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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

10 - Boy (Boy) – Nova Zelândia (2010)



Direção: Taika Waititi
Tudo acontece em 1984, onde Michael Jackson é o rei até mesmo em Waihau Bay, Nova Zelândia. Aqui encontramos Boy, de 11 anos de idade que vive numa fazenda com sua avó, uma cabra, e seu irmão, Rocky (que pensa que tem poderes mágicos).


Na minha última publicação, falei de Fanny e Alexander, destacando um ponto forte do filme: a fantasia do personagem infantil (Alexander), como escape para os seus tormentos. Em Boy essa premissa se repete.
Ainda garoto, Boy tem responsabilidades de adulto, ao cuidar de seus irmãos e primos menores, na ausência de sua vó. Sua mãe morreu durante o parto do caçula e o seu pai está preso. Para fugir dessa dura realidade, Boy e o seu irmão criam um universo para si mesmo e para os colegas, onde o pai é um grande guerreiro e super-atleta, e que um dia ainda levará o garoto para ver um show do Michael Jackson. Ao vivo.
A principal diferença entre o filme de Bergman e o do neo-zelandês Taika Waititi é que enquanto o primeiro segue um linha dramática densa, o segundo cria uma fábula divertida, engraçada e com alguns toques estilísticos modernos.
Boy não é excepcional, mas diverte e nos mostra um cenário pouco habitual: a Nova Zelândia. Além disso, faz uma boa representação psicológica do universo infantil.


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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

09 - Fanny e Alexander (Fanny och Alexander) – Suécia (1982)



Direção: Ingmar Bergman
Os membros de uma família rica são vistos por duas crianças (a Fanny e o Alexander do título), durante uma suntuosa comemoração de Natal. Aos poucos o clima terno é subvertido por temas mais sombrios, como tormentos do sexo, silêncio de Deus, a consciência do pecado. Obra-prima de Bergman, que concebeu o filme como minissérie de TV, com a duração aproximada de cinco horas (e cinco capítulos). O próprio diretor fez a montagem para o cinema, reduzindo o material para pouco mais de três horas. Vencedor dos Oscars de melhor filme estrangeiro, fotografia, roteiro original, direção de arte e figurinos.

Desde que o mundo é mundo a imaginação sempre foi um dos melhores refúgios para escapar de realidades dolorosas ou incompreensíveis. Com o passar dos séculos, a arte também foi servindo como escape humano às perversidades ocorridas ao redor.
Fanny e Alexander mistura esses dois ingredientes.
De um lado, a fantasia de uma criança (representação auto-biográfica do diretor) que cria um universo particular ao dialogar com “espíritos do bem”. Alexander vê sua vida se transformar completamente ao sair de um seio estável e viver com seu novo padrasto, opressor e rigidamente religioso. A angústia e confinamento do garoto é o combustível para ele buscar na imaginação o seu próprio escape.
Já a arte parte do próprio fazer de Bergman. A relação do indivíduo com a morte e a religião (e os medos que cada uma desperta) é recorrente em seus filmes. E esses dois elementos também foram marcantes na vida e infância do próprio diretor, sobretudo pela rígida educação aplica pelo seu pai, um pastor luterano que costumava surrar e humilhar o garoto.
Se na infância, Bergman se apegava à sua própria imaginação (tal como Alexander, sua auto-representação),  foi no cinema que o diretor pôde extravasar todas as suas angústias e dilemas que amarguraram a sua juventude. Foi a imaginação provocada pela dura realidade que abasteceu suas melhores obras.
Fanny e Alexander foi o último trabalho de Bergman para o cinema. Não poderia ter havido melhor síntese de sua vida e obras do que esse filme!


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domingo, 27 de janeiro de 2013

08 - Os pecados do meu pai (Pecados de mi padre) – Colômbia (2009)



Direção: Nicolas Entel
A história de Pablo Escobar, o chefe do mais famoso cartel de drogas da Colômbia, contada por seu filho, que relata a extraordinária infância que viveu com o pai.

