domingo, 31 de março de 2013

30 - Lanternas Vermelhas (Da hong deng long gao gao gua) - China (1991)


Diretor: Yimou Zhang
No interior da China nos anos 1920, jovem de 19 anos de idade perde os pais e é forçada a se casar com um homem 50 anos mais velho. Ele é um senhor poderoso e que já possui três outras mulheres vivendo cada uma numa casa. 

Em um mundo onde arquitetura, cultura e comportamento estão cada vez mais homogêneos, é sempre bom ver recortes culturais peculiares e que preserva uma identidade particular. É o caso de Lanternas Vermelhas que, baseado em tradições reais ou não, nos apresenta um universo curioso, controverso e interessante.

No entanto, particularidades à parte, alguns sentimentos se revelam universais. Orgulho, inveja, traição, competição, submissão, angústia, egoísmo e arrependimento não possuem época, local, nem cultura. Podem consumir qualquer ser humano.

E a sutileza de cada sentimento é muito bem representada na fotografia de Yimou Zhang. Ainda que todo o filme seja rodado em um único lugar (uma mansão e seus diversos cômodos), ele consegue obter planos, fotografias e estações que traduzem multiplicidade ao ambiente. São vários lugares em um só. Várias emoções e mudanças em um local aparentemente insensível e imutável.

Um belo filme. Sábio como a cultura chinesa. Calmo como é necessário ser, para se alcançar a alma humana.


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sábado, 30 de março de 2013

29 - Caveira, my friend (idem) - Brasil (1970)


Direção: Álvaro Guimarães
Caveira, my friend conta as peripécias de uma trupe que ataca, mata, arrebenta e nem sabe por quê. À medida em que vão caminhando pelas ruas ou andando de carro, a revolta se traveste de Novos Baianos, happenings, bares.

Em comemoração ao aniversário da cidade do Salvador, trago esse fóssil cinematográfico, de mais de 40 anos passados e que compões um recorte histórico, em um período onde jovens baianos, em plena ditadura militar, descobriam o quão divertido e produtivo poderia ser uma câmera na mão.

Caveira, my friend é dadaísmo puro. Marginal! Indigesto. Barulhento, zuadento. Feito para ser odiado. É hippie, é urbano. É sobre amigos para amigos. É sociedade. É sexo, drogas e Novos Baianos. É uma Salvador vista por jovens inquietos, perdidos, que não sabem bem o que querem e nem do que não gostam. É maldito. É um anti-filme, anti-público. É uma brincadeira recheada de boas intenções. É parte da história do cinema baiano.

Mais sobre Caveira, clique aqui.


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segunda-feira, 25 de março de 2013

28 - Vida Cigana (Dom Za Vesanje) – Iugoslávia (1988)



Direção: Emir Kusturica
Perhan é um cigano que mora com sua avó na periferia de Sarajevo. Apaixonado por Azra, seu sonho é ganhar dinheiro suficiente para poder casar-se com ela. O vagabundo Ahmed propõe a Perhan ir para a Itália, na tentativa de fazer fortuna rápido. O jovem aceita, e quando se dá conta já é prisioneiro de um mundo sem escrúpulos, cheio de mágoa, do qual ele não quer participar.

Nada melhor do que representar uma nação como a Iugoslávia do que a partir de uma comunidade cigana, com personagens que vão e vem, se agregam, se separam. Quer algo mais confuso e mutante do que um país que vira outro, que depois se divide em dois e, por fim, some!?
Iugoslávia era igual a Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Macedônia. Hoje nem existe mais.
Em Vida Cigana, Kusturica mais uma vez dá uma aula de cinema, criando um universo mágico e particular, mas capaz de ser interpretado por qualquer um que consiga, literalmente, viajar com ele.
Esse grande cineasta consegue produzir uma obra autoral, que brinca com as técnicas e possibilidades que o audiovisual oferece. Kusturica é extremamente habilidoso com o seu cinema. Daqueles que você olha e diz “esse cara sabe o que tá fazendo”.
E para representar o seu país, a sua comunidade, a sua história, ele constrói pequenas pontes. Nela, o personagem pode partir da sanidade para a loucura, do amor para a violência, da vida para a morte, da realidade para a fantasia. E esses percursos que os personagens vão seguindo acabam trazendo uma atmosfera densa ao filme, nebulosa, sobretudo na sua segunda metade. Mas, ainda assim, é sempre perceptível o bom humor e a ironia de Kusturica, que parece considerar a violência entre seres humanos tão absurda, mas tão absurda, que chega a ser risível, insanamente engraçado. E que tais pessoas, nessa atmosfera violenta, acabam se tornando tão humanos quanto um macaco ou um peru.
Me apaixonei por Underground e não me decepcionei com Vida Cigana. Continuo fascinado por Kusturica!


