62 bilhões de dólares no 4º trimestre de 2011. Fonte

Em março de 2012, o oficial estadunidense Sargento Robert Bales abriu fogo contra 17 civis no Afeganistão, sem motivo aparente. Fonte

Em outubro de 2011, um grupo chinês venceu o processo de licitação, projetado pelos EUA e irá explorar o petróleo afegão, que poderá gerar 11 mil barris diários pelos próximos 20 anos. Fonte

Em maio de 2011 a NATO pediu desculpas ao Afeganistão por ter matado 10 crianças e 2 mulheres em um ataque militar. Eles pensavam que no local se escondiam cinco rebeldes talibãs. Fonte

Em janeiro de 2012, os EUA anunciaram que o petróleo saudita podia suprir suas necessidades, mesmo se o Irã suspendesse sua produção. Fonte

Em abril de 2012, o presidente do Afeganistão destacou as falhas no sistema de segurança da Otan, após ataques do Taleban, que mataram 40 policiais e 25 civis. Fonte

Desde 2011, os EUA gastaram mais de 1 trilhão de dólares em armas. Para isso, foi necessário criar um novo imposto ao contribuinte do seu país. Fonte

Em fevereiro de 2012, durante manifestação no Afeganistão, mais dois militares estadunidenses foram mortos. Fonte

Em novembro de 2011, a Harris Corporation (citada por Morre) fechou um contrato de 38 milhões de dólares com o IDIQ, para fornecer sistemas de rádio tático para parceiros internacionais do Comando Sul dos EUA. Fonte

Em 2010 a Wikileaks divulgou um vídeo de oficiais dos EUA atirando em civis no Iraque, e comemorando os acertos ao alvo. Fonte

Em 2010, a DHL (citado por Moore) faturou 52 bilhões de euros. Fonte

Em fevereiro de 2012, Obama pediu desculpas ao Afeganistão, pelo fato de oficiais dos EUA terem queimado o Alcorão, em suas bases militares no país afegão. Fonte

No quarto trimestre de 2011, a Haliburton (citado por Morre), teve um aumento de seu lucro líquido em 50%. Sua receita aumentou para 7,06 bilhões de dólares. Fonte

Minha nota: 7,4
IMDB:  7,6
MelhoresFilmes: 7,5

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71 - Soldado de Laranja (Soldaat van Orange) – Holanda (1977)

Direção: Paul Verhoeven
Roteiro: Kees Holierhoek; Gerard Soeteman; Paul Verhoeven
Estudantes holandeses vêem-se subitamente arrastados para a guerra, quando a Alemanha invade seu país. Um deles, judeu, é perseguido pela Gestapo; enquanto outro alia-se ao Terceiro Reich; e os outros dois participam da resistência ao Führer. Baseado no livro de Erik Hazelhoff.

Eu já tinha visto, através do cinema, a guerra nos Estados Unidos, Japão, Itália, França, Alemanha, Áustria. Mas, na Holanda foi a primeira vez.
Soldado de Laranja trata momentos desse período, em terras holandesas. Ele traz uma perspectiva pouco comum, de um país que não esteve no front, mas que permaneceu ocupado durante toda a guerra pelo exército nazista. Até por conta disso, praticamente não se tem cenas de confrontos, já que o norte do filme é um grupo de amigos que se aliam à Resistência.
Interessante é o desenvolvimento de cada personagem, que provoca um compreensão mais íntima e realista na vida de cada um, causada pela guerra. Destaque também para o ator Rutger Hauer, que no filme aparece novinho, e com a cara do Schumacher.
Minha nota: 7,4
IMDB:  7,8
MelhoresFilmes: 7,7

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terça-feira, 24 de abril de 2012

70 - Desejo e Reparação (Atonement) – Inglaterra (2007)

Direção: Joe Wright
Roteiro: Ian McEwan; Christopher Hampton
Aos 13 anos, a jovem Briony já demonstra grande criatividade em seus escritos e uma promissora autora. Um dia, pensa ter visto sua irmã mais velha, Cecilia, sendo assediada por Robbie, o filho da governanta de sua casa. Ela fica em silêncio até o dia em que uma prima é estuprada. Levada por sua imaginação fértil, Briony tem certeza de que foi o jovem Robbie e o acusa.

