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quinta-feira, 31 de maio de 2012

104 - Fandango (Fandango) – Estados Unidos (1985)



Direção: Kevin Reynolds
Roteiro: Kevin Reynolds
Cinco amigos que terminaram a faculdade são convocados para a guerra do Vietnã. Resolvem, então, fazer uma grande farra antes de partir, promovendo sequencias de loucas aventuras.

Nem atrás, nem muito à frente de Se Beber não Case.

Fandango, um filme pouco conhecido, retira o manto de originalidade que cobriu Se Beber não Case. Aliás, os argumentos dos dois são praticamente idênticos. Mérito, portanto, para o filme de Kevin Reynolds, de 1985.

“Fé em deus e pé na tábua”. Ou, cerveja na mão e pé no acelerador. Esse é o mote de Fandango. Jovens, que viajam de carro dispostos a passar por aventuras, se valendo de um objetivo esfarrapado como motivo, mas escondendo as reais razões de tal jornada, que parece ser a última da vida de cada um: a desilusão amorosa e a guerra do Vietnã. Mesmo que a guerra também servisse de um banal pretexto, já que o que realmente guiava os jovens aventureiros era a necessidade de vencerem seus próprios medos, covardias e fraquezas.

Fandango é engraçado, mas volta e meia traz uma leve camada de melancolia. Como se carregasse a sensação de que “isso está acabando; nosso tempo também”. Talvez esse sentimento partiu do próprio contraste da época: uma legião de jovens com a vida toda pela frente, mas com uma guerra no meio do caminho, capaz de encurtar essa caminhada. Ou pela própria natureza da juventude: o amadurecimento forçado, causado pela porrada que a vida dá na cabeça e pelo que os amores dão no coração. Fandango traz aquela sensação da criança que enrola a própria mãe, só para poder brincar o máximo de tempo que conseguir – “tô innnnnndo” - e só vai quando a mãe, enfim, perde a paciência.

É como se a juventude fizesse isso com seu próprio destino: “só mais um pouquinho!” e só entra na fase totalmente adulta quando a vida já não lhe tem mais paciência, e os jovens, alternativas.


Minha nota: 7,0
IMDB:  6,2
ePipoca: 5,3

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

103 - Citizen Dog (Mah Nakorn) – Tailândia (2004)



Direção: Wisit Sasanatieng
Roteiro: Wisit Sasanatieng
Pod é um rapaz sem sonhos, que saiu do campo para trabalhar em Bangkok. Jin é uma camareira que carrega um misterioso livro branco, que nunca conseguiu ler. O perdido Pod se apaixona por Jin, uma garota que sonha que um dia poderá decifrar o significado do livro.

O melhor desse filme tailandês são as cores, os recursos estilísticos e a psicodelia.

Já o lado negativo é o excesso de cores, de recursos estilísticos e de psicodelia.

O filme é bom, aliás, tem tudo para ser muito bom. Se não fosse tãaaao exagerado.

Se simplificasse as coisas, talvez o resultado fosse melhor. No entanto, tanto estardalhaço, capítulos e personagens servem para desviar o foco. Intencionalmente. Para provar, na prática, que só se acha algo quando não se procura.


Minha nota: 7,1
IMDB:  7,3
ePipoca: -

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terça-feira, 29 de maio de 2012

102 - Um sonho de liberdade (The Shawshank Redemption) – Estados Unidos (1994)



Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont; Stephen King
Andy Dufrense é um banqueiro condenado por ter assassinado a esposa. Enviado a uma das piores penitenciárias dos EUA, ele enfrenta a dura vida de um novato na prisão. Aos poucos vai conquistando a amizade de outros presos e do próprio diretor do presídio.

É sempre bom ver excelentes roteiros passando diante dos nossos olhos.

A partir da história de Stephen King, o diretor Frank Darabont filmou e roteirizou um dos maiores filmes estadunidenses, marcante na história do cinema (não à toa, li diversos comentários do tipo “esse é o melhor filme que vi na vida”, “já assisti 16 vezes”). Não é o melhor filme que eu vi na vida e nem pretendo assistir novamente, mas certamente é um dos melhores!