Um filme extremamente interessante sobre a trajetória de Pablo Escobar e que se confunde com a própria história recente da Colômbia.
Impressionante ver o poder que o traficante tinha e sua visão empreendedora, se é que podemos chamar assim. Sua relação com a população de áreas periféricas me fez lembrar o PCC, que em sua origem assumia o papel do Estado dentro de suas comunidades, conquistando a confiança e apoio de boa parte de seus moradores. A penetração de Escobar no mundo político, fazendo essa ponte entre o narcotráfico e a esfera política institucional também me fez lembrar de Cachoeira e seus amigos Policarpo e Demóstenes.
A ascensão e queda do traficante ganha uma representação ainda mais contundente, pois o documentário utiliza imagens e áudios raros, que revelam a intimidade da vida de Escobar, incluindo os seus últimos segundos.
Somado a tudo isso: o filho de Escobar. Após a morte do pai, quando ainda tinha 16 anos, ele teve que sair da Colômbia e recomeçar toda a sua vida, seguindo trilhos opostos ao do pai. Nesse movimento, ainda teve a hombridade de pedir perdão aos filhos de políticos mortos por Escobar. Uma situação no mínimo curiosa.
Os pecados do meu pai é um filme que nos aproxima do histórico colombiano e nos impressiona em diversos momentos.


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CRÍTICA 01 - Django Livre (Django Unchained) - Estados Unidos (2012)



Obra e autor, para quem vive a história, são indissociáveis. Ao menos que o indivíduo seja um desavisado e caia de pára-quedas em um livro sem se dar conta de quem o escreveu, ou mesmo qual o passado desse escritor, é inevitável que o histórico do autor agregue valor à sua própria obra.
Recentemente, o Washington Post realizou uma experiência interessante. O jornal colocou uma violinista para tocar músicas clássicas em uma estação de metrô, durante 45 minutos. Apenas 6 pessoas pararam para ouvir e o artista conseguiu arrecadar 32 dólares de “couvert”. O que nenhum dos transeuntes sabia é que esse indivíduo era um dos maiores músicos da atualidade, tocando com seu violino que vale mais de 3 milhões de dólares, e que dois dias antes ele havia lotado um teatro em Boston, cujo valor do ingresso foi de 100 dólares.
É ingenuidade, portanto, desassociar autor e obra. Aí que entra Tarantino. É praticamente impossível analisar qualquer novo filme de forma crua, recortada. Inevitavelmente são levadas em consideração todas as suas grandes obras do passado, além de se influenciar pela própria áurea que o diretor possui. Essas variáveis acabam criando uma expectativa sobre o seu próximo lançamento, difícil de ser administrada.



Por isso, quem se empolgava com algumas técnicas recorrentes na filmografia de Tarantino, pode ter se decepcionado com Django Livre. Nele, não tem Brad Pitt olhando para a câmera e dizendo “essa é minha obra-prima” (Bastardos Inglórios), não tem Uma Thurman (Pulp Fiction) desenhando um quadrado na tela, e, sobretudo, não tem um quebra-cabeça narrativo. Pelo contrário, o filme possui uma linearidade convencional, o que não é o maior forte do diretor.
A narrativa é extremamente clássica, cuja estrutura é facilmente encontrada nos famosos manuais de roteiro, ou em qualquer livro de Doc Comparato. As ações e acontecimentos são previsíveis e clichês. E é justamente aí que Tarantino faz a diferença. O que poderia parecer um déficit de criatividade do diretor, revela uma própria originalidade. Considerando todo o histórico de Tarantino e de tudo que ele foi capaz de fazer, é fácil concluir que Django Livre é clichê do início ao fim por pura opção estética do diretor, que resolveu não sobrepor suas “modernidades” ao clássico, fazendo da narrativa padrão a sua própria prisão. E foi dentro desse limite que Tarantino buscou desenvolver o seu diferencial.