É interessante ver um filme e visualizar como ele seria se fosse feito por outro diretor. O enredo de Desejo e Reparação me lembrou um pouco de Iñarritu: um ato, um descuido, e um acaso, capazes de modificar dramaticamente o curso de várias vidas, para sempre. Com esse roteiro em mãos, provavelmente o cineasta mexicano teria feito uma abordagem mais moderna, misteriosa e mais seca. É provável que saísse um grande filme.
No entanto, Desejo e Reparação não fica atrás, mesmo se valendo de uma estética particular, com cenas sendo repetidas por perspectivas diferentes, uma proposital confusão temporal e um forte apelo sentimental, com uma trilha sonora clássica, feita para arrancar pelo menos uma lágrima do seu espectador.
Mesmo sem um rebuscamento na sua linguagem, contando com uma produção “bem feitinha”, o filme encanta pela sua narrativa e pelo drama da vida dos personagens, que poderia ser nós mesmos, ou qualquer outro inglês, brasileiro ou mexicano. Por isso, foi inevitável não se lembrar da história real – apesar de que mais ficcional do que em Desejo e Reparação – do pernambucano Marcos Mariano da Silva.
Minha nota: 8,3
IMDB:  7,8
MelhoresFilmes: 7,6

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69 - Antes que o mundo acabe (idem) – Brasil (2009)

Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Ana Luiza Azevedo; Jorge Furtado; Paulo Halm; Giba Assis Brasil
Daniel é um adolescente que mora no interior gaúcho, junto com a irmã, a mãe Elaine e seu padrasto. Em meio a brigas, dúvidas e conflitos de uma adolescência do século XXI, Daniel se depara com mais um problema: o pai, que nunca havia dado sinal de vida, resolve lhe mandar uma carta. O homem mora na Tailândia e vai dar a Daniel uma nova visão sobre o mundo.

É sempre bom ver filmes gaúchos, sobretudo os da Casa de Cinema de Porto Alegre. Não sei por que, mas neles há sempre um quê existencialista, passada de uma forma simples, reconhecendo a existência nos pequenos detalhes e passagens da vida, tal como nos filmes de Woody Allen. Além disso, a simplicidade da produção é algo que cativa.
Filmes simples têm o seu charme. E Antes que o mundo acabe é um exemplo disso. É uma obra que acrescenta muito pouco para a linguagem cinematográfica e nem se perpetuará na sua história. É corriqueira, passageira, mas dura o tempo suficiente para produzir sensações e lembranças. Pois assim é a vida, repleta de pequenos momentos que, sabe-se lá por que, ficarão nas nossas memórias e rechearão nossas existências.
Por exemplo, Antes que o mundo acabe me fez lembrar de Houve uma vez dois verões. A mãe do Daniel me fez lembrar de Sanduíche. O professor me fez lembrar de Ângelo anda sumido. O pôster do Daniel, do Grêmio campeão do Mundo de 1983, colado na parede do seu quarto, me fez lembrar do pôster que eu tinha, colado na parede do meu quarto, do Grêmio campeão de Libertadores de 1995, cuja escalação, sem precisar do google, era: Danrlei; Arce, Luciano, Rivarola e Roger; Luís Carlos Goiano, Dinho, Arílson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel. As letrinhas dos créditos finais me fizeram lembrar a orelha de Alice, de Jorge. O porre do Daniel me fez lembrar o porre que eu tive com a mesma idade dele, 15, quando eu terminei a prova, passei o resto da manhã toda bebendo na barraca da Cigana e, ao voltar para aula, não aguentei e vomitei o banheiro todo. Um amigo de minha irmã teve que vir me buscar. Minha mãe questionou por quê que eu bebi e não voltei para casa, em vez de ir para a escola. E a coordenadora pedagógica me obrigou a assistir o filme 28 Dias, cuja personagem era alcoólatra, mas que acabava vencendo a batalha contra o álcool.
Os apaixonados Pedro, Mim e Lucas percorrendo Porto Alegre me fizeram lembrar os apaixonados Tássia e eu, percorrendo Porto Alegre. Só nós dois, porque não somos poliândricos e nem moramos no norte da Índia. E, obviamente, as imagens de PoA me fizeram lembrar dos momentos em que eu e Tássia tivemos na pracinha que tem a estátua de Quintana e Drummond, na Casa de Cultura, na rua dos Andradas, do laranjinha, da Polar (provando que os métodos das coordenadoras pedagógicas nem sempre são eficazes), das flores de Bento Gonçalves, da rodoviária e do Umbu Hotel – que aparece por dois segundos em uma sequência do filme, aonde nós fizemos a pré-reserva, mas, advertidos pelo taxista, passamos direto dessa enrascada e nos hospedamos no Hotel Express.
Enfim, Antes que o mundo acabe me fez lembrar de tanta coisa. E se eu for destrinchar o que cada coisa, por sua vez, me lembra, eu passaria a vida inteira escrevendo.
Isso aí: as minhas lembranças fariam eu passar a vida inteira escrevendo. Deve ser mais ou menos sobre isso que o filme fala.

