domingo, 30 de setembro de 2012

233 - Os Boas-Vidas (I Vitelloni) – Itália (1953)


Direção: Frederico Fellini
Roteiro: Frederico Fellini; Ennio Flajano; Tullio Pinelli
Numa pequena cidade da Itália, cinco jovens amigos são típicos ''vitelloni'' (inúteis): vivem uma vida boêmia repleta de bebidas e mulheres. Sem perspectivas, cada um deles encontra um modo de escapar da monotonia da vida provinciana. Considerado o primeiro grande filme dirigido por Fellini.

Um filme simples, sem os rebuscamentos e impressão estética típicas de Fellini. A força da imagem é pouco explorada, permitindo que o enredo ganhe destaque.
E a história vale o filme.
Os “boas vidas” são um grupo de jovens (nem tão jovens assim, lá pelos 30 anos) que faz da vadiagem um estilo de vida. Vagar pelas ruas, sem se submeter a um trabalho entediante, se divertir com os amigos, mulheres e bebidas, e deixar que a alegria não dê espaço para preocupações são os mandamentos principais desse grupo.
No entanto, essa vida “perfeita” está sempre sujeita às fatalidades que surgem no meio do caminho. Aos poucos, o destino vai empurrando necessidades no colo dos “boas vidas”, que passam a ter que se adequar a um novo modo de vida, ainda que as responsabilidades tragam consigo uma certa angústia.
Os Boas Vidas é mais uma obra de grande respeito na filmografia de Fellini. Há quem diga que ele é autobiográfico. No entanto, mesmo sendo verdade ou mentira, o fato é que essa história está presente na biografia de qualquer um. Quem já passou pela fase de, aos poucos, ir largando uma vida de irresponsabilidades, despreocupações e imaturidade, e trocou tudo isso por contas a pagar e um emprego, certamente já experimentou as sensações que os boas vidas sentiram, enquanto passavam por suas transformações. Todos nós algum dia já fomos “boas vidas” e, inegavelmente, era muito bom.


Minha nota: 7,7
IMDB:  7,9
ePipoca: 6,8


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sábado, 29 de setembro de 2012

232 - Chicago (idem) – Estados Unidos (2002)



Direção: Rob Marshall
Roteiro: Maurine Watkins; Bob Fosse; Fred Ebb; Bill Condon
Aspirante a cantora de cabaré em Chicago mata amante em crime passional. Na cadeia, contrata advogado sem caráter e conhece outra vedete criminosa, com quem disputa atenção da mídia.

Para quem gosta de um musical moderno, bem produzido e com uma história interessante, Chicago é recomendável.
Para quem não gosta, é um filme palatável.


Minha nota: 6,6
IMDB:  7,1
ePipoca: 9,1


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231 - O Cangaceiro (idem) – Brasil (1953)



Direção: Lima Barreto
Roteiro: Lima Barreto; Rachel de Queiroz
O bando de cangaceiros do Capitão Galdino semeia o terror pela caatinga nordestina. A professora Maria Clódia, raptada durante um assalto do grupo, apaixona-se pelo pacífico Teodoro. O amor entre os dois provoca desavenças no bando.

Um dos maiores clássicos da filmografia nacional. Um “case de sucesso” do mercado cinematográfico brasileiro, em suas investidas no exterior. O Cangaceiro é um dos filmes mais conhecidos lá fora, já tendo passeado por festivais importantes, como Cannes, e ficado em cartaz, por anos, nas salas européias.
O filme de Lima Barreto traz uma estética mais original, em relação ao que tínhamos no País, apesar de nem tanto, sem compararmos com o que Hollywood já fazia. É a representação de algo genuinamente brasileiro, os cangaceiros, com uma estética cinematográfica mais próxima do bang-bang estadunidense. É, portanto, o nosso “nordestern”.
Os cangaceiros que vemos na tela não são os mesmos que os de Glauber, por exemplo. Não carregam consigo um peso político e crítica social, típicos nas obras do cineasta baiano. No filme de Lima, a representação tende para questões pessoais, como o romance, o amor e os valores de vingança e honra. A narrativa também pende mais para a aventura do que para o drama social, traz uma caracterização mais particular aos nossos “faroestes” do sertão.