A história é contada com primor. Pega carona no banal recurso da narração, o que nem por isso diminui a sua qualidade. Aliás, a narração, se bem utilizada, pode fazer a diferença em um filme. E em Um Sonho de Liberdade ela faz; como também fazem a construção do enredo, as surpresas que o diretor prega no espectador, as atuações de Morgan Freeman e Tim Robbins, a cena em que o novato, na penumbra, conversa com o diretor do presídio, a biblioteca e a bíblia! Tudo isso faz toda a diferença.

Um Sonho de Liberdade empolga pela inteligência, comove pela história dos personagens e agrada pelo excelente roteiro. Um clássico!


Minha nota: 8,4
IMDB:  9,2
ePipoca: 9,9

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101 - Um homem um tanto gentil (Em Ganske Snill Mann) – Noruega (2010)



Direção: Hans Petter Moland
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Ulrik acaba de sair da prisão após cumprir uma pena de doze anos por homicídio. Em torno de 50 anos de idade, ele sofre a rejeição da família e não tem onde morar, nem trabalhar. Aos poucos ele vai conquistando a confiança e o respeito das pessoas ao seu redor. Talvez seja porque, mesmo tendo assassinado algumas pessoas, Ulrik não deixa de ser um cavalheiro.

O roteiro de Kim Fupz Aakeson traduz bem a lógica da vida: aos poucos os caminhos vão sendo abertos e você segue, pacatamente. No entanto, em algum momento as portas irão se fechar – por conta do acaso, de erros ou deslizes do passado, ou por mero preconceito do outro. Daí, quando tudo parece sem solução, eis que algo que estava fora dos planos acontece e faz reviver o sentido da vida. Todos os dias precisamos matar um pouco do nosso passado, para dar vida a um futuro surpreendente que nos espera. Às vezes, literalmente!

De forma bem sutil e com um humor cínico, o diretor Hans Petter Moland apresenta essas nuances da vida. Afinal de contas, todos nós somos um pouco gentis, da mesma forma que somos julgados por quem nos cerca, cometemos erros, os consertamos e até somos capazes de nos submeter a algo bizarro em troca de pouco ou quase nada. 


Minha nota: 7,4
IMDB:  6,9
ePipoca: -

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

100 - Reflexões de um Liqüidificador (idem) – Brasil (2009)



Direção: André Klotzel
Roteiro: José Antônio de Souza
Um liquidificador pensa e narra essa história. Ele também conversa com sua proprietária, Elvira. Ambos estão prestes a cometer um crime terrível. 

Centésimo filme no ano!

Dentre alguns dos filmes que eu queria ver, selecionei Reflexões de um Liquidificador – nacional e com boas indicações.

O argumento louco e original instiga o espectador no início. As reflexões de Selton Melo, no brilhante papel de liquidificador, também provocam no espectador uma atenção especial ao que está sendo dito, com a certeza de que algo de importante, intelectualmente e existencialmente, pode ser extraído da fala, mesmo tão coberta por uma ironia óbvia.

No entanto, lá pela metade, o filme começa a se perder. Ora o liquidificador é esquecido para que se priorize o desenrolar da história, ora ele retorna à cena, revelando que a narrativa nem era tão importante assim e poderia ser melhor desenvolvida, para ceder lugar ao que realmente importava no filme: as reflexões do liquidificador.

Não chega a ser um filme ruim, mas por ser o centésimo do ano, poderia ter sido melhor.


Minha nota: 6,9
IMDB:  7,3
MelhoresFilmes: 7,9

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99 - O Porto (Le Havre) – Finlândia (2011)



Direção: Aki Kaurismäki
Roteiro: Aki Kaurismäki
Marcel Marx vive na cidade portuária do Havre, onde trabalha como engraxate. Eis que o destino põe. bruscamente no se caminho, um jovem imigrante africano, em fuga. Ao mesmo tempo, sua esposa fica gravemente doente. Esses dois fatos alteram a vida pacata e boêmia de Marcel.