Minha nota: 7,5
IMDB:  7,1
MelhoresFilmes: -

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

68 - Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) – EUA (1940)


Direção: Robert Z. Leonard
Roteiro: Aldous Huxley
Drama centrado na vida de cinco irmãs na Inglaterra vitoriana do início do século 19. Uma das jovens, Elizabeth é que vai detonar uma série de mudanças comportamentais ao se encantar com a presença de um jovem que chega à vizinhança, um homem rico e orgulhoso.

Certos filmes antigos causam sensações semelhantes com as que se tem quando se olha fotos antigas. O registro visual revela a cultura de uma sociedade, como se vestiam, se comportavam ou o quão ridículo eram os cortes de cabelo.

Orgulho e Preconceito é um desses filmes “de lembranças fotográficas”. Tem, portanto, sua virtude nesse quesito. Bate a foto de uma sociedade inglesa, dos tempos de outrora. E para por aí. Fora isso não acrescenta muito em termos estéticos e estilísticos, e nem o conteúdo é tão original – pelo menos não mais, nos dias de hoje.

Tem, no entanto, uma narrativa leve, fácil de ser vista – o que ajuda nos filmes em preto e branco. Mas não muito mais que isso.

Minha nota: 5,9
IMDB:  7,5
MelhoresFilmes: 7,9

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67 - A Primeira Noite de um Homem (The Graduate) – EUA (1967)

Direção: Mike Nichols
Roteiro: Charles Webb; Calder Willingham; Buck Henry
Jovem acaba de receber seu diploma na escola, quando é seduzido e iniciado sexualmente por uma mulher de meia-idade. O drama é que o rapaz acaba se apaixonando não por ela, mas pela filha da mulher.

A primeira noite de um homem é daqueles filmes clássicos, que todo mundo já ouviu falar, mesmo sem ainda ter visto. É por isso que eu já fui assistir com uma certa expectativa. Achei que me interessaria pela sua graça e conteúdo, mas o que mais me empolgou foi sua fotografia.
Os planos e movimentos de câmera são detalhadamente planejados. Daqueles que fizeram o diretor perder noites e repetir algumas vezes a mesma cena. Valorizo muito isso. Vejo nisso uma certa áurea de responsabilidade, fidelidade e, sobretudo, de respeito do autor com sua obra. É como uma mãe que arruma a sua filha para ir ao seu primeiro dia de aula, e o faz da forma mais cuidadosa possível, sendo perfeccionista do cadarço à última trança do cabelo.
Filmes assim não são difíceis de serem reconhecidos e trazem um brilho a mais à obra. Mesmo quando o filme não é tão bom, é muito divertido perceber uma determinada técnica em cada sequência, que pode ser a escolha certa de um plano, ou até mesmo uma mensagem subliminar. São preocupações perfeccionistas e trabalho árduo comuns nos filmes de Paul Thomas Anderson e Tarantino, mas que não são de hoje, como bem prova Mike Nichols em A primeira noite de um homem.
Além da fotografia, a atuação do jovem Dustin Hoffman e a trilha sonora recheada de Simon and Garfunkel são pontos fortes nesse clássico.