Minha Nota: 7,2
IMDB: 6,9
ePipoca: 7,0


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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

230 - O Ódio (La Haine) – França (1995)



Direção: Mathieu Kassovitz
Roteiro: Mathieu Kassovitz

A história de Vinz, Hubert e Said, três imigrantes tentando sobreviver numa Paris banhada pelo sangue dos conflitos raciais. O filme acompanha os três no dia que se segue a um violento embate entre policiais e imigrantes. Prêmio de melhor direção em Cannes.

O filme mostra um dia de três jovens imigrantes, moradores de um bairro periférico de Paris. Segregados do “lado A” parisiense, eles vagam pela rua, cometendo pequenos delitos que, de certa forma, lhe fazem gozar de alguns privilégios que não possuem: roubam um carro para voltar para casa, levam o cartão de crédito de um homem distraído, entram em uma galeria para comer e beber de graça, vendem um baseado para conseguir grana.
Os três personagens possuem perfis comuns: têm a imaturidade de um jovem e uma agressividade no comportamento, embora uns tenham mais e outros menos tais características. E, assim como eles, a periferia vive em um clima tenso com a polícia. Eles dominam os espaços sem respeitar o policiamento que está lá “para cumprir as leis”. E ai do policial que queira usar da violência para manter a ordem, pois isso resultaria em uma reação ainda mais violenta dos civis e a periferia explodiria.
O clima de um confronto eminente é tratado, no filme, de forma comparativa com uma piada: um homem se joga do quadragésimo andar; no meio da queda ele se arrepende, mas, para se conformar diz para si mesmo, a cada andar que ele passa: até aqui tá tudo bem, até aqui tá tudo bem, até aqui tá tudo bem. O problema, no entanto, não é a queda, mas a aterrissagem.
Recentemente a França “ganhou” mais alguns andares de queda, evitando assim, uma aterrissagem fatal. O povo francês, ao eleger François Hollande e rejeitar Sarkozy e Marine Le Pen, deu mais uma chance à política de imigração. Os dois últimos são defensores de políticas rigorosas para reduzir a entrada de imigrantes e possuem um discurso xenofóbico, que estigmatiza e até interfere na liberdade individual dos cidadãos que possuem uma cultura não-francesa.
Durante o processo eleitoral, um dos assessores de Sarkozy chegou a dizer: “Se construímos a Europa foi para nos proteger, não para deixar que nossa identidade e nossa civilização fossem destruídas”.
Bem, para discutir essa lógica é preciso recorrer a duas coisinhas básicas, que qualquer adolescente já teve em suas mãos: um livro de história e um jogo de tabuleiro War.


Eis que lá por volta de 1800 e algumas décadas, os líderes políticos europeus, da França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, etc. se sentaram em uma mesa, escolheram os seus peões, retiraram suas cartas e lançaram seus dados. O objetivo que caiu para a França foi: invadir a África e conquistar matérias-primas para abastecer a sua produção industrial, novos mercados para consumir seus excedente, e territórios para desafogar seu crescimento populacional.
Resultado: França 3x2 Argélia, 3x0 Tunísia, 3x1 África Ocidental, 3x1 África Equatorial, 3x0 Somália, 3x0 Madagascar. Objetivo conquistado!
Nem precisa dizer os efeitos que a partilha européia na África causou, já que até hoje vemos um continente miserável, enfraquecido e sob efeitos de guerras civis. Mas, para resumir o que foi feito, se utilizando das palavras do assessor de Sarkozy, a França destruiu “a identidade e a civilização” de países e etnias africanas.
E, ao longo dos séculos que se sucederam, o continente acabou, inevitavelmente, expulsando seus filhos, que partiram para a Europa. Não para reconquistar territórios. Mas, para lavar pratos, jogar futebol, varrer ruas, enfim, sobreviver – até porque, manter-se vivo já seria uma conquista.
E, pode-se dizer que quando o primeiro francês invadiu a África, e, depois, a Europa invadiu países do Oriente Médio, o homem se jogou do quadragésimo andar e, desde então, vem caindo. Mas, até aqui tá bom.
Como O Ódio já previa 10 anos antes, em 2005 veio a aterrissagem. Após uma perseguição banal feita por policiais, atrás de jovens imigrantes da periferia parisiense, dois deles morreram acidentalmente. Pronto, foi o que precisava para o caldeirão transbordar. Clichy-Sous-Bois explodiu e Paris viveu dias de intensos confrontos entre a polícia e seus moradores.
O Ódio, portanto, não poderia ser tão profético!
...
Vídeos altamente recomendados:
Uma visita deRegina Casé à Clichy-Sous-Bois.
E o documentário feito por um morador, durante os conflitos de 2005 e anos que se sucederam: 365 jours a Clichy-Montfermeil (áudio em francês, sem legenda) – parte 1 / parte 2 / parte 3.