Esse filme me lembrou Bem-Vindo. Ambos tem uma temática similar: um adulto, passando por problemas pessoais, conhece um jovem imigrante que pretende ir para a Inglaterra clandestinamente, e passa, então, a ajudá-lo. No entanto, em Bem-Vindo,o primor do diretor Philippe Lioret é perceptível, trazendo uma carga de sensibilidade impactante ao filme.

Já em O Porto, nem mesmo os planos demorados e bem enquadrados, ou o recorrente uso do silêncio e da escassez de diálogo é capaz de despertar a emoção do espectador. Soma-se a isso a péssima atuação do elenco e um final pobrinho, pobrinho.

Se eu já não tivesse visto Bem-Vindo, até que eu gostaria de O Porto.


Minha nota: 6,8
IMDB:  7,3
ePipoca: 7,0

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

98 - Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate) – Cuba (1994)



Direção: Juan Carlos Tabío; Tomás Gutiérrez Alea
Roteiro: Senel Paz
Estudante cubano que acredita firmemente no regime de Fidel Castro entra em depressão quando sua namorada o deixa casar-se com outro. Sua vida toma outro rumo quando ele conhece Diego, artista homossexual, que não é aceito pela sociedade cubana.

A homossexualidade sempre foi tratada com preconceito e repressão pelos líderes cubanos pós-Revolução. O mundo mudou, o muro de Berlim caiu, o embargo estadunidense continua, e as diretrizes cubanas vêm mudando de alguns anos para cá, sobretudo com a chegada de Raul Castro ao poder.

A mudança já pode ser sentida, por exemplo, no trato que o governo cubano dá às questões GLBT. Uma das lutas encabeçadas por Mariela Castro, filha de Raul, é justamente acabar com preconceitos, uma vez que, segundo ela, a discriminação não combina com os interesses da Revolução. E uma das conquistas dessa luta é um pacote de leis que altera algumas regras atuais e estenderá direitos aos homossexuais, como o reconhecimento da união estável.

E é disso tudo que Morango e Chocolate falava, há 18 anos: política, atraso, intolerância, revolução, discriminação, direitos. Tudo de forma bem sutil e com uma sensibilidade que comove “maricóns” e héteros. O filme dá uma grande contribuição crítica para se discutir aspectos da política cubana – e é sempre bom lembrar, que no meio do furacão da revolução existem seres humanos, com seus desejos e sentimentos particulares, que ultrapassam os limites das ideologias políticas ou da construção social coletiva. E eles também merecem respeito e liberdade, além de gozar do que o Estado tem que oferecer em troca.

Após 18 anos, o filme ainda é atual e serve de lição para o governo cubano, brasileiro e estadunidense.


Minha nota: 8,1
IMDB:  7,3
MelhoresFilmes: 7,5

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97 - Os Homens que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats) – EUA (2009)



Direção: Grant Heslov
Roteiro: Peter Straughan; Jon Ronson
BobWilton é um jornalista que passa por problemas pessoais: seu casamento está arruinado e ele não tem a criatividade que esperava possuir para escrever um romance. Até que percebe estar diante da história de sua vida quando conhece Cassady, um das Forças Especiais Americanas, que diz ser membro de uma unidade secreta que tem como meta pôr fim à guerra.

O título do filme é convidativo. O quarteto de atores composto por George Clooney, Michel Teló, Jeff Bridges e Kevin Spacey também causa boas impressões. A história começa levemente engraçada a apresentando uma trama surreal e curiosa. Todos esses ingredientes fizeram com que Os Homens que Encaravam Cabras trouxesse muitas promessas.

No entanto, as promessas não se cumprem e o que era engraçado acaba perdendo a graça. Tem suas cenas que tiram boas risadas, é verdade, mas no geral ele deixa muito aquém da expectativa criada.