Minha nota: 7,9
IMDB:  8,1
MelhoresFilmes: 9,2

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66 - A Família (La Famiglia) – Itália (1987)


A Família (La Famiglia) – Itália (1987)
Direção: Ettore Scola
Roteiro: Graziano Diana; Ruggero Maccari; Furio Scarpelli; Ettore Scola
A trajetória de uma família italiana, desde o início do século 20 até os dias de hoje. Quem faz esta retrospectiva sentimental é o personagem Carlo que, em seus 80 anos de vida, presenciou mortes, nascimentos, revoluções e guerras.

Difícil não se intrigar com esse filme. A Família preza pela delicadeza em diversos aspectos. Nas suas imagens, com movimentos de câmera precisos e nos seus planos subjetivos, como quando Beatrice toma o seu chá, flertando com Carlo, e quando sua irmã, Adriana, faz o mesmo, dessa vez em uma roda de dança.
É delicado, também, nas transformações físicas e psicológicas de seus personagens. São passagens de tempo que fazem ratificar que a vida é assim mesmo, passa que a gente nem sente. E os personagens, são naturais, banais, tal como nós. E estão sujeitos a encontros e desencontros, erros e acertos, certeza e dúvidas.
E, por fim, expõe sua delicadeza ao mostrar a transformação de uma Itália em tempos de (pós)-guerra, a partir das próprias transformações da família. E o melhor de tudo, sentimos as mudanças no país, sem que a câmera saia da casa em um só momento. Às vezes, dá a impressão que vai sair e seguir os personagens que se vão. Mas, tal como Carlo, ela nunca vai, e volta para o universo de sua casa. A câmera é realista, sem precisar sair pelas ruas italianas e flagrar as suas ruínas.
Mas, de tudo isso, o que prevalece é a vontade de fazer uma festa, reunir a família e tirar uma memorável foto.
...
Ah, vale citar as diversas referências que o filme traz, algo que eu, particularmente, gosto muito. Então, para não perder o hábito, fui atrás delas:
1 – Na seqüencia inicial, Carlo cita o poeta italiano Giosuè Carducci: “Il leone repubblicano è diventato il barboncino della Regina” (O leão republicano se tornou o cachorrinho da Rainha). Não achei o texto ou poema que contivesse essa frase. Mas descobri que o poeta é esse aqui e achei esse poema aqui.
2 – No instante 00:13:41, o pai de Carlo diz que eles não vão passear na Praça Esedra. A Piazza Esedra, hoje chamada de Piazza della Repubblica é essa aqui.
3 – No instante 00:17:27, Carlo cita De Sanctis, ao discutir a tentativa do escritor, em “criar um nexo entre a literatura e a sociedade civil”.
4 – No instante 00:17:41, é questionado “qual a meta da arte”. E é citado Tabanelli (que eu não sei quem é, nem achei nada dele).
5 – No instante 00:28:30, é feita uma citação, que eu não consegui identificar o autor: "Um só indivíduo reúne o poder e somente a massa, a multidão, unida em uma pessoa, constitui o Estado. Esta é a geração do grande Leviatã.”
6 – No instante 00:22:59, é citado o compositor italiano Gioachino Rossi. E eu descobri que ele compôs essa música, literalmente, clássica, aqui.
7 – No instante 00:30:34, Adriana disse que vai viajar para um conservatório em Paris, para ter aulas com Marguerite Long. Descobri que ela é pianista e uma das composições dela é essa aqui.
8 – No instante 00:33:43, Carlo diz que trabalha no Liceo Umberto I, que é esse aqui.
9 – No instante 00:35:44, Adriana diz que irá se apresentar na Sala Pleyel, que é uma das maiores salas de concerto de Paris.
10 – No instante 00:45:07, Carlos diz que se tornou adjunto universitário na Cátedra do professor Sapegno. Não dá para ter certeza, mas acho que ele se referia a Natalino Sapegno.
11 – No instante 00:49:08, é citado o verso “Colhe a rosa e chora”, apontado como pertencente da obra Le mie prigione do escritor Silvio Pellico, que tem uma história de vida muito interessante, apesar de trágica.
12 – No instante 00:49:27, o filho de Carlo mostra ao tio o livro “A volta ao mundo por um rapaz de Paris”, do escritor Louis Boussenard. Na Estante Virtual esse livro custa a bagatela de R$ 450,00. Quem quiser, pode comprar aqui.
13 – No instante 00:55:51, o personagem diz que faz parte do “Partido da Ação”, de Ferruccio Parri,  que foi um político anti-fascista.
14 – No instante 00:57:44, uma das mulheres comenta que foi no teatro La Scala para o concerto de Arturo Toscanini, um dos maiores maestros italianos e declaradamente anti-fascista. Vale a pena ler nesse link do Wikipédia, a sessão “oposição ao governo fascista italiano”, para ver que o cabra era retado. Uma de suas apresentações, aqui.
15 – No instante 01:00:09, é citada a canção Casta Diva, da cantora Maria Callas.
16 – No instante 01:08:22, a TV transmite o naufrágio do navio Andrea Doria, que, tempos depois, serviu de inspiração para a composição da Legião Urbana Andrea Doria, onde ele justifica a escolha do título aqui; e inspirou também o filme de suspense Navio Fantasma, cujo modelo do navio representado foi inspirado no Andrea Doria.
17 – No instante, 01:22:33, é interpretado um diálogo relativo aos personagens Alfredo e Violeta, referente à ópera La Traviata, de Verdi (que inclusive, tem uma apresentação de Maria Callas).
18 – No instante 01:24:25, é citada uma frase de Tchekov: “se você tem medo da solidão, não se case”. Outras frases dele podem ser vistas aqui.
19 – No instante 01:27:55, a babá chama a criança para ver na TV o Mago Zurli.
20 – No instante 01:48:34, o filho de Carlo o convida para assistir Bontá Loro, que me parece ser um programa de estúdio, que passa até hoje, como pode ser visto aqui.
Ok, eu não sou maluco. Apenas me divirto caçando referências nos filmes, e, quando me deparo com um tão rico, é inevitável ir atrás delas.
Minha nota: 9,0
IMDB:  7,7
MelhoresFilmes: 7,2