Se as soluções fáceis no roteiro, modéstia do enredo e a pouca utilização de técnicas mirabolantes não são recorrentes na filmografia de Tarantino – talvez não muito animadora para parte de seus fãs – por outro lado ainda é possível perceber elementos tarantinescos em diversos momentos.
Quem gostava de Jules recitando sua passagem bíblica antes de cometer sua próxima execução (Pulp Fiction), ou da dança sensual de Arlete (À prova de morte), certamente vai ficar empolgado com as esquetes contidas em Django, sobretudo a da Ku-Klux-Klan, que tira as maiores gargalhadas do filme. Isso sem falar nas já consagradas seqüências de tiroteio, com muita plasticidade e sangue. As de Django ficam atrás de Kill Bill e de Cães de Aluguel, mas mantém o alto nível tarantinesco. As diversas referências também são preservadas.



O filme, portanto, preserva alguns elementos tradicionais de Tarantino, mas que não necessariamente apresenta uma evolução ou superação. No máximo, mantém o nível. A grande novidade, talvez, seja mesmo o roteiro padrão e clichê - provavelmente uma opção estética do diretor. A textura das imagens, os planos, a trilha sonora e os movimentos de câmera – incluindo os zooms repentinos e de supetão, no melhor estilo de Sergio Leone – preserva a estética dos spaghetti western, mas pode ser indigesto aos espectadores de Tarantino, acostumados com algo um pouco mais complexo.
O conteúdo, no entanto, caiu bem no estilo do diretor, ousado e provocador. Ele que já tinha “mudado os rumos da história”, ao assassinar Hitler em Bastardos Inglórios, novamente criou um personagem ficcional a partir de um contexto histórico real. Com isso, esfregou na cara da sociedade preconceitos da época que hoje alguns deles são capazes de provocar risos, como a indignação de Stephen (Samuel L. Jackson) ao saber que Django dormiria na casa grande. Aliás, a coragem de pular o moralismo puritano e criar personagens negros dotados de preconceito e racismo é algo que poucos fazem, dentre eles Spike Lee que, paradoxalmente, acabou se posicionando contra a iniciativa de Tarantino, de pegar um acontecimento histórico que matou e explorou milhões de negros, para fazer o seu bang-bang.



Django, portanto, tem suas oscilações, mas fruto da inevitável fusão entre obra e autor. O desafio de um grande diretor como Tarantino, que produziu grandes obras ainda jovem, é de se superar a cada filme, pois todas as expectativas estarão voltadas nele. Nisso, creio que Django não foi capaz de conseguir, já que Bastardos Inglórios, seu penúltimo filme, foi de um nível bastante elevado. Se Django não tivesse sido feito por Tarantino, poderia ser considerado um filme excelente. Mas, como é sabido que foi ele que fez, a expectativa é que Django fosse melhor.
Mas, isso talvez nem seja importante para Tarantino, que, literalmente, está se explodindo.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

07 - A princesa Mononoke (Mononoke-hime) – Japão (1997)



Direção: Hayao Miyazaki
Guerreiro em busca de cura para maldição entra no meio de guerra entre os habitantes da floresta e mineradores.

Mais um belo filme de animação japonês, não recomendado para menores.
Princesa Mononoke possui um conteúdo muito denso, que alcança diversos pontos sociológicos e antropológicos que desencadeiam conflitos recorrentes envolvendo seres humanos, tribos e natureza. Tem uma ótica um pouco pessimista, pois encara as guerras, ambição e destruição como algo real e de difícil solução.
Tudo nessa vida tem limite e até o deus amável e protetor pode se desestabilizar e lançar sua fúria sobre a Terra. A dificuldade, portanto, é como manter uma harmonia que equilibre os interesses de todos e interrompa um ciclo de vingança alimentado pelo ódio e rancor.
Daí, já dá pra tirar o quanto Princesa Mononoke é complexo e capaz de produzir pertinentes metáforas.
Além de tudo isso, algo me chamou a atenção: o quanto elementos da cultura japonesa (manifestadas no filme) se aproxima de elementos das religiões afrodescendentes, sobretudo do candomblé. Eis os exemplos que consegui identificar [atenção, possíveis spoiler]:
1- Na tribo do príncipe Ashitaka, a anciã, respeitada por seu conhecimento ancestral, possui o dom de se conectar com forças espirituais e receber algumas informações sobre o futuro. Em uma cena, ela faz um jogo, usando pedras e alguns outros elementos da natureza, como folhas e ossos de animais. Todas essas características são extremamente semelhantes aos dos pais-de-santo e seus tradicionais jogos de búzios.


