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sábado, 30 de junho de 2012

138 - A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge) – França (1994)



Direção: Krzysztof Kieslowski
Roteiro: Krzysztof Kieslowski; Krzysztof Piesiewicz
Valentine é uma jovem modelo que um dia atropela uma cachorrinha e, preocupada, sai em busca de seu dono. É quando conhece o homem que mudará a sua vida: um juiz aposentado que passa os dias espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos.

Comecei a trilogia pelo fim. Não sei por que, mas acho que eu deveria ter começado pela ordem: A Liberdade é Azul e A Igualdade é Branca. De qualquer forma, valeu mesmo assim.

A Fraternidade é Vermelha é um filme complicado, que exige atenção para os mínimos detalhes e do início ao fim, pois ele é carregado de metáforas e informações que nos são dadas aos poucos.

Por fim, é mais provável ter dúvidas do que certezas. Ou quase-certezas.

A metáfora da vida do juiz, em paralelo ao do outro personagem cuja história é similar à sua. A cena em que a modelo bebe sua água, na igreja, mesmo local onde ela voltará, ao procurar a cadela. O copo quebrado no boliche. A câmera que, da mesma posição, é capaz de mirar os apartamentos dos dois personagens, que não se encontram durante o filme. O que tudo isso quer nos dizer?

Talvez, que a vida se construa nos pequenos detalhes, que se repetem constantemente, e que ocupam os mesmos espaços, mesmo que em tempos diferentes. Praticamente uma metafísica, que nos faz ver que somos unidos por uma força cósmica, incontrolável, que não se manipula - ou não – mesmo que se tenha o controle das informações da vida de cada um. Um contexto que nos torna irmãos – fraternos - unidos pelo lanço sanguíneo - vermelho!

Realmente parece confuso. E é. Mas talvez o segredo se resuma em uma dica: “basta existir”.

Tenho certeza que ainda existem muito mais metáforas e respostas dentro desse filme. Feliz daquele que conseguir encontrá-las. Mas, não deixa de ser feliz aquele que as procura.


Minha nota: 8,4
IMDB:  8,1
ePipoca: 8,6

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

137 - Os Famosos e os Duendes da Morte (idem) – Brasil (2009)



Direção: Esmir Filho
Roteiro: Ismael Caneppele; Esmir Filho
O filme conta a história de uma cidade em que cada um de seus habitantes sonha em segredo. O menino sem nome conhece a garota sem pernas, que lhe mostra o mundo no qual ele embarca como alguém que nunca mais deseja voltar à realidade. Para o menino, a vida virtual é a única verdade. Mas, a garota parte para outro mundo, deixando imortalizada sua história em vídeos e fotos na internet.

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos.

Os Famosos é ousado em sua linguagem, na sua estética e na proposta de seu roteiro. É feito para amar ou odiar. Ou você não entra no clima e vai achar o filma chato, pretensioso e cansativo, ou se carrega de emoção, toma um vinho, briga com a namorada e tenta atingir um nível de angústia suficiente para penetrar no universo do filme e sentir tudo o que o protagonista sente. Porque, no final das contas, o que vai trazer sentido ao filme é compreender o que se passa dentro do personagem.

E isso, no cinema, é muito difícil. Tem que ter uma sensibilidade grande do diretor e a sorte/competência para que todos os planos filmados, todos os diálogos, contribuam para criar a atmosfera necessária para se compreender os sentimentos postos na tela. Não é tarefa fácil, e o diretor, iniciante, conseguiu.

Quem não quiser se deprimir para ver, também não tem problema, o filme consegue ser bom assim mesmo. Prende o espectador pelo mistério e pelas peças do quebra-cabeça que, aos poucos, vão se encaixando. Mas, vê-lo levemente angustiado o torna ainda melhor.