Minha Nota: 8,4
IMDB: 8,1
ePipoca: 5,3

Sugestão: Faça a coisa certa

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

229 - A História Oficial (La Historia Oficial) – Argentina (1985)



Direção: Luis Puenzo
Roteiro: Luis Puenzo; Aída Bortnik
Na Buenos Aires em tempos de abertura política, professora de História começa a se dar conta da violência da ditadura militar em seu país. O seu drama se complica quando passa a desconfiar que Gabi, a menina que adotou, pode ser a filha de uma desaparecida dos tempos de opressão militar.

Estima-se que quase 10 mil pessoas morreram durante a Ditadura Militar na Argentina.
Cerca de 30 mil é o número de desaparecidos.
Em princípio, existem duas possibilidades sobre o paradeiro dos desaparecidos. A primeira e mais provável, é que estão mortos, com seus restos mortais possivelmente jamais encontrados. A outra chance, é que estejam vivos, mas com uma nova identidade, pois foram roubados de seus pais ainda bebês e entregues para outras famílias cuidarem, inclusive parentes de militares, cuja matriarca da família era estéril.
E é justamente um desses bebês que é representada em A História Oficial.
O filme traz um retrato bastante amplo sobre esse período político dos nossos hermanos. Cada personagem representa um segmento. Têm os estudantes questionadores da educação e da imprensa que apresentam uma versão parcial dos fatos históricos; um general elitista, insensível aos problemas dos indivíduos ao seu redor, a tal ponto de desumanizá-los; uma jovem de volta ao País, após ter que fugir das torturas físicas e psicológicas que passou; um padre que silencia e diz amém para as ações dos militares; uma criança que não tem nada a ver com isso; uma mãe adotiva, que no berço de seu elitismo se aliena em relação às coisas que acontecem ao seu redor; e uma avó desesperada, em busca do paradeiro de sua filha e de sua neta.
A História Oficial retrata a visão, comportamento e dores dos que tiveram suas opiniões políticas silenciadas pela tortura e pelo assassinato. E que ainda deixam marcas ainda hoje, sobretudo para aqueles pais e avós que ainda não encontraram seus filhos e netos e que, provavelmente, sabem lá no fundo, que talvez nunca encontrarão.


Minha Nota: 8,1
IMDB: 7,7
ePipoca: 6,6

Sugestão: Machuca

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

228 - Entre segredos e mentiras (All good things) – Estados Unidos (2010)



Direção: Andrew Jarecki
Roteiro: Marcus Hinchev; Marc Smerling
Ambientado nos anos de 1980, a história fala de um rico rapaz de Nova York que se apaixona por uma garota fora de seu círculo social. Mas o conto de fadas acaba quando a jovem simplesmente desaparece, sem deixar pistas aparentes. É quando surge um detetive disposto a descobrir o que de fato ocorreu, tendo em vista que todos aqueles envolvidos no caso acabaram morrendo.

Uma história interessante, mas que talvez ficasse melhor se tivesse sido um documentário. Filme fraquinho...