2- Na floresta, Ashitaka é recebido por espíritos do bem, brincalhões e amigáveis. Algo semelhante aos Erês do candomblé (espíritos infantis), a exemplo de Flechinha, um Erê de Oxóssi, caçador das florestas.


3- O príncipe Ashitaka, afetado por uma chaga mortal visível em seu corpo, recebe a missão de buscar o equilíbrio entre as tribos em conflito, para sanar as mortes dos bichos e humanos. No candomblé, Omolu também é conhecido como o Orixá ligado à morte e às doenças, além de possuir chagas em seu corpo. Tanto Ashitaka quanto Omolu se cobrem para esconder suas feridas com uma vestimenta muito parecida e ambos portam ferramentas em suas mãos.


4- No candomblé há uma lenda sobre Ìbejì, erês gêmeos crescidos na floresta, cujo animal associado a eles é o macaco colobo (colobus polykomos), que em yorubá é chamado de Edun Oròòkun. Esses macacos, de cor preta com detalhes brancos, habitam as florestas e possuem o dom de escutar os deuses. No filme, também há uma tribo de macacos totalmente pretos, que conversam com a loba (que possui status de deusa) e também vão em busca do grande deus da floresta.


5- Por fim, o mito do deus da floresta. No filme há o espírito maior, guardião da floresta, cujo arquétipo é de um espírito que se manifesta mais à noite, sendo zelosos e controlados, mas perigosos quando provocados. No candomblé, quem tem um arquétipo semelhante é Oxóssi, protetor das florestas, que age mais à noite e é extremamente cuidadoso, mas capaz de lançar sua ira quando necessário.


Enfim, pode ser apenas uma viagem minha, identificar traços semelhantes de duas culturas distintas, mas acho que isso é no mínimo curioso.


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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

06 - O paraíso agora (Paradise now) – Palestina (2005)



Direção: Hany Abu-Assad
Dois palestinos amigos de infância são recrutados para um atentado suicida em Tel Aviv. Depois de passar o que seria a última noite com as respectivas famílias, eles são levados à fronteira de Israel para cumprir com suas missões.

Quando eu nasci israelenses e palestinos já se matavam por disputas políticas.
Em 2005, ano de lançamento de Paradise Now, israelenses e palestinos ainda se matavam por disputas políticas.
Oito anos depois, israelenses e palestinos continuam se matando por disputas políticas.
Ou seja, a sensação que dá é que pouca coisa mudou na relação desses dois povos. E, portanto, as estratégias para resolução parecem não terem sido muito bem sucedidas, pelas duas partes.
Os palestinos que acreditavam que tirar a própria vida para matar algumas dezenas de israelenses resolveria o problema possivelmente se enganaram. Nunca resolveu. No entanto, será que se isso não fosse feito existiria ainda a Palestina?
Matar e morrer nunca foi o ato mais inteligente para se vencer uma disputa. Porém, costuma dar certo, vide as diversas conquistas territoriais, econômicas e políticas conquistadas por países com forte aparato bélico.
Difícil acreditar que daqui a 10 anos veremos o conflito entre Israel e Palestina resolvido, na base do diálogo e da negociação. Sobretudo porque o país mais rico e bem armado do mundo ainda lucra com toda essa matança e nunca se mostrou disposto a usar sua força política para resolver de forma justa esse impasse.
E até lá pessoas continuam morrendo e matando.
Todo mundo tomando a Coca-cola. A Coca-cola tomando conta da China. Todo cara lutando por uma menina. E a Palestina lutando pra sobreviver.