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domingo, 22 de abril de 2012

65 - Kuduro – Fogo no Museke (idem) – Angola (2007)


Direção: Jorge António
Roteiro: Jorge António; Mário Rui Silva
Kuduro é a segunda parte de uma trilogia que o autor dedica à música angolana, iniciada em 2005 com Angola - Histórias da Música Popular. A partir das questões "o que é kuduro? Por que este nome? Por que tanta polêmica?, Jorge António oferece-nos um retrato social e cultural de uma nova geração, através de um gênero musical que ultrapassou fronteiras e se tornou já um fenômeno internacional.

Assisti Kuduro, coincidentemente na mesma semana em que Salvador e a Bahia aprovaram as leis que proibiam o “Dj do Buzu” e a lei “Anti-Baixaria”. E foi muito curioso ver o quanto nós, soteropolitanos, somos tão próximos dos nossos irmãos angolanos. Salvador e Luanda se parecem, não só geograficamente e pelo seu processo de urbanização, que está mudando a cara da cidade, mas pelo processo cultural.

Luanda e Salvador não ficaram ilesos das conseqüências capitalista e industrial, que trazem consigo a desigualdade social e a criação de espaços urbanos distintos: o centro e a periferia. Ou “gueto”, como estão chamando atualmente, ressuscitando e reinterpretando o termo. Espaços diferentes, pessoas diferentes; produção cultural diferente. Diferente entre o centro e a periferia, mas muito parecida entre a periferia de Luanda e a periferia de Salvador.

Na capital baiana, vivemos uma eterna polêmica sobre o pagodão. Já vivemos tempos áureos, onde Oz Bambaz, Pagod´art, Selakuatro, Nossa Juventude e outros não tão pagodes assim, como Harmonia do Samba e o imortal GeraSamba, iluminavam toda a cidade, com sua musicalidade animada, letras engraçadas e de duplo sentido e, sobretudo, por ser a cereja que faltava na combinação: sol e cerveja.