Minha nota: 6,7
IMDB:  6,3
ePipoca: 5,8

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

96 - Ônibus 174 (Ônibus 174) – Brasil (2002)



Direção: José Padilha; Felipe Lacerda
Roteiro: José Padilha; Bráulio Mantovani
Documentário sobre o ônibus do Rio de Janeiro que foi sequestrado por um morador de rua. O acontecimento foi transmitido ao vivo em cadeia nacional e culminou na morte do jovem.

“Foi a polícia que matou os colegas do Sandro, na Candelária. E a polícia completou o trabalho. É como se as duas pontas da história se fechassem. À polícia, cabe o trabalho sujo que a sociedade não quer ver, mas que em algum lugar obscuro do seu espírito deseja que se realize. Que se anulem os Sandros. Que os Sandros desapareçam das nossas vistas. Nós não queremos ver essa realidade. Nós não podemos suportar essa realidade. Então, a invisibilidade é, afinal, reconquistada, pela produção policial da invisibilidade; da anulação que a morte gera.”

E o pior de tudo talvez nem seja a chacina da Candelária, a péssima estrutura dos presídios, a falta de acolhimento de crianças e adolescente pelo Estado e pela sociedade, nem o despreparo policial. Talvez o pior de tudo é ver a ira da população, partindo para cima do Sandro já imobilizado, gritando palavras de ódio e prazer pela morte do bandido. Isso faz crer que o ciclo de ódio e vingança nunca é interrompido e que somos, de fato, o Cu do Mundo, cuja triste nação, na época mais podre, compõe-se de possíveis grupos de linchadores.

O furto, o estupro, o rapto pútrido
O fétido seqüestro
O adjetivo esdrúxulo em U
Onde o cujo faz a curva
(O cu do mundo, esse nosso sítio)
O crime estúpido, o criminoso só
Substantivo, comum
O fruto espúrio reluz
À subsombra desumana dos linchadores

A mais triste nação
Na época mais podre
Compõem-se de possíveis
Grupos de linchadores

José Padilha e Felipe Lacerda, com uma aula de montagem cinematográfica, se tornam verdadeiros Advogados do Diabo: atirem a pedra no pequeno, mas um dia você vai se queimar.
Quem é o vilão dessa história?

Minha nota: 8,2
IMDB:  7,8
ePipoca: 6,7

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terça-feira, 22 de maio de 2012

95 - Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette) – Itália (1948)



Direção: Vittorio de Sica
Roteiro: Vittorio de Sica; Cesare Zavattini; Suso D´Amico; Gerardo Guerrieri; Oreste Biancoli; Adolfo Franci

Após a 2a Guerra, um operário consegue trabalho como colocador de cartazes. Para tanto, tem a ajuda do filho e de uma velha bicicleta. Mas, a bicicleta é roubada e ele e o filho saem em busca do ladrão.


É admirável a sensibilidade de alguns diretores, de conseguirem usar uma história simples para retratar dramas sociais e íntimos. Em Ladrões de Bicicleta, Vittorio de Sica foge de qualquer moralismo social para provocar uma Itália pobre de recursos e de espírito, instigando-a a refletir sobre sua condição, em que não há perspectiva futura e a angústia, o medo, o desespero e a violência é que acabam conduzindo o dia-a-dia da sociedade. A única esperança, talvez, acaba sendo a pureza e a incompreensão das gerações que estão por vir.

Ladrões de Bicicleta é um clássico neo-realista, italianíssimo! Um filme que capta as emoções de uma nação pós-guerra, lhe dá um banho de arte e a reproduz nas telas do cinema.


Minha nota: 8,4
IMDB: 8,4
MelhoresFilmes: 9,4

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94 - ... E o Vento Levou (Gone with the wind) – Estados Unidos (1939)



Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard; Margaret Mitchell
A Guerra Civil nos Estados Unidos marca a vida de Scarlet, uma mulher que, para atingir seus objetivos e esquecer um amor frustrado, se casa com Butler, um charmoso aventureiro disposto a tudo por seu amor.

Esse é mais um filme da série “cafezinho e força de vontade”, pois é preciso muito disso para encarar as suas quatro horas de duração.