Minha nota: 8,4
IMDB:  6,8
ePipoca: 8,6

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136 - Nascidos em Bordéis (Born into Brothels: Calcutta´s Red Light Kids) – Índia (2004)


Direção: Zana Briski; Rossa Kauffman
Roteiro: Zana Briski; Rossa Kauffman
Premiado nos mais importantes festivais internacionais, o filme narra a experiência da diretora em Calcutá, quando conheceu de perto a vida dos filhos de prostitutas que trabalham na área dos bordéis da cidade.

Taí um interessante filme para se refletir sobre a ética do documentarista.

Como o próprio filme apresenta, a sua origem partiu de um projeto fracassado da diretora, a fotógrafa Zana Briski, que pretendia documentar as prostitutas de um lugar barra pesada da periferia indiana. Por seus motivos, não deu certo, mas despertou a proposta de trabalhar com as crianças, os filhos das prostitutas.

Quem quiser, pode resumir o que se segue de uma forma mais simplista, maniqueísta. Uns podem dizer que a diretora foi invasiva, se portando como alguém de fora, consciente, portador da verdade e bons costumes, que penetra indevidamente no universo do outro, pobres coitados, ignorantes e sem futuro. Outros podem elogiar tal atitude, de uma estrangeira tentar, com suas ferramentas, mudar o futuro eminente das crianças.

No entanto, acho a questão um pouco mais complexa. Tento me colocar no lugar da diretora.

Primeiro, é preciso levar em consideração o fato de que Zana não é tão outsider assim. Ela não veio com um projeto pronto, chegou, executou e foi embora. Pelo contrário, o projeto era outro e sua execução durou mais de dois anos. Ou seja, foram dois anos convivendo com seus personagens, as crianças e seus familiares. Se estabeleceram vínculos e, fatalmente, fez a diretora se chocar com uma realidade tão diferente da dela. Esse é o grande X da questão. Daí em diante, o que você faria?

Ela tentou matricular as crianças nas escolas, fez exames de HIV, ensinou um ofício para elas. Enfim, assumiu o papel da mãe. Mas, seria isso um simples gesto assistencialista? Apesar da própria montagem do filme explorar dessa forma, acredito que tais ações não foram oportunistas, mas partiram de um sentimento de alguém que se relacionou intimamente com elas. Não foi um gesto de dar esmolas, mas de pegar pela mão. O que se esperava de Zana? Não fazer nada?

No entanto, não se pode desprezar o fato de que, tudo que ela fez, foi pautado no seu “estado de choque”, a partir de sua compreensão de mundo, seus valores e cultura. Ou seja, a sua verdade. E é aí que eu acho que Zana pecou, eticamente, enquanto diretora e também como ser humano. Não se pode dar falsas promessas, ainda mais para crianças. Não se pode chegar, do conforto de seu Ocidente, ofertar um mundo de sonhos, matricular na escola e ir embora. Isso é irresponsável. Não é Zana que vai criar as crianças, botar comida na mesa. São os familiares, mesmo esses sendo prostitutas, drogados ou violentos. Então, com que permissão, Zana se atreveu a interferir em uma cultura tão diferente da sua e em uma família, da qual ela não tem nenhuma responsabilidade?

É um grande dilema para o documentarista. Até onde a sua comoção e o seu ponto de vista pode te levar? Até onde, mesmo com todas as certezas do mundo, você pode interferir? Até onde você deve segurar seu choro e apenas documentar?

Por dias fiquei pensando naquelas crianças, em como elas estariam hoje. Procurei bastante na internet, mas não encontrei nada. Penso em como a experiência com o filme alterou a vida delas. Cresceram frustradas, com sonhos impossíveis de se realizar, o que torna a vida ainda mais dolorosa, em relação aos que não sonham? Seguiram outro caminho, a partir do novo mundo que lhes apresentaram? Terminaram a escola? Isso fez diferença? Se tornaram pessoas mais felizes ou infelizes? Gostaria de ir para a Índia só para conversar com eles e descobrir o que eles pensam a respeito e qual o efeito do filme em suas vidas, nas suas famílias e no seu íntimo.