Pagode vai, pagode vem, o fato é que vivemos uma nova fase no gênero. As letras de duplo sentido foram substituídas por letras de um único sentido: estímulo à violência e, sobretudo do sexo, da forma mais instintiva e primitiva possível. A dança, sempre coreografada, deu lugar à simulação de sexo ao vivo. O resultado: “polêmica”, como bem diria Luciana Gimenez.

A discussão é sempre válida. Tanto aqui, quanto em Luanda. Seja sobre o pagode, ou sobre o kuduro. O que essas músicas acrescentam para a sociedade? São prejudiciais, por deteriorar a moral e, ao mesmo tempo, ser irresponsável e inconseqüente, ao não levar em conta que seus respectivos países sofrem com os altos índices de contaminação por HIV, além dos diversos problemas sociais, como a violência contra a mulher, os índices de criminalidade e, sobretudo, pela inércia política da população, que permite que os políticos façam o que querem, enquanto ficam anestesiados por pão e circo. Ou todo esse discurso seria, simplesmente, fruto de uma elite social e intelectual, que sempre meteu o pau (sem duplo sentido) nas manifestações culturais produzidas fora do centro, como já ocorreu com o samba, com a capoeira, com o sertanejo e, hoje, com o pagode e o kuduro?

Kuduro, ainda que tecnicamente seja muito fraco, tem como principal virtude, o conteúdo trazido e por revelar um pouco do processo cultural angolano. Além disso, permite que nós, brasileiros, possamos olhar para nós mesmos e refletir um pouco sobre o que estamos fazendo com a nossa cultura.

Sugiro esse texto, do blog Pitacos do Manuca, um pouco de pagode baiano: BlackStyle e de Kuduro: Noite e Dia.
Minha nota: 5,8
IMDB:  -
MelhoresFilmes: -

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64 - Siga em frente, Munna Bhai (Lage Raho Munna Bhai) – Índia (2006)


Direção: Rajkumar Hirani
Roteiro: Abhijat Joshi; Rajkumar Hirani
O filme conta a história do carismático gângster Munna Bhai, que sente uma paixão platônica por Jhanvi, uma bela locutora de uma rádio de Mumbai. O filme teve grande impacto social na Índia ao trazer de volta para toda a sociedade, e especialmente para os jovens, os valores gandhianos da não-violência.

Pense em um filme interminável, com um roteiro repleto de pontos de virada. Não é nem somente pelas duas horas e pouca, mas, principalmente, porque toda hora acontece uma coisa, e você pensa: “essa zorra não tem perspectiva nenhuma de acabar”. A ansiedade se transforma em desespero e, quando faltam 11 minutos para acabar ... acaba. “Como assim? Não é possível!”. Corre, tira o pen-drive da TV, liga o notebook, conecta nele e... ufa! O problema não é do filme, mas do aparelho. Então assiste no computador mesmo. Nele, pelo menos, dá para ver quantos minutos restam. Faltam 10, 9, 8, 7, 6 e... acabou! “Como assim? Não é possível!” “Tira e recoloca o pen-drive”. Dito e feito, funcionou. E, finalmente, lá se foram os 5 minutos finais e o filme acabou.

Passada a tormenta, o que resta são ótimas impressões sobre o cinema de Bollywood. Munna Bhai é uma superprodução, com um roteiro básico e repleto de clichês, mas que envolve pela beleza e riqueza de suas imagens e figurino, e também pela originalidade em “promover” os ensinamentos de Gandhi, sem ser piegas ou panfletário – pelo contrário, pega o caminho fácil do humor; nada melhor para falar algo sério, do que se utilizando da comédia. A filosofia de Gandhi é passada de forma sutil, com leveza. Filosofia essa, que, segundo insinua o filme, tem sido perdida na cada vez mais moderna cultura indiana, percebida através da própria arquitetura do país, onde espaços urbanizados e prédios modernos em nada se parecem com a imagem que o Ocidente tem sobre a Índia.

Mas três grandes momentos foram marcantes: o surpreendente tapa na cara, na escola, que rendeu minutos de gargalhada, com direito à repetição da cena; as falas filosóficas de Gandhi; e as músicas, que dão vontade de levantar da cama e sair cantando e dançando.