Minha Nota: 6,6
IMDB: 6,3
ePipoca: 5,3


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terça-feira, 25 de setembro de 2012

227 - Italiano para principiantes (Italiensk for begyndere) – Dinamarca (2000)



Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Lone Scherfig
Sete pessoas solitárias se encontram em um curso para principiantes de italiano. No local, romances e amor mexem com suas vidas.

Italiano para principiantes é mais uma ótima produção do Dogma 95.
Apesar de eu não ser fã do movimento, nem achar lá grandes coisas as regras instituídas para a sua produção, reconheço que os filmes produzidos costumam ser bons.
No caso do filme de Lone Sherfig, o que mais tem de original é o bom humor, em alguns momentos até clichê, algo pouco comum nos dramas pesados do Dogma 95. Mas, antes que alguém caia na armadilha da maioria das classificações feitas ao filme, que lhe encaixa no gênero de “comédia”, é importante ressaltar que mesmo divertido, a obra é carregada de drama. São diversos os conflitos pessoais e familiares que intranqüilizam a vida de todos os personagens.
Alguns fatos são extremamente relativizados, sobretudo porque servem para o bem e para o mal. A morte, por exemplo, traz uma dor constante aos pastores, mas, ao mesmo tempo, tira uma peso das irmãs que viviam oprimidas e angustiadas pela decadência física e comportamental de seus pais. Já o sexo, é um tormento para o personagem que é impotente e, no entanto, é a solução para a cabeleireira e o estressadinho.
Ainda com todos esses dramas, problemas e soluções, os personagens vão se desemaranhando e, aos poucos, construindo o seus pares, resultando em um final leve, clichê, e con un bellissimo paesaggio italiano, per le strade di Venezia.


Minha Nota: 7,9
IMDB: 7,1
ePipoca: 3,8


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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

226 - O mundo é grande e a salvação espreita ao virar a esquina (Svetat a Golyam I Spasenie Debne Otvsyakade) – Bulgária (2008)



Direção: Stephan Komandarev
Roteiro: Dusan Milic; Ilija Trojanow; Stephan Komandarev; Yurii Dachev
Depois de um acidente de carro, Alex sequer se lembra de seu nome. Numa tentativa de curar essa amnésia, Bai Dan - avô de Alex - chega a Alemanha e organiza uma viagem espiritual ao passado do neto. A idéia é voltar ao país de origem do rapaz, cruzando a Europa por diversos lugares. Durante a viagem eles jogam gamão. É a partir desse jogo que Alex vai tentar descobrir quem ele é.

Mais uma grata surpresa do Leste Europeu.
O Mundo é grande... também se vale das marcas da guerra civil, ao fundo, para tratar de dramas pessoais pós-guerra, mas de uma forma cônica, capaz de emocionar ao mesmo tempo que tira um sorriso do espectador.
A relação entre o avô que tenta conquistar seu neto e fazê-lo recuperar a memória após ele sofrer um grave acidente, traz uma beleza singela ao filme. E ainda, de brinde, o espectador faz uma viagem pelas estradas que partem da Alemanha em direção à Bulgária.
Belas paisagens e bela história!


Minha Nota: 7,7
IMDB: 7,9
ePipoca: -

Sugestão: Bal-Can-Can

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sábado, 22 de setembro de 2012

225 - Nu (Naked) – Inglaterra (1993)



Direção: Mike Leigh
Roteiro: Mike Leigh
Johnny é frio, cínico e imoral - mas simultaneamente interessado e apaixonado. Retórico retorcido, ele põe sistematicamente a nu as contradições do pensamento, traz ao de cima as falsas aparências da felicidade, faz nascer na dor a profunda miséria e a real angústia dos homens que construiram para si próprios filosofias de pacotilha e paraísos de fingimento nos quais fingem acreditar.