Minha nota: 7,5
IMDB:  7,7
ePipoca: 6,5

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

135 - O que terá acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?) – EUA (1962)



Direção: Robert Aldrich
Roteiro: Henry Farrell; Lukas Heller
Clássico do suspense, que conta a história de uma atriz veterana, famosa somente na infância, que estabelece uma relação psicótica com a irmão, estrela do cinema nos anos 1930 e que ficou paralítica depois de um misterioso acidente.

Um bom suspense psicológico, daqueles que não dão sustos, mas mantêm o grau de tensão elevado.

A atuação da atriz Bette Davis é simplesmente brilhante, capaz de transmitir toda a infantil insanidade de sua personagem.

Baby Jane não teria muito espaço no cinema atual, cujos filmes de horror e suspense dependem de sangue, tortura macabra e morte para fazer sucesso. Baby Jane tem pouco ou quase nada disso. Exceto por seu tipo de tortura, que angustia o espectador não por ser feita por um rapaz mascarado com um machado na mão, ou um velho com uma motosserra, mas por ser feita por alguém e de uma determinada forma, que pode ser o seu próprio vizinho. Isso, talvez, seja o fator mais tenso do filme: a sua aproximação com a realidade.

Se as vizinhas de Baby Jane não assistiram o filme, morreram sem saber que na casa ao lado algo diabólico estava acontecendo diariamente. Elas entram e saem do filme sem alterar em nada o percurso da história. Como a gente, que segue nossa rotina sem nem desconfiar que o nosso vizinho possa estar sofrendo nas mãos de quem a gente nem imagina.



Minha nota: 7,5
IMDB:  8,0
ePipoca: 9,1

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134 - O Jardim (Záhrada) – Eslováquia (1995)



Direção: Martin Sulík
Roteiro: Martin Sulík
Jakub é expulso de casa pelo pai e vai morar em uma casa abandonada, no campo. Mas, pessoas estranhas passam a visitá-lo, numa fábula que vai ajudar Jakub a dar mais sentido à sua vida.

Záhrada é um daqueles filmes que viram tudo de cabeça para baixo. Que provocam um delay no cérebro do espectador. Ao final da última cena você continua olhando para a tela, tentando entender o que se passou. Os créditos já estão acabando e você continua olhando para a tela, quase começando a entender o significado da última cena.

Se passam alguns dias e as coisas parecem fazer mais sentido.

No final de tudo, é a mesma retórica da vida, sendo tratada por uma perspectiva diferente -com mais otimismo e sensibilidade para perceber e se envolver com as coisas que vem e vão nas nossas vidas. As coisas cujo sentido é desconhecido, mas que faz dar sentido a nós mesmos. As coisas que parecem surreais, mas aos poucos vamos nos adaptando e sendo transportados por essa realidade paralela que nos segue. Basta dar um passo até ela. Ou permitir que ela venha até você.

Com Raul já bem disse: “acabei de dar um check up geral na situação, o que me levou a reler Alice no País das Maravilhas”. Záhrada é mais ou menos por aí.


Minha nota: 7,8
IMDB:  7,9
ePipoca: -

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

133 - Tulpan (Tulpan) – Cazaquistão (2008)



Direção: Sergei Dvortsevoy
Roteiro: Sergei Dvortsevoy; Gennadi Ostrovsky
Depois de concluir o serviço militar, o jovem Asa volta para as estepes do Cazaquistão, onde a irmã e o cunhado  vivem como nômades. Para iniciar uma nova vide, Asa precisa primeiro se casar. A única alternativa do rapaz naquele deserto é Tulpan.

Tudo em Tulpan parece haver um pacto entre ficção e realidade. O parto da ovelha, os redemoinhos, as crianças. É como se houvesse um acordo entre diretor e natureza, para que ela agisse na hora certa.