Se puderem, assistam. Se não quiserem, ao menos ouçam essas canções: essa e essa. E se você for jogador de futebol, no seu próximo gol comemore fazendo essa dancinha.

Minha nota: 7,7
IMDB:  7,7
MelhoresFilmes: -

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sábado, 21 de abril de 2012

63 - Up – Altas Aventuras (Up) – Estados Unidos (2009)


Direção: Pete Docter; Bob Peterson
Roteiro: Pete Docter; Bob Peterson
Carl é um vendedor de balões que, aos 78 anos, está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. Para evitar que seja levado a um asilo, ele enche milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo. O objetivo de Carl é viajar para uma floresta da América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar.

Eu já tinha dito que não tenho paciência com filmes de animação, apesar de ter tido uma grata surpresa com a Viagem de Chihiro.  Eu já estava me empolgando, quando Up fez eu voltar ao meu lugar de impaciente com esse tipo de gênero (ok, o filme é bonitinho, sensível e muito bem feito, mas não dá para mim não).
O gráfico do filme é excelente, como já virou comum nos filmes recentes de animação. Mas o roteiro é uma lástima: previsível e repetitivo. É um roteiro básico e sem novidade alguma. Além disso, os personagens são caricaturais e sem “vida”. Mais parece um desenho animado da Sessão Globinho, do que um filme, de longa-metragem, amplamente premiado. Não que ser clichê, seja necessariamente ruim – não é – mas um pouquinho de cuidado para não ficar chato, é sempre importante.
Em Up só se salvam duas seqüencias: a do começo e a do fim. A do começo, pela beleza e poesia da passagem de tempo, evolvendo o casal de personagens. E a do fim, porque eu pude desligar tudo e ir dormir...

Minha nota: 6,1
IMDB:  8,3
MelhoresFilmes: 7,7

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62 - O Beijo no Asfalto (idem) – Brasil (1981)


Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Doc Comparato; Nelson Rodrigues
Baseado em peça de Nelson Rodrigues, Barreto mostra o poder da imprensa sensacionalista ao criar polêmica sobre um homem que atende o último pedido de um rapaz que é atropelado, dando-lhe um beijo na boca.

É sempre bom ver filmes nacionais de 40 anos atrás. Bom para ver a estética praticada pelo autor; o conteúdo tratado – que funciona como um recorte cultural da nossa história; e não menos importante, o registro visual dos nossos “ancestrais”.

É, no mínimo divertido, ver o corte de cabelo que as pessoas usavam, os carros da moda ou aquele telefone vermelho que um dia a gente já teve e que hoje é vendido por 100 reais no brique da Redenção ou em uma feira de antiguidades mais próxima. Sem dúvida, esses registros compõem a funcionalidade do audiovisual e feliz do país que produz filmes todos os anos e que ultrapasse gerações.

Em Beijo no Asfalto, um conteúdo tratado é muito atual: o homossexualismo (ou as questões que o cerca). Inspirada em uma das peças mais polêmicas de Nelson Rodrigues, o filme põe esse tema em cena e revela a repercussão social de uma cidade que lê nos jornais a história de um homem que beijou outro na boca, quando este estava em seus últimos segundos de vida, após ser atropelado. Comparando as reações das pessoas representadas no filme, com a nossa situação atual, podemos perceber que evoluímos demais em relação a 1980. O homossexualismo, ou simplesmente, o afeto, já é algo mais banal nos nossos dias – no bom sentido. Entretanto, é triste ver que algumas reações “engraçadinhas” e atos de hostilidades ainda são recorrentes em 2012 e quase idênticas às do século passado.

Em relação à estética, Bruno Barreto não dá show. Apesar de se valer de um roteiro bem amarrado e de interessantes movimentos de câmera e alguns planos especiais – como na cena do estupro ou em meros diálogos na cozinha – o diretor ainda é tímido, sem alcançar a genialidade de Nelson Gonçalves, ou de outros cineastas brasileiros que, na época, ainda sacudiam o cinema nacional, instigados pelo “cinema de autor”.

Minha nota: 7,2
IMDB:  6,7
MelhoresFilmes: 5,7

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