A primeira metade do filme é excelente. Mas para que foram botar mais duas horas de história?

Minha nota: 6,4
IMDB:  8,2
MelhoresFilmes: 9,3

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

93 - O Poderoso Chefão III (The Godfather: Part III) – Estados Unidos (1990)



Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Mario Puzo; Francis Ford Coppola
Parte final da trilogia "O Poderoso Chefão". Corleone tenta legalizar seus negócios, ao mesmo tempo que lida com novos mafiosos que querem o seu lugar.

Um é pouco.

Dois é maravilhoso.

Três é desnecessário.


Minha nota: 6,9
IMDB:  7,6
MelhoresFilmes: 7,9

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Torrent + Legenda (incluindo todos os 3 filmes da trilogia)


domingo, 20 de maio de 2012

92 - $9.99 ($9.99) – Israel / Austrália (2008)



Direção: Tatia Rosenthal
Roteiro: Etgar Keret; Tatia Rosenthal
Qual o sentido da vida? Descubra por apenas $9,99.

Um filme de animação, israelense e existencialista. Sensacional!

Altamente recomendável para operadoras de telemarketing, idosos solitários, modelos, jovens desempregados, crianças, casais em crise, anjos da guarda e pais de família que buscam um sentido para suas vidas.

9.99, como quase todos os filmes existencialistas, não dão a resposta exata, mas ajudam a descobrir – basta estar atento e perceber.


Minha nota: 8,2
IMDB:  6,6
MelhoresFilmes: -

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sábado, 19 de maio de 2012

91 - Apocalypse Now (Apocalypse Now) – Estados Unidos (1979)



Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: John Milius; Francis Ford Coppola; Jospeh Conrad; Michael Herr
Durante a guerra do Vietnã, um capitão é enviado com alguns soldados para matar um coronel do exército que enlouqueceu no meio da selva.

Após mais da metade foi filme, o que me veio à mente foi: Alice no País das Maravilhas!

A epopéia vivida por um grupo de soldados em missão no Vietnã, muito se assemelha com a história escrita por Lewis Carol.

Primeiro, o capitão recebe uma missão que lhe deixa confuso e intrigado, tentando achar um sentido para tal, assim como se sentiu Alice ao cair em um mundo estranho.

Na sua primeira parada, o capitão vai para o front, com um comandante excêntrico, que pretende surfar durante uma ofensiva contra vietcongs a poucos metros dele. Seqüencia essa, que poderia receber o título de: “Pela toca do coelho”.

Depois disso, os soldados seguem seu percurso, passando, parando ou confrontando diversos pontos à margem do rio à cima. Quanto mais navegam, mais o grau de absurdo se eleva. Passam pela “Lagoa de Lágrimas” com um tigre à espera, depois pelo “Campo de Croqué com a ´Coelhinha´ de Copas” , e até param para tomar “Um chá de loucos” franceses.

E em cada parada, novos enigmas são colocados e frases de efeito, que mais confundem do que solucionam tamanho absurdo.

Mas, tal como Alice, o capitão continua seu percurso, até, finalmente chegar no reino do Comandante Maluco, endeusado por uma legião de tribais em transe e por cabeças cortadas. No julgamento final, não há reis e valetes de copas, nem lagartos, nem coelhos, nem o chapeleiro. Somente o capitão e o que resta de sua sanidade, deteriorada durante a sua epopéia.

Apocalipse Now é um épico recheado de enigmas, delírios e loucuras. Ou, como ele mesmo resume em sua cena final: horror!


Minha nota: 8,4
IMDB:  8,6
MelhoresFilmes: 9,4

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sexta-feira, 18 de maio de 2012

90 - O Profissional (Léon) – França (1994)



Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Policiais corruptos invadem casa de traficante e o matam, junto com toda a sua família. A única sobrevivente é uma adolescente, que agora quer vingança. Ela buscará ajuda em seu vizinho, Léon, um matador profissional.