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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

05 - Crepúsculo dos deuses (Sunset Blvd.) – Estados Unidos (1950)



Direção: Billy Wilder
Ex-diva do cinema mudo (Gloria Swanson) recebe a visita de um roteirista desconhecido (William Holden). Este é quem narra a história, com doses de humor, sarcasmo e drama, para relembrar seu envolvimento com Norma Desmond, uma esquecida estrela de Hollywood que vive de lembranças em sua mansão localizada na célebre Sunset Boulevard com o seu mordomo (memorável performance de Erich von Stroheim). Clássico absoluto de Billy Wilder, vencedor de três Oscars, o filme é uma das mais devastadoras sátiras sobre o lado sombrio do ser humano e da indústria de cinema americano.

Um noir em grande estilo, do grande diretor Billy Wilder.
Uma trama que já começa original, logo na sua primeira seqüência. Se desenrola com uma tensão progressiva e finaliza quando a personagem Norma Desmond (brilhantemente interpretada por Gloria Swanson) chega no ápice do absurdo.
Crepúsculo dos deuses é um clássico do cinema, que conseguiu condensar um forte drama psicológico com um intrigante crime, que nos é apresentado logo no início.
No entanto, vou arriscar sugerir um filme que considero ainda melhor que Crepúsculo, que é O que teria acontecido a Baby Jane?. Ambos seguem um argumento bastante parecido, cujas protagonistas possuem os perfis praticamente idênticos. Em Baby Jane, porém, o suspense e a tensão alcançam um nível bastante elevado e o desenvolvimento do enredo – na minha humilde opinião – supera o clássico de Billy Wilder.
Fica então, a dica: se gostou de Crepúsculo, assista Baby Jane. Se não viu nenhum dos dois, recomendo que veja ambos.


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

04 - À espera da felicidade (Heremakono) – Mauritânia (2002)



Direção: Abderrahmane Sissako
Em Nouadhibou, aldeia de pescadores no litoral mauritano, Abdallah, um jovem malinês de 17 anos, visita a mãe antes de partir para a Europa. Neste lugar de exílios e de falsas esperanças, o jovem, que não entende a língua, tenta decodificar o universo à sua volta. Nana, uma jovem sensual, Makan, que sonha com a Europa, Maata, um antigo pescador e agora eletricista, e seu discípulo Khatra, que vai ajudá-lo a sair de seu isolamento ensinando-lhe o dialeto local. Os destinos se encontram e se desencontram ao longo dos dias, os olhares fixos no horizonte aguardam uma incerta felicidade.

O filme traz pessoas comuns, de algum lugar da Mauritânia, que simplesmente vão vivendo suas vidas.
Crianças que aprendem e sonham. Jovens que tentam se adaptar. Adultos que lamentam.
Tudo isso com pouco brilho, sem muita luz. Apenas vão vivendo, como se isso fosse o máximo possível para se fazer naquele ambiente que pouco ajuda.
Até para os mais novos é difícil ir em busca da felicidade. O jeito é esperar. Ainda que haja esperanças de se transpor todo esse deserto que começa do lado de fora e termina dentro do peito.


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

03 - Nós que nos amávamos tanto (C´eravamo tanto amati) – Itália (1974)



Direção: Ettore Scola
Uma das obras-primas de Ettore Scola, o filme descreve um período na história da Itália (1945 a 1975) e na vida de três grandes amigos: Gianni, Antonio e Nicola. Da resistência à ocupação nazista ao engajamento político dos anos 1960, acompanhamos as aventuras, desventuras e desilusões amorosas de uma geração que sonhava em mudar o mundo.

Estou cada vez mais encantado com Ettore Scola.
A sua sensibilidade e originalidade são louváveis.
Em A Família ele conseguiu passar por diversas gerações e contextos políticos, sem que a câmera saísse de casa uma vez sequer. Todas as passagens de tempo e mise-en-scéne foram feitas na mesma locação. Um desafio brilhantemente superado.
Já em Nós que nos amávamos tanto, novamente o diretor repete o envelhecimento dos personagens e a passagem de tempo, com um contexto político de fundo. No entanto, as transições são feitas com muito mais criatividade e beleza.
O filme é uma verdadeira homenagem ao cinema italiano e à própria história social e política dessa nação. E, por que não dizer, uma homenagem ao ser humano, seus amores e ideais. Em seu conteúdo, a obra é encantadora.
Já a sua estética é de uma originalidade empolgante. As brincadeiras e a criatividade são típicas de grandes pintores, que cuidam de cada detalhe de seu quadro, para resultar em uma obra completa, multi-referencial e original.
Divertido e belo! Um filme para se amar tanto.