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(infelizmente, na segunda metade do filme a legenda apresenta alguns problemas, por alguns minutos não há legenda e boa parte do restante não está perfeitamente sincronizado, mas é possível ver e compreender assim mesmo).

Pacote de legendas:
Legenda em português
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sexta-feira, 22 de março de 2013

27 - O grande bazar (O grande bazar) – Moçambique (2006)



Direção: Licinio Azevedo
Num grande mercado de Moçambique, dois garotos com procuram enfrentar os desafios que lhe são impostos. Um não quer mais morar com as tias violentas e prefere viver na rua, enquanto o outro precisa recuperar o dinheiro que lhe foi roubado, para poder voltar para casa.

“Guarda-chuva com poucos furos. Panela de pressão sem tampa”!
Esse é o grande bazar de Moçambique, que em alguns momentos lembra a Feira de São Joaquim, misturada com a Feira do Rolo de Salvador.
No filme de Licinio Azevedo também é possível ver um recorte social de uma população de baixa renda, que vai se virando para viver. De forma bem humorada, cada um vai levando do jeito que dá e o resultado é muita criatividade e irreverência.
Aliás, essa equação “pobreza” + “necessidade” = “criatividade” é algo que nós percebemos diariamente, basta olhar para o lado para ver.
O grande bazar traz tudo isso e mais um pouco, passeando por cantos e rostos de Moçambique, numa produção leve e boa de assistir.


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Torrent (legenda embutida)

quarta-feira, 20 de março de 2013

26 - Primavera, verão, outono, inverno e... primavera (Bom yeoreum...

Primavera, verão, outono, inverno e... primavera (Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom) – Coréia do Sul (2003)





Direção: Ki-duk Kim
A passagem de uma estação do ano para outra, repetidamente, serve para narrar a vida de um monge budista, desde sua infância até seus últimos dias no templo.

Um local fantástico. Uma fotografia espetacular. Ficar vendo as imagens que passam pelas nossas vistas já é um prazer à parte, vale o filme e ganha o dia.
O filme também traz uma paz, a partir da mistura de uma natureza reconfortante com a boa e velha sabedoria oriental.
Uma beleza singular, de um filme extremamente sutil no seu enredo, nos seus personagens e nos seus (não)-diálogos.

...

Um comentário de uma visitante do blog (que por sinal, foi quem me indicou esse filme) e que traduz melhor que eu a sutileza dessa belíssima obra:


Soli:

Fui fisgada, não tinha como não postar um comentário sobre esse diretor, falaria horas, sou fã. 

Assistir Kim Ki Duk é quase fazer filosofia, precisa de preparo, ele é insuportavelmente genial, dolorosamente ele tece seu enredo num labirinto de belas paisagens, no qual nos perdemos por vezes. Tem uma cena nesse filme que pra mim é inesquecível, porque ela carrega toda a leveza e todo peso de um ato, é pensando nela que às vezes, falo aqui em casa, para se ter cuidado, para não atar pedras aos outros porque terão que voltar para libertá-los para libertarem a si mesmo. Essa temática ele retoma em Samaria ( que vale a pena ver), mas por outro viés, creio que mais impactante. 