É impressionante a capacidade que o cinema tem de persuadir o espectador, fazendo, inclusive, com que ele se afeiçoe a um personagem que é um matador profissional e ainda possui uma leve – ainda que ingênua e controlável – tendência à pedofilia.

O Profissional é absurdo. É ilegal, imoral, mas não engorda.

A receita de personagens excêntricos com um roteiro envolvente deu muito certo. Para quem gosta de filmes de ação, é um prato cheio. Para quem gosta de drama, também. Comédia, um pouco. Mas, para quem gosta, simplesmente, de um bom filme, é uma ótima opção.

Sem falar que é embasbacante a atuação de Natalie Portman, na época com 13 anos. Eu nunca vi uma atriz mirim ter tanta propriedade sobre o seu personagem como ela, na pele da aspirante a assassina, Mathilda.


Minha nota: 8,6
IMDB:  8,6
MelhoresFilmes: 7,6

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

89 - Psicose (Psycho) – Estados Unidos (1960)



Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano
Considerado pelos críticos a melhor obra-prima de Hitchcock. Psicose é um magnífico filme de suspense. Mario (Janet Leigh) dá um desfalque em sua empresa e, na fuga, acaba tendo que passar a noite em um motel na beira da estrada, mas não sabe que o lugar guarda seus segredos assustadores.

O primeiro Psicose que eu assisti foi um remake, produzido em 1998 pelo diretor Gus Van Sant. Passou na Globo e eu devia ter uns 13 anos. Na época achei que esse era o famoso Psicose. Somente anos mais tarde é que descobri que o que eu tinha assistido não era a obra-prima de Hitchcock. Que desilusão!

Por já saber o final, sempre tive resistência em assistir a obra original. No entanto, resolvi encarar mesmo assim.

Por já conhecer a história, perdi um pouco do suspense e do mistério que brilhantemente envolve o filme. Porém, mesmo conhecendo o roteiro, ainda consegui me arrepiar em algumas cenas e ficar atento do começo ao fim. E quase delirei de expectativa com a cena do chuveiro.

Hitchcock é sensacional!


Minha nota: 8,9
IMDB:  8,7
MelhoresFilmes: 9,4

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terça-feira, 15 de maio de 2012

88 - O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) – Espanha / México (2006)



Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro
O filme conta a história de uma menininha que, em 1944, viaja com a mãe e o pai adotivo para uma área rural no norte da Espanha. O cenário é o pós-guerra espanhol que deu a vitória ao fascista Francisco Franco. A garota, no entanto, vive num mundo imaginário que ela mesma criou, repleto de fantasia e desafios.

Acho que é a primeira vez que eu assisto um filme “infantil” proibido para menores.

O uso da fábula foi um recurso interessante para ser usado em sintonia com uma ficção violenta, baseada em um momento histórico real. As fortes cenas de violência, no entanto, mostram que a fantasia sempre será um ótimo subterfúgio para fechar os olhos e ser transportado para onde se queira ir. Quando restam poucas alternativas à guerra ou às tragédias, a imaginação pode ser uma das únicas opções para se buscar o conforto e a esperança ou, pelo menos, para amenizar o medo e a dor.

Minha nota: 7,9
IMDB:  8,3
MelhoresFilmes: 7,6

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

87 - Habemus Papa (Habemus Papa) – Itália (2011)



Direção: Nanni Moretti
Roteiro: Nanni Moretti; Francesco Piccolo; Frederica Pontremoli
Após a morte do Papa, o Conclave reúne-se para eleger o seu sucessor. Mas os fiéis amontoados na praça de São Pedro esperam em vão que apareça na varanda o novo soberano. Este último não parece pronto a suportar o peso de tal responsabilidade. O mundo inteiro será atormentado pela inquietude, enquanto no Vaticano se buscam soluções para ultrapassar a crise.

Ainda não entendi bem o que Nanni Moretti quis dizer com Habemus Papam. Eu acompanho o diretor a longa data e sei da sua personalidade forte, sobretudo para tratar de temas políticos. Talvez tenha sido por isso que fiquei um pouco confuso, já que eu esperava uma postura bastante agressiva em relação ao Vaticano, tal como ele fez em Crocodilo, quando o alvo era o eterno cacique italiano Sílvio Berlusconi.