Recorrendo a personagens insanos, Nu retrata uma sociedade cada vez mais vazia e... insana! O personagem principal, Johny, percorre o submundo londrino passando por situações inusitadas, amplificadas por personagens decadentes e loucos. É uma espécie de Alice, só que no país das desgraças.
Johny, igualmente louco e decadente, tem uma certa áurea angelical. Não um anjo bonzinho e com asas, mas uma espécie de ser que possui uma ligação cósmica com o abstrato e o pós-mundo. Por diversas vezes ele questiona sobre o provável fim de mundo que, segundo ele, já estaria marcado para ocorrer em 1999. Como um anjo, ele espia a humanidade, como se estivesse além dela, tocando-a, mas sem ser afetado por ela. E aos que ele encontra pelo caminho, oferece muito mais desprezo do que redenção. Os empurra ainda mais para baixo, ao invés de dar a mão. E, curiosamente, tal atitude gera um efeito positivo na vida das pessoas que, inevitavelmente, são obrigadas a reagir. A reação contraposta à apatia de suas vidas e que lhes permitir refletir sobre si e sair da estagnação, por mais dolorosa e desafiadora que seja essa situação.
 Nu é um filme indigesto. A narrativa insana e algumas seqüencias violentas (o filme já começa com um estupro) podem afastar boa parte dos espectadores. No entanto, quem assiste atentamente até o fim ou, ao menos, acompanha a discussão existencial entre Johny e o segurança (seqüencia que vale o filme) certamente sofrerá algum tipo de impacto, pois dificilmente é possível passar batido por todo o turbilhão filosófico que o filme nos coloca.


Minha Nota: 7,7
IMDB: 7,9
ePipoca: -


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Torrent + Legenda (zippyshare)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

224 - A Aventura (L´avventura) – Itália (1960)



Direção: Michelangelo Antonioni
Roteiro: Michelangelo Antonioni; Elio Bartolini; Tonino Guerra
Um grupo de amigos ricos está em um cruzeiro, quando uma das integrantes desaparece misteriosamente. Enquanto seu namorado e sua melhor amiga a procuram pela, eles começam a ter um caso. Filme que abre a trilogia da incomunicabilidade.

A Aventura, um dos filmes mais consagrados de Antonioni, traça um perfil da burguesia italiana.
Tudo se dá a partir do desaparecimento da personagem Anna, que durante um passeio com casais de namorados, simplesmente some. Não se sabe se ela se acidentou ou aprontou alguma peça para chamar a atenção dos amigos.
Mas, durante o desenrolar do filme, descobrir o que aconteceu com ela pouco vai importando.
O que Antonioni traz de relevante é a reação dos personagens que a acompanhavam durante o passeio na ilha. Desespero? Aflição? Esforços? Que nada! O que se tem é a indiferença, como se o desaparecimento de uma pessoa aparentemente querida pouco importasse. O que realmente importa são as conversas banais, as festas, o sexo.
Anna, coitada, poderia estar precisando de seus amigos, mas eles não estavam nem aí.
É com essa representação, até improvável, que o diretor pincela os valores da burguesia de seu tempo: fútil, mesquinha, insensível, entediada e apática.


Minha Nota: 7,2
IMDB: 7,9
ePipoca: 6,0

Sugestão: Procurando Elly

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

223 - A opinião pública (idem) – Brasil (1967)



Direção: Arnaldo Jabor
Roteiro: Arnaldo Jabor; Carlos Drummond de Andrade
Esse documentário faz um mergulho na vida das pessoas da classe média do Rio de Janeiro.