Já nos créditos deu para entender um pouco a origem dessa sensação. Alguns nomes de personagens eram iguais aos seus nomes verdadeiros, o que já indica uma tentativa de dar mais naturalidade a tais personagens, a partir da proposta de interpretarem eles mesmos e não outros personagens criados pela cabeça do diretor. Isso justifica a forte carga de naturalidade presenciada no íntimo da família, sobretudo pelas crianças.

No entanto, pesquisando um pouco sobre o filme, descobri que o ele se originou a partir de uma experiência casual do diretor, que era engenheiro de bordo e sobrevoava as terras cazaques. Dessa vivência, ele partiu para o documentário e, em seguida, para a ficção. Explicado, portanto, o porquê do filme ser tão documental, apesar de ser uma precisa ficção.

Talvez um documentário não conseguisse captar tamanha sensibilidade e honestidade retratada a partir das vidas, desejos, angústia e desafios dos personagens.


Minha nota: 7,4
IMDB:  7,0
ePipoca: 3,7

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132 - Pixote – a lei do mais fraco (idem) – Brasil (1980)


Direção: Hector Babenco
Roteiro: Hector Babenco; Jorge Durán; José Louzeiro
Pixote, um menino de rua, é recolhido a um reformatório em São Paulo, de onde consegue fugir durante uma rebelião. O grupo fugitivo vive de pequenos assaltos e viaja para o Rio de Janeiro, onde continua a luta pela sobrevivência no submundo.

Pixote é, sobretudo, um filme forte. Se em pleno 2012 muita gente se chocaria com as cenas de nudez, sexo e violência protagonizadas pelas crianças, imagine no comecinho da década de 1980. Tiro o meu chapéu para Hector Babenco, por sua ousadia e, ao mesmo tempo, habilidade em tornar as cenas naturais, quase poéticas, sem exageros ou gratuidades.

Por sua forma e conteúdo, é que o filme se tornou referência na filmografia brasileira.

Sociologicamente falando, Pixote continua tão atual quanto antigamente. Não mudou muita coisa, exceto a proporção. Mais Pixotes nas ruas, mais superlotação nos presídios, mais chacinas, e por aí vai...

Pixote morreu e a lei continua sendo a do mais fraco.


Minha nota: 7,7
IMDB:  7,9
ePipoca: 9,3

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terça-feira, 26 de junho de 2012

131 - A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo) – EUA (1985)



Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
"A Rosa Púrpura do Cairo" é o nome do filme que uma mulher assiste repetidamente no cinema para esquecer-se dos problemas, incluindo o marido beberrão. Certo dia o personagem do filme começa a conversar com a assídua espectadora e resolve, então, sair da tela.

Um clássico de Woody Allen, com o seu tradicional existencialismo, ironia e, sobretudo, metalinguagem.

Diz o Google, que o diretor afirmou que A Rosa Púrpura foi o seu melhor filme. Então, se o próprio Woody Allen falou isso, é porque vale à pena assistir.


Minha nota: 7,6
IMDB:  7,7
ePipoca: 8,1

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130 - Amores Expressos (Chung Hing Sam Lam) – China (1994)



Direção: Kar Wai Wong
Roteiro: Kar Wai Wong
Dois policiais, duas mulheres solitárias, duas estórias sobre amor, nas suas mais estranhas e variadas manifestações.

Depois de Um Conto Chinês, um filme chinês. E que filme!

Amores Expressos é bastante original ao contar uma história banal: o amor. A excentricidade dos personagens e a curiosidade do acaso revelam que a vida pode ser especial nos pequenos detalhes e nas grandes escolhas.

As coisas vêm e vão. Sempre estamos diante de situações que podem mudas as nossas vidas. Para algumas, temos o poder da escolha. Para outras, o acaso. E, para tudo, podemos fazer de um jeito melhor, criativo, artesanal.