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

02 - O farol (Mayak) – Armênia (2006)



Direção: Mariya Saakyan
Uma volta ao lar. A heroína é uma jovem que retorna para sua casa, depois de quatro anos. Lá, ela não encontra nem velhos discos nem fotos de família e sim uma verdadeira tragédia. A vida na sua cidade caucasiana ficou perigosa. Ela quer partir imediatamente e levar seus avôs consigo. Mas sua avó não quer partir e largar sua casa, seu trabalho em uma escola de música e seus pupilos. A heroína não consegue ir embora sozinha – não há mais trens para partir.

Uma cidade-fantasma da Armênia, bombardeada e devastada.
A prova de que a guerra não gera só mortos, mas também mortos-vivos.
O farol não traz luz a uma cidade cinzenta, velha, acabada, destruída. Uma cidade que morreu, ainda que alguns de seus habitantes residam e resistam.
A história é uma espécie de conto. Curta e certeira. Uma passagem sem um começo bem delineado e um fim inacabado.


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

01 - Febre do rato (idem) – Brasil (2011)



Direção: Cláudio Assis
Febre do Rato é uma expressão popular típica da cidade do Recife que designa alguém quando está fora de controle, alguém que está danado. E é assim que Zizo, um poeta inconformado e de atitude anarquista, chama um pequeno tablóide que ele publica às próprias custas. Na cidade úmida e escaldante, enfiada na beira de mangues e favelas, nosso personagem alimenta sua pena, seu sarcasmo, sua "grossa" ironia. Um dia todas as convicções de Zizo parecem ruir ao se deparar com Eneida, espécie de consciência contemporânea e periférica, uma jovem de aproximadamente 18 anos, que instiga e promove a transformação do poeta.

Febre do rato é uma espécie de manifesto anarquista. Não do ponto de vista político, mas comportamental.
Um ode ao sexo, à poesia e à liberdade.
Um ódio ao pudor, ao “lado A” e à caretice.
De uma Recife em preto e branco, afundada na lama.
O mangue, o caos.
A brincadeira levado a sério.


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Top 10 - JANEIRO


O ano se inicia com a comemoração do dia da Confraternização Universal.
Portanto, nada melhor do que "dar a volta ao mundo", nessa "primeira" postagem de 2013.
O top 10 de Janeiro homenageia 10 diretores de países distintos.


A idade da Terra (idem) - Brasil (1980) 
Glauber Rocha


Partindo do Brasil, um dos ícones do cinema nacional. Ainda que contestado e nem sempre admirado, é praticamente inegável a contribuição de Glauber Rocha para o cinema brasileiro, nem que fosse para se pensar “o que estamos fazendo e para onde vamos?”. A idade da Terra foi o último filme do diretor baiano – que há quem diga, era torcedor do Vitória. Considero o seu filme mais louco, insano, com uma narrativa totalmente embaralhada onde na sua primeira metade você não entende nada, em seguida você começa a enxergar sentido e por fim você percebe que nem precisava o esforço para compreender, bastava sentir e viajar.


O filho da noiva (El hijo de la novia) – Argentina (2001)
Juan José Campanella

Dos nossos hermanos, sugiro o meu diretor preferido. Não sei se é meu filme preferido dele, pois é difícil competir com outras duas deliciosas comédias Clube da Lua e O mesmo amor, a mesma chuva, sem falar na sua obra-prima O segredo dos seus olhos. No entanto, é um belíssimo filme, que faz rir e se emocionar, no melhor estilo de Campanella. Assisti a primeira vez na escola (provavelmente em uma aula de espanhol) e ao contrário da protagonista que sofre de Alzheimer, eu nunca me esqueci.