Antes de se tornar um reacionário, com um discurso elitista financiado pelos grandes setores conservadores do País, Arnaldo Jabor já andou com uma turma progressista, do Cinema Novo. Em A Opinião Pública, o diretor já anuncia que o filme faz parte desse movimento. E, de fato, traz uma proposta estética para o documentário pouco comum no Brasil, além de uma abordagem que em muito se aproxima com o Cinema Verdade europeu.
Com o filme, Jabor busca um retrato da sociedade carioca, sobretudo sua classe média. São representadas pessoas, famílias, profissionais, registrados em seu cotidiano e respondendo questionamentos sobre suas vidas, empregos e existencialismo.
Intercala-se com os depoimentos dos entrevistados, uma voz narrativa extremamente provocadora. O texto, bem ao bom estilo de Jabor (sim, seu texto continua de uma qualidade ímpar ainda hoje), julga a classe média urbana como um setor da sociedade acomodado e omisso em relação à política, e fadado a um futuro existencialmente pobre, devido à opressão de uma máquina que cria uma legião de trabalhadores frustrados e mecânicos, que se submetem a um enquadramento profissional e social a fim de garantir sua sobrevivência, mas em detrimento de sua emancipação existencial. Em outras palavras, Jabor considera a classe média uma aglomeração de pessoas medíocres. “Mediocrizadas” por si e pelo sistema.
As provocações e julgamentos do diretor são bastante interessantes, sobretudo algumas frases de impacto que de fato faz qualquer um refletir sobre sua condição. Outro trunfo são as banalidades de alguns depoimentos, como no da jovem que critica uma rival por ser muito atirada e dar em cima de seu namorado, agindo – segundo ela – como “homem”. Passagens naturais como essas são curiosas e até engraçadas, pois permite comparar o modo de pensar, vestir, comportar, sonhar ... de 1967 com as pessoas de 2012.
A Opinião Pública é mais um importante filme no hall de documentários brasileiros.


Minha Nota: 7,5
IMDB: 6,3
ePipoca: 3,4


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terça-feira, 18 de setembro de 2012

222 - O gosto dos outros (Le gôuts des autres) – França (2000)



Direção: Agnès Jaoui
Roteiro: Jean-Pierre Bacri; Agnès Jaoui
Essa comédia romântica fala sobre a relação entre Castella, o dono de uma fábrica que odeia a vida que leva, e Clara, uma atriz e professora de inglês, com um universo cultural totalmente diferente de Castella.

O filme embarca em um adorável clichê: personagens desiludidos, que aos poucos vão se transformando, graças às surpresas banais do cotidiano. Fracassos amorosos, profissionais e existenciais regem suas vidas. E, no meio deles, há um ricaço, entediado e ingenuamente ignorante, mas que é o que vai se revelar o mais ambicioso, em termos afetivos e culturais.
Castella, o tal empresário bem-sucedido, vai se encantar por uma mulher e, a partir dela, trilhar caminhos pelos quais ele nunca passou: vai freqüentar espetáculos teatrais, ler livros, fazer novas amizades, andar com a turma “moderninha” do teatro, aprender uma nova língua, se apaixonar e aprimorar sua crítica artística e estética. Essas descobertas e transformações vão se apropriar tanto do personagem, que a mulher desejada nem vai estar mais no eixo de suas ações. Ele passará, então, a ter o seu próprio gosto, sempre se relacionando com o outro que, por sua vez, lhe transformará e se transformará.
E, assim, vai sendo a vida...


Minha Nota: 7,1
IMDB: 7,1
ePipoca: 7,2


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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

221 - Gangues de Nova York (Gangs of New York) – Estados Unidos (2002)



Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Jay Cocks; Steven Zaillian; Kenneth Lonergan
O conflito de gangues de nativos anglo-saxões e irlandeses nas ruas de Nova York de 1846 a 1863. No meio disso, um jovem que deseja vingar seu pai.

Nessa super-produção, Scorsese faz um recorte histórico do período e das mãos que construíram Nova York. Mãos estas, sujas de muito sangue.
Pelo que é representado no filme, foi à base de muito ódio e violência que Nova York foi construída. Nativistas, irlandeses, negros e chineses. Ricos e pobres. Gangues e aproveitadores. Todos brigando por seu espaço, onde a cobiça pela fatia de poder era alimentada por discursos racistas e conquistada através da grana, da corrupção política ou pelo chumbo das espingardas.
Em Gangues de Nova York, tal representação é feita com o preciosismo de Scorsese e com um sarcasmo que suaviza a carnificina que se passa diante dos olhos do espectador. E, ao final, fica a mensagem: você e o seu inimigo vão sempre acabar no mesmo lugar. Na vala.