Amores Expressos faz ter reações semelhantes às que se tem após ver Amelie Poulain. Vontade de arrumar a casa e trocar as coisas de lugar. Vontade de fazer um pouquinho diferente aquilo que fazemos todos os dias. De dar um encanto a mais às nossas vidas, a nós mesmos e aos que estão ao nosso redor. E tudo isso ao som de California Dreamin, é claro!

Minha nota: 8,6
IMDB:  8,0
ePipoca: 7,7

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Torrent + Legenda (rapidshare)
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

129 - Um Conto Chinês (Um Cuento Chino) – Argentina (2011)



Direção: Sebástian Borensztein
Roteiro: Sebástian Borensztein
Roberto tornou-se um velho rabugento que prefere não sair de casa. Seu único contanto com o mundo é por meio da casa de ferragens da qual é dono. Sua vida vai mudar completamente quando se vê forçado a cuidar de um chinês que foi jogado de um táxi nas ruas de Buenos Aires e não fala um palavra em espanhol.

No final de 2007 uma vaca caiu do céu e afundou um barco japonês.

Se considerarmos a população japonesa de 128 milhões de pessoas e 4,29 milhões de bovinos, a chance de um deles cair na sua cabeça, no Japão, é de 3,3%.

Já na Argentina, cuja população é de aproximadamente 40 milhões, estima-se que vivam 120 mil chineses. Portanto, a chance de um chinês parar na sua casa, na Argentina, é de 0,3%.

Ou seja, é mais fácil cair uma vaca japonesa na sua cabeça, do que você encontrar um chinês perdido nas ruas argentinas.

O que essa estatística furada quer nos dizer? Nada!

Mas o que Um Conto Chinês certamente nos diz, é que coisas absurdas podem acontecer o tempo todo, para o bem e para o mal, dependendo do ponto de vista, e mudar a sua vida.

Às vezes estamos no auge da nossa felicidade, e uma vaca cai na nossa cabeça. Ou estamos afundando na solidão e, quem diria, aparece um chinês. Essa é a graça da vida. Sem chineses e vacas, as coisas perderiam o seu encanto.

E quem já assistiu Magnólia, não tem como não se lembrar do mergulhador que foi pego pelo tanque do helicóptero de bombeiro e arremessado para apagar um incêndio florestal; e da mãe que atirou no pai, errou o alvo e acabou acertando o próprio filho, que passava pela janela, após se jogar do teto, em uma tentativa de suicídio. E, para lembrar, o que provocou uma mudança no destino dos personagens foi uma chuva de sapos.

Como se pode perceber - na história do cinema e na vida real - é que sapos e vacas caindo nas nossas cabeças, às vezes são fundamentais para mudarmos o rumo de nossas vidas. Quer a gente queira, quer não.


Minha nota: 7,8
IMDB:  7,2
ePipoca: 9,7

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Além do torrent do filme com sua respectiva legenda, disponibilizo, também, o arquivo direto do filme, com a legenda embutida. Legenda essa, elaborada por Django, um frequentador assíduo do blog, colaborador voluntário e amante da língua portuguesa. Ou seja, sua tradução é bastante confiável. Ficam, portanto, as duas opções de download e os meus agradecimentos à Django.

Download:

128 - O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde) – Estados Unidos (1931)


Direção: Rouben Mamoulian
Roteiro: Robert L. Stevenson; Samuel Hoffenstein; Percy Heath
Um renomado médico decide fazer experiências com o objetivo de revelar as personalidades contidas no indivíduo.

Uma história clássica da literatura mundial, sendo muito bem representada no cinema.

Vale muito à pena dar uma lida nesse artigo da revista Bravo!.

E, depois de ver o filme, pensar: como seria o nosso lado “monstro”? 