Enfim, a mim parece que os filmes dele na hora deixa aquela sensação de não se ter o que dizer, talvez porque ele dialogue com o que há em nós ainda calado. De certo modo é ver o silêncio falando à nossa inteligência sobre um indispensável pensar. Penso que estética em seus filmes, que são belíssimas como o gostinho doce que envolve os remédios amargos para torná-los digeríveis. 


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Pacote de legendas:
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segunda-feira, 18 de março de 2013

25 - Macunaíma (idem) – Brasil (1969)



Direção: Joaquim Pedro de Andrade
As aventuras de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, e suas andanças por um Brasil em transformação. Um compêndio dos mitos, lendas e da alma do brasileiro, a partir do clássico romance de Mario de Andrade.

Uma interessante e fantasiosa viagem por terras tupiniquins. A nossa República de Bananas muito bem representada nesse clássico.
As atuações de Paulo José e Grande Otelo são um deleite.
Macunaíma, “um herói sem nenhum caráter”.
Indico a leitura desse breve texto escrito em 2008, comemorando os 80 da obra escrita por Mário de Andrade. (clique aqui)


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sexta-feira, 15 de março de 2013

24 - Os inocentes (The Innocents) – Estados Unidos (1961)



Direção: Jack Clayton
Algo de estranho e sinistro estava acontecendo naquela casa, pensou Senhorita Giddens, contratada para cuidar de Flora e Miles, dois irmãos que ficaram órfãos em circunstâncias misteriosas. Com o passar do tempo, Giddens acredita que existe alguma coisa escondida nas trevas da mansão, fazendo com que as crianças tenham um comportamento muito assustador. E a jovem governanta não sabe se terá forças para enfrentar esse perigo oculto na face de crianças, aparentemente inocentes demais para cometer algum mal.

Um grande filme de horror psicológico.
Sem grandes sustos, sem sangue derramado.
Mas um estado de suspense contínuo que embaralha a cabeça do espectador e lhe rende arrepios durante algumas cenas.
Daqueles filmes que é melhor ver com a garrafa de água do lado, para depois não ter que levantar para ir até a cozinha.
Daqueles que na hora de dormir, qualquer barulhinho habitual que se escuta na casa já lhe deixa tenso.
Sem falar na extrema ousadia do diretor, sobretudo na cena final, que arriscou fazer algo não convencional no cinema da época e tampouco na sociedade da época.
E eu não duvido que muitos dos filmes de suspense e terror de hoje em dia tenham se inspirado nessa excelente obra.


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Pacote de Legendas:
Legenda em português
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quarta-feira, 13 de março de 2013

23 - No (No) – Chile (2012)



Direção: Pablo Larrain
Em 1988, o ditador chileno Augusto Pinochet, diante da pressão internacional, convoca um referendo sobre o seu mandato. Os líderes da oposição convencem o jovem publicitário René Saavedra a liderar sua campanha. Com pouquíssimos recursos e permanente vigilância dos guardas de Pinochet, Saavedra e sua equipe criam um audacioso plano para vencer a eleição e libertar seu país da opressão.

Falar de um período político que já fora representado no cinema sempre traz o risco da redundância. Além do que, falar de política já é algo que pode ser chato e panfletário.
Para burlar esses probleminhas, é preciso criatividade. E aí reside o mérito do roteirista Pedro Peirano. Foi acertada a escolha de representar um período histórico a partir de uma perspectiva mais particular e, de certa forma, um pouco distante da política dura. Contar a história a partir da visão de um publicitário pouco envolvido com a causa deu mais leveza ao filme.
Além de ser um prato cheio para estudantes e profissionais de Comunicação, sobretudo Publicidade e Propaganda, No conta um período crucial para a história chilena de uma forma leve, prazerosa de se ver.
A direção também foi muito bem conduzida. A estética da fotografia caiu bem, com sua imagem “velha”, sua luz estourada, com o balançar da câmera e com diversas outras “imperfeições” que, na verdade, reforçavam a intenção de transmitir a história como um registro fiel, quase documental, como se tudo que vimos tivesse sido registrado na época, longe do ficcional. Não é à toa que documentário e ficção se (con)fundem, quando muitas das imagens utilizadas no filme foram, de fato, das campanhas publicitárias de 1988.
Chile, la alegría já viene!