No entanto, acho que o que Nanni Moretti tentou passar é o abismo existencial que separa o homem sagrado, divino, que veste um manto papal e conduz milhões de católicos mundo a fora, e o ser humano por trás de toda essa simbologia. E, com isso, mostrar o quão defasada está a Igreja Católica, pois está cada vez mais distante das necessidades, prazeres e cultura do homem moderno, em pleno século XXI.

A Igreja Católica vive um dilema difícil de superar. Quando ela criou os dogmas e regras de conduta e valores, há milênios atrás, talvez ela não esperasse que, após tanto tempo, ainda haveria pessoas tomando como verdade tudo que foi posto. E não calculou que os homens e mulheres do futuro passariam por transformações que tornariam defasadas muito do que a Igreja estabeleceu não apenas como verdade, mas como princípio para que todo seu discurso possuísse lógica.

Estamos em 2012. Não é tão simples sustentar algumas coisas como: doenças são pragas de Deus; a mãe de Jesus era virgem; Moisés abriu o mar. É difícil acreditar que Deus mora no céu, sobretudo porque hoje – ao contrário de antigamente – já se sabe que, após o céu azul que enxergamos existe a Estratosfera, depois a Mesosfera, depois a Termosfera, depois a Exosfera e mais depois temos uma galáxia, um universo, composto por milhares de planetas, estrelas, poeira, vácuo. Se Deus possui residência fixa, certamente não é no céu. Muito mais difícil é continuar acreditando que debaixo da terra existe um inferno. É sabido que lá embaixo o que se tem são camadas de Manto e Núcleo.

Não dá mais para vender passagem para o céu, nem perseguir mulheres, nem queimar livros, nem explorar índios, muito menos matar cientistas. Continua difícil manter-se machista, quando o mundo tem sido cada vez mais das mulheres; nem ser contra o uso da camisinha enquanto o HIV está por todo o planeta; nem defender o celibato, enquanto todo dia sai uma nova notícia de padres pedófilos.

Ou seja, não é tão simples ver cada um de seus dogmas e condutas morais serem, dia após dia, sucumbidos por uma cultura cientificista, que busca o conhecimento, a liberdade e o livre arbítrio. Portanto, não deve ser fácil ser um papa. Tem que ter muito jogo de cintura, para dizer que, ao contrário do que sempre foi dito, não é verdade que a mulher saiu da costela de Adão – “é só uma questão de interpretação, a bíblia é pura metáfora”; e reconhecer que toda aquela história de Big Bang e caldo orgânico pode realmente ter existido, apesar de a bíblia nunca ter mencionado.

O jeito é tentar resgatar a fé, que a própria Igreja Católica já abandonou em diversos momentos da história, pois é ela que faz as pessoas acreditarem em coisas invisíveis ou sem lógica, e é ela que dá conforto, serenidade e esperança para os indivíduos superarem esse mundo cada vez mais perverso.

Enfim, talvez tenha sido um pouco isso que Nanni Moretti quis dizer (ou pelo menos o que eu quis entender).


Minha nota: 7,6
IMDB:  6,9
MelhoresFilmes: 7,0

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sábado, 12 de maio de 2012

86 - Preciosa – uma história de esperança (Precious) – Estados Unidos (2009)



Direção: Lee Daniels
Roteiro: Geoffrey Fletcher; Ramona Lofton
No Harlem, em Nova York, uma jovem adolescente negra, obesa, analfabeta e grávida de seu segundo filho é convidada a matricular-se numa escola alternativa na esperança de que sua vida tome um rumo diferente.

Preciosa serve para nos mostrar o quanto podemos ser melhores do que somos.

Ela me deixou sem conseguir pegar no sono, tomando vinho e ouvindo It took a long time durante a noite inteira, sem saber o que pensar, muito menos o que escrever...