Minha nota: 7,4
IMDB:  7,7
ePipoca: 5,0

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

127 - O Discurso do Rei (The King´s Speech) – Inglaterra (2010)


Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Considerado incapaz de governar por conta de uma gagueira nervosa, um jovem rei desesperado precisa reencontrar sua voz e levar o país à guerra contra os alemães.

Tirando o fato dos personagens serem caricaturais e, provavelmente, bem diferentes dos reais, o filme é interessante.

Em vez de narrar a história documental do rei George VI, o diretor pegou o gancho em uma curiosidade da vida do monarca: sua gagueira. É ela que vai trazer graça e leveza ao filme, enquanto alguns elementos históricos são pincelados ao fundo.

As atuações de Colin Firth e Geoffrey Rush também são impecáveis!


Minha nota: 7,5
IMDB:  8,2
ePipoca: 7,3

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

126 - 33 (33) – Brasil (2002)



Direção: Kiko Goifman
Roteiro: Kiko Goifman; Cláudia Prisicilla
Aos 33 anos, Kiko Goifman decide procurar a sua mãe adotiva.

Uma boa experiência documental de Kiko Goifman, se valendo de artifícios ficcionais para construir um filme noir, de drama e suspense, sobre a sua busca pela sua mãe biológica.

33 é um daqueles filmes que expandem as possibilidades de se fazer documentário, revelando o quanto esse gênero é rico e surpreendente.

Uma das coisas que me chamaram a atenção foi a relação estabelecida entre ele e os detetives. Na trama, isso não é tão importante, mas para mim trouxe alguns questionamentos. Primeiro, ele apresenta a fala de dois detetives que, consultados por Kiko, apresentam suas metodologias e sugestões. Em seguida, o diretor, através de sua narração, despreza de uma forma até agressiva tudo o que foi dito pelos detetives. Isso me fez refletir sobre os princípios éticos do documentário. Será que é justo usar os indivíduos para as suas filmagens e, em seguida, desmerecê-los? Ou o diretor não pode ser diplomático, nem complacente com os seus personagens?

Enfim, isso é só um detalhe do filme. Como um todo, ele traz muitas outras questões e possibilidades. Um bom experimento documental.


Minha nota: 7,5
IMDB:  5,7
ePipoca: 4,7

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125 - Temporada de Patos (Duck Season) – México (2004)



Direção: Fernando Eimbcke
Roteiro: Fernando Eimbcke; Paula Markovitch
Flama e Moko são dois garotos de 14 anos que vivem na Cidade do México. A dupla tem tudo para enfrentar mais um entediante domingo: um apartamento vazio, videogame, revistas de pornografia, refrigerante e pizzas. Porém, o entregador de pizzas e a jovem vizinha acabam por desabrochar conflitos e experiências pessoais marcantes.

Temporada de Patos parece ter sido feito por um estudante universitário, como atividade de classe. Não que isso seja um demérito. É que o filme é um verdadeiro exercício estético, experimental e visivelmente feito com poucos recursos.

No entanto, ele sofre um pouquinho com a falta de ritmo. Começa muito bem, graças à versão em espanhol da música “O Pato”, do baiano João Gilberto. Depois, fica entediante. Até que as coisas começam a acontecer e o filme melhora. Depois volta a passar arrastado, até que, no final, volta a ser interessante.

O filme consegue representar, com pequenos gestos, diálogos e cenas, experiências comuns de vida e retratos do homem contemporâneo. Com um pouco de paciência, vale à pena assisti-lo.


Minha nota: 7,2
IMDB:  7,1
ePipoca: 5,2

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terça-feira, 19 de junho de 2012

124 - Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love) – Estados Unidos (19989)



Direção: John Madden
Roteiro: Marc Norman; Tom Stoppard
Shakespeare sofre um bloqueio que o impede de escrever sua mais nova peça, uma história de amor trágica. Tudo muda quando ele se apaixona por Lady Viola e passa a utilizar suas tentativas de seduzi-la como inspiração.

Shakespeare merecia um filme melhor.