Magnólia (Magnolia) – Estados Unidos (1999)
Paul Thomas Anderson
Desembarcando nos States, indico o diretor que eu considero o melhor da nova geração. E, obviamente, não poderia deixar de sugerir o melhor filme da década de 1990 e um dos melhores que eu já vi na vida. Magnólia é uma pérola, que é bom durante e ainda melhor depois de assistir. Suas metáforas, simbolismos, mensagens subliminares e peças de quebra-cabeça tornam o filme ainda mais incrível e com a certeza de que é preciso revê-lo para desvendá-lo ainda mais.






Má educação (La mala educación) – Espanha (2004)
Pedro Almodóvar

Chegando à Europa, não teria outra opção para representar a Espanha do que Almodóvar. Esse é um diretor que eu aprendi a gostar, pois sempre tive um certo preconceito. Sempre achei que o endeusavam demais e quando eu vi a porcaria do Kika eu pensei: “esse é o gênio que todos falavam?”. No entanto, o segundo filme que vi foi Má educação, o que fez eu mudar um pouco o meu conceito e foi dali para melhor.





Acossado (À bout de souffle) – França (1960)
Jean-Luc Godard

Na França, Godard. Não é o meu diretor francês preferido e até acho superestimado. No entanto, é uma dos poucos dinossauros ainda vivos e certamente tem uma grande contribuição para a filmografia francesa. Acossado foi o primeiro filme que vi do diretor e gostei bastante. É menos louco e mais dinâmico. Garanto que não dá sono.









Amarcord (Amarcord) – Itália (1973)
Frederico Fellini

Itália! Uma das melhores escolas de cinema do mundo. Em parte de minhas veias corre sangue italiano, talvez isso justifique minha paixão pela sua cultura. E ninguém melhor que Fellini para representar a Itália. Sou fã desde a minha adolescência, mas foi ainda na infância que vi e nunca me esqueci de Amarcord, um filme belíssimo e divertido, com a marca felliniana inconfundível.








Paris, Texas (Paris, Texas) – Alemanha (1984)
Wim Wenders

Passando pela Alemanha, um grande nome: Wim Wenders. Paris, Texas foi a minha porta de entrada para esse grande, instigante e intrigante cineasta. Um filme denso e com uma fotografia belíssima. Wim Wenders não é fácil, apesar de gênio às vezes erra a mão. Mas em Paris, Texas ele estava inspirado e o resultado foi maravilhoso.









Dogville (Dogville) – Dinamarca (2003)
Lars Von Trier

Chegando à Dinamarca, inevitável não citar Lars Von Trier. Confesso que não simpatizo muito com a sua figura e sou daqueles que não gostou de Anticristo. No entanto, o diretor dinamarquês exala criatividade. Acho que o filme que melhor representa a sua originalidade e capacidade de criação é Dogville – um grande filme pela forma e também pelo conteúdo.








Agora ou nunca (All or nothing) – Inglaterra (2002)
Mike Leigh

Da Inglaterra, um dos meus diretores preferidos: Mike Leigh. Ele é daqueles que não é tão fácil gostar, já que seus filmes podem parecer entediantes. Porém, o diretor inglês consegue retratar a amargura do homem banal e a falta de poesia no cotidiano de pessoas normais, como ninguém. Agora ou nunca é um desses filmes! Daqueles que ou você vai se entediar e desistir ou vai se encantar e querer mais. No meu caso, fiquei com a segunda opção.




Dodeskaden (Dodesukaden) – Japão (1970)
Akira Kurosawa

A última aterrissagem é no Japão. Eis um diretor que conheço pouco, mas pretendo conhecer muito mais. Me apaixonei por Os sete samurais, mas Dodeskaden foi quem me apresentou a Kurosawa. A primeira impressão foi péssima. Não por culpa dele – coitado – mas pelo meu DVD que repetiu quatro vezes os 15 minutos inicias do filme e eu só fui me dar conta na quinta vez. Isso me traumatizou e levei um tempo até ver Kurosawa novamente. Dodeskaden é um filme que inclusive eu preciso rever.






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*Contém o pacote com todos os torrents de cada um dos 10 filmes e suas respectivas legendas.