Minha nota: 8,1
IMDB: 7,4
MelhoresFilmes: 7,0

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

85 - Dr. Fantástico (Dr. Strangelove) – Inglaterra (1964)



Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick; Terry Southern; Peter George
Enlouquecido pela Guerra Fria, general acredita que ficou impotente devido à sabotagem comunista dos reservatórios de água e ordena ataque nuclear à União Soviética. Obra prima de humor negro que dá início à trilogia futurista do diretor, continuada com "2001" e "Laranja Mecânica".

Nada melhor que usar o humor para falar de algo sério. Tal como Benigni fez em A Vida é Bela, ou como João Ubaldo faz em suas crônicas, Stanley Kubrick soube fazer graça das insanidades cometidas por políticos durante a Guerra Fria.

Guerra essa, não tão fria e nada engraçada. Guerra que matou gente em todos os continentes e implantou ditaduras perversas.

Dr. Fantástico faz piada com a imbecilidade humana, de produzir armas e desejar guerras. Um filme que Bush, Obama, Tony Blair, David Cameron, Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu, Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-um, Berlusconi, José Maria, Vladimir Putin e tantos outros deveriam assistir, para perceberem o quão idiotas eles são.


Minha nota: 8,2
IMDB:  8,6
MelhoresFilmes: 9,4

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

84 - A Noite da Verdade (La Nuit de La Vérité) – Burkina Faso (2004)



Direção: Fanta Régina Nacro
Roteiro: Fanta Régina Nacro; Marc Gautron
Após dez anos da guerra civil entre o exército governamental dos Nayaks, e os rebeldes Bonandés, há alguns sinais de negociações de paz. Mas nem todos são a favor disso.

Muito interessante ver um filme produzido em Burkina Faso, o nono pior IDH do mundo, com 67% de desempregados e marcado por profundas guerras civis e golpes de Estado.

Fazer cinema em um país com tantas dificuldades de reconstrução me faz lembrar de Saneamento Básico, mas precisamente de uma entrevista em que o diretor Jorge Furtado argumenta “Um filme, mesmo de baixo orçamento, é caríssimo. Com R$ 3 milhões se faz uma escola. Essa é uma questão no Brasil. Como investir na produção o mesmo dinheiro que se construiria casas populares? Se partirmos para essa lógica, o país deve gastar só naquilo que é fundamental. Portanto, vamos discutir o que é fundamental. Eu acho que arte, cultura, cinema, são fundamentais. A tese do filme é um pouco essa. (...) Cinema é básico total. Na minha opinião, cinema é tão importante quanto saneamento. Morar numa casa sem saneamento é muito ruim, mas viver sem cinema também seria muito ruim. Qualquer cultura deve produzir cinema. Viver sem cinema não dá. Qualquer país sério tem que produzir cinema. O Brasil sempre produziu cinema e precisa continuar produzindo. Se o país puder resolver ao mesmo tempo os problemas de saneamento, ótimo.”

Acho que A Noite da Verdade é uma prova viva disso tudo que Jorge disse. É muito bem-vinda uma obra cinematográfica, enquanto o país ainda vai se reconstruindo e esboçando um futuro, mesmo com inimagináveis problemas no presente. O filme retrata uma nação, aparentemente fictícia, feita por homens e mulheres com medos, dúvidas, loucuras e conflitos internos; mas, sobretudo a importância de lutar contra si mesmo, para espantar os seus próprios demônios, em prol de um país sem guerras. Ele revela o quanto isso é difícil, pois reações humanas não se controlam com apenas uma assinatura no papel ou apertos de mão. É mais doloroso e imprevisível que isso. Mas é preciso cortar na própria carne, para sustentar a paz em um país que ainda possui as marcas das guerras.

E no meio de tanta coisa por fazer, o cinema chega em boa hora.

Para ler sobre uma experiência pessoal sobre Burkina Faso, sugiro esse texto aqui.

Para ler a entrevista completa de Jorge Furtado, clique aqui.


Para fazer um pequeno tour por terras “burkinianas”, clique aqui e aqui




Minha nota: 7,0
IMDB:  7,3
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