Minha Nota: 7,8
IMDB: 7,5
ePipoca: 8,1

Sugestão: Gran Torino

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domingo, 16 de setembro de 2012

220 - Asas do Desejo (Der Himmel Über Berlin) – Alemanha (1987)



Direção: Wim Wenders
Roteiro: Peter Handke; Richard Reitinger; Wim Wenders
Daniel e Cassiel são dois anjos que observam o dia-a-dia cinzento dos homens e mulheres de Berlim. Mas tudo muda quando Daniel se apaixona por uma trapezista de circo.

Nenhuma sinopse é capaz de descrever a lógica desse filme. Talvez, porque a obra segue um rumo lírico, poético, declamatório, que foge à simples descrição formulada por palavras ou seqüencia de ações. O universo proposto por Wim Wenders é mais extenso, superando a linearidade ou o raciocínio científico e submergindo no abstrato, na amplitude imagética e na conotação das palavras.
É um filme muito mais para se sentir, do que para se compreender.
Muito mais para se fazer sonhar, do que para manter acordado.
Muito mais para se intrigar, do que para gostar.
É por isso que eu não gostei tanto assim, precisei de um café forte para permanecer acordado e fui incapaz de compreendê-lo totalmente. Mas, fiquei intrigado, o senti e tive bons sonhos.


Minha nota: 7,7
IMDB:  8,0
ePipoca: 6,3


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sábado, 15 de setembro de 2012

219 - Intrigas de Estado (State of Play) – Estados Unidos (2009)



Direção: Kevin Macdonald
Roteiro: Matthew Michael Carnaham; Tony Gilroy; Billy Ray; Paul Abbott
Adaptação de uma minissérie produzida pela BBC na qual grupo de jornalistas trabalha ao lado de detetive da polícia para investigar o assassinato da amante de um congressista.

Bom filme para quem gosta de um roteiro investigativo, com uma trama cheia de detalhes, a serem descobertos pouco a pouco. Dessa forma, a história prende a atenção do espectador até o último segundo.
O problema, é que o roteiro se apega aos bons e velhos clichês de filmes do gênero. Tem polícia, deputado e um assassino à solta, que vão se afogando em um mar de conspirações e especulações, e um herói despretensioso – nesse caso, um jornalista fora de forma, cabeludo e bagunceiro que, junto com sua fiel escudeira, vai investigar e tentar solucionar toda a trama.
Além dos personagens, o vai e vem da história também é típica dos filmes do gênero, de Hollywood, o que não dificulta muito as coisas para o espectador-detetive mais atento. E, quando acaba, fica a sensação de já ter visto o filme antes, somente com personagens e título diferente.
Mas, se o final pode ser um pouco desanimador, o durante faz valer à pena.


Minha nota: 7,1
IMDB:  7,2
ePipoca: 8,7

Sugestão: Chinatown

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

218 - Nenhum a Menos (Yi Ge Dou Bu Neng Shao) – China (1999)



Direção: Zhang Yimou
Roteiro: Xiangsheng Shi
Vencedor do festival de Veneza de 99, Nenhum a Menos é um retrato quase documental da atual situação da classe de estudantes rurais na China.

Nenhum a menos é um daqueles filmes que faz revelar o quanto países distintos, como Brasil e China, podem ser parecidos quando o assunto são os problemas sociais e educacionais de suas zonas rurais, tal como a correria da cidade grande que torna problemas particulares invisíveis ao coletivo.
O filme é baseado em uma história real e, apesar dos apelos dramáticos e do roteiro impreciso, ele consegue fazer uma bela representação das dificuldades impostas àqueles que fazem da Educação um ideal a ser praticado e alcançado, seja com dinheiro ou não, com giz ou sem giz. Em nome disso é que a perseverança consegue enfrentar a falta de recursos, a burocracia e a exclusão.