Para quem quiser mergulhar no universo do autor, a partir de uma roupagem contemporânea, eu sugiro a leitura da coleção “Devorando Shakespeare”, da editora Objetiva.

Tem o livro “A Décima Segunda Noite”, por Luis Fernando Veríssimo, que é bom; “Sonho de uma Noite de Verão”, por Adriana Falcão, que eu ainda não li; e “Trabalhos de Amor Perdido” que é brilhante, e escrito por Jorge Furtado, um especialista em Shakespeare.

Os livros podem ser comprados aqui, aqui e aqui.


Minha nota: 6,8
IMDB:  7,3
ePipoca: 8,5

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123 - Trotsky (The Trotsky) – Canadá (2009)


Direção: Jacob Tierney
Roteiro: Jacob Tierney
O mal estar da juventude é tédio ou apatia? Com esta questão, e com uma apologia à revolucionários comunistas, The Trotsky mostra uma geração que busca colocar suas ideias no lugar.

Tédio ou apatia?

O filme retrata, de forma bem humorada, uma juventude pouco participativa em sua sociedade. Tema esse, pertinente nesse nosso mundo pós-moderno, onde há pouca mobilização, interesse e, principalmente, um objetivo claro, um projeto social definido.

No filme, o protagonista se considera a reencarnação de Trotsky. Munido de ideais arcaicos (da década de 20, do século passado), ele é capaz de sacudir uma escola pública. Sua ingenuidade é risível, beirando a uma loucura juvenil.

Apesar de o filme ser banal, o seu próprio tema permite pôr algumas questões em debate e causar reflexões. Um prato cheio para professores de história usarem em suas aulas.

Minha nota: 7,3
IMDB:  6,8
ePipoca: -

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* O filme é em dual audio, portanto tem a possibilidade de ver dublado ou original, basta selecionar no programa em que você verá o vídeo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

122 - Crônica de um Verão (Chronique d´un été) – França (1961)



Direção: Edgar Morin; Jean Rouch
Roteiro: Edgar Morin; Jean Rouch
Durante o verão de 1960, o sociólogo Edgar Morin e Jean Rouch pesquisam sobre a vida cotidiana dos jovens parisienses para tentar compreender sua concepção de felicidade, ao redor da questão inicial: "Como você vive? Você é feliz?"

Inaugurador do Cinema Verdade, esse filme é obrigatório para quem pretende estudar a história do documentário e tecer análises mais embasadas sobre esse gênero.

Os mistérios e potencialidades da linguagem documental ainda são experimentadas por diversos cineastas ainda hoje – vide Eduardo Coutinho. Mas é com Vertov e na corrente inaugurada por Jean Rouch e Edgar Morin que os debates se acentuam.

Se o documentário pode ser considerado contraditório por natureza, isso é simbolizado pelo próprio nome da corrente: “verdade”. A complexidade está justamente no fato de os cineastas questionarem o alcance da verdade pelo próprio documentário. Não que se negue essa verdade, mas ela é relativizada. Portanto, seria no mínimo pretensioso e falho afirmar que o cinema que eles faziam era “o” verdadeiro.

Não se alcança “a” verdade no documentário, pois existem diversas verdades, que, inclusive, nascem ou se transformam diante da câmera, o que não necessariamente significa dizer que ela se falsifica, se forja. É aí que consiste o grande mistério (e dilema dos diretores) do documentário - e, por que não dizer, da vida.

Crônica de um Verão é atual, pelo conteúdo tratado e pelo exercício da linguagem cinematográfica. Um clássico. Fundamental para qualquer documentarista ou para espectadores que pretendem aguçar o seu senso crítico diante da “realidade” exibida pela tela ou pela própria vida.

* Infelizmente, a tradução do filme não é das melhores, mas nada que impeça de vê-lo.


Minha nota: 7,8
IMDB:  7,6
ePipoca: -

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