Minha Nota: 7,1
IMDB: 7,6
ePipoca: 9,5


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

217 - ABC da Greve (idem) – Brasil (1990)



Direção: Leon Hirszman
Roteiro: Leon Hirszman
Documentário sobre a greve de metalúrgicos ocorrida no ABC paulista, em 1980, e uma das maiores da história do Brasil.

Um metalúrgico barbudo.
Um estádio de futebol ocupado por uma massa de trabalhadores em greve.
Um ditador militar.
A Globo, a Veja, a Folha.
Uma polícia militar armada.
Grevistas desarmados.
O hino nacional.
“A greve continua”.
Empresários.
Jornal Nacional.
Volta ao trabalho.
“O povo ainda não está preparado para uma abertura total”.
Favela.
Vinícius de Moraes.
Ameaças.
Metalurgia. Ferro. Fogo. Fumaça.
Fuscas.
Jards Macalé. Fágner. Beth Carvalho. João Bosco. Elis.
Asa Branca.
Desconto salarial.
FIESP.
Acordo.
“O trabalhador não está mais disposto a tomar tapa da polícia, virar as costas e ir embora”.
Assembléia.
Voto de confiança.
Fim da greve.


Minha Nota: 8,1
IMDB: 8,1
ePipoca: 3,0

Sugestão: O Homem de Ferro

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

216 - Tony Manero (Tony Manero) – Chile (2008)



Direção: Pablo Larrain
Roteiro: Alfredo Castro; Mateo Iribarren; Pablo Larrain
Santiago do Chile, 1978. Em meio ao complicado contexto social da ditadura militar de Augusto Pinochet, um homem de meia-idade, Raúl Peralta, está obcecado com a idéia de se tornar Tony Manero, o famoso personagem interpretado por John Travolta no clássico filme "Os Embalos de Sábado à Noite". A fantasia de encarnar seu grande ídolo, e assim ser reconhecido como uma estrela no mundo do entretenimento, chega a tal nível que acaba levando Raúl a se transforma num assassino em série.

O filme é “psicopático” demais para a minha compreensão.
Até agora não entendi as razões que o levaram a receber certos prêmios e elogios, apesar de que também li muitas críticas pesadas. Há quem diga que a construção do personagem é uma metáfora da sociedade chilena, na época da Ditadura, omissa e fanática consumidora do mercado de entretenimento estadunidense. Eu não vi nada disso.


Minha Nota: 6,6
IMDB: 6,8
ePipoca: 4,7

Sugestão: Play

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

215 - Caráter (Karakter) – Holanda (1997)



Direção: Mike van Diem
Roteiro: Ferdinand Bordewijk; Mike van Diem; Laurens Geels; Ruud van Megen
Polícia prende jovem acusado de matar seu próprio pai, um impiedoso homem da lei. Aos poucos, as lembranças do passado vão revelando a estranha relação envolvendo pai e filho.

O estilo de Caráter passa ao espectador a sensação de estar vendo uma obra literária, transposta ao audiovisual. E não dá outra, de fato o filme é uma adaptação do livro de Ferdinand Bordewijk, e o roteiro conservador transmite bem essa proposta.
A história não deixa de ser interessante. Nela, é possível ver as formas de amor atuando a partir de uma crosta intransponível de amargura e frieza, que conduz os três principais personagens: um juiz impiedoso, uma ex-empregada doméstica, e o filho bastardo, fruto dessa relação de uma única noite. Os pais, é possível afirmar, amam o filho indesejado. No entanto, a forma de amor demonstrada pela mãe é o silêncio eterno e a falta de afeto. Já o carinho do pai é colocado a partir de gestos cruéis e perversos, que se posta como inimigo do próprio filho, mas que é a forma encontrada para fazê-lo homem, ter ambições e crescer na vida. Enfim, são estranhas formas de amor, ainda que seja difícil chegar a essa conclusão, já que quase nenhum sinal de carinho é demonstrado ao longo da história.
Caráter é um bom filme, mas nem de longe justifica a sua escolha como melhor filme estrangeiro, do Oscar de 1997. 


Minha Nota: 6,8
IMDB: 7,7
ePipoca: 6,4

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