Abaixo, algumas peças publicitárias da campanha do No x Sí, exibidas na época:


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segunda-feira, 11 de março de 2013

22 - Rebecca, a mulher inesquecível (Rebecca) – Estados Unidos (1940)



Direção: Alfred Hitchcock
Jovem e inocente garota se apaixona por um milionário viúvo. Eles se casam e vão viver na mansão do homem. Com o tempo, a garota percebe que a falecida, chamada Rebecca, estranhamente ainda tem fortes poderes em todas as decisões. 

Para os verdadeiros mestres do suspense, uma história bem contada vale mais do uma cena de susto aqui e outra acolá. Uma trilha sonora precisa tenciona mais que monstros e vampiros.
E Hitchcock, que possivelmente é o mestre dos mestres nesse gênero, dá um bom exemplo com Rebecca.
O termo “suspense” vem, justamente, de deixar algo suspenso: a história e a atenção. Tudo vai bem, até que... suspense... a atenção é máxima... a história suspensa... o quebra-cabeças do passado tenta dar alguma pista sobre o que irá acontecer nos próximos instantes... mas, ainda assim, tudo é incerto... imprevisível... tudo pode acontecer... e o que será que vai acontecer... enfim, algo se revela. Isso é recorrente nesse gênero e está brilhantemente presente em Rebecca e em Hitchcock.
A trilha sonora é outro componente fundamental. Impressionante a reação sensorial que as músicas despertam no espectador. Aquele instrumental preciso, que deixa qualquer cena tensa e qualquer um concentrado, atento.
Mais uma admirável obra desse autor incomparável!


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quarta-feira, 6 de março de 2013

21 - Cabeças cortadas (Cabezas cortadas) – Espanha (1970)



Direção: Glauber Rocha
Dentro de um castelo, em alguma parte do Terceiro Mundo, Diaz, um rei sem coroa, tem lembranças delirantes. Em sonho, realiza uma viagem, escraviza índios, trabalhadores e camponeses.

Um filme bem louco e indigesto, no melhor/pior estilo de Glauber Rocha.
De um lado a representação imagética pode cansar, confundir ou desagradar. Por outro, a ironia, metáfora e sarcasmo das falas são deliciosas de se ouvir.
Se algumas imagens fazem o espectador fechar os olhos de cansaço, as declamações de um rei decadente e insano não deixa ninguém piscar.
O resumo dessa aventura de Glauber em terras estrangeiras está na fala do próprio personagem: “é uma história sem pé nem cabeça, cheia de ruído e de fúria, contada por um idiota e que nada significa”.


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Torrent c/ legenda

segunda-feira, 4 de março de 2013

Top 10 - MARÇO


No dia 29 de março a cidade de Salvador comemora 464 anos.
Essa maravilhosa cidade, da qual eu sempre serei suspeito ao falar, não é apenas importante para o Brasil, como igualmente o é para o cinema nacional. Foi nas ruas, cineclubes e estúdios soteropolitanos que explodiu o Cinema Novo. Tal como na França e Itália, o Brasil vivia um movimento que oferecia ao cinema uma nova possibilidade de fazê-lo, pensá-lo, criticá-lo e vê-lo.
Das películas, do super-8 e do digital ficaram recortes de um tempo. É possível ver a evolução histórica da cidade, de sua arquitetura e de seu povo a partir dos filmes produzidos. É possível sentir a feira de São Joaquim, o elevador Lacerda, as ladeiras do Pelô e a baía de Todos os Santos em cada filme. É como se tudo fosse sensorialmente preservado e nada disso (filme e cidade) tivessem se deteriorado com o tempo – ainda que saibamos que ocorre justamente o contrário. É a magia do cinema contando a história de uma cidade melhor do que muitos historiadores e poetas seriam capazes de contar.
Abaixo listo 10 filmes (entre curtas, médias e longas) que contam um pouco a história do cinema, de Salvador, do cinema de Salvador.
Nem todos foram feitos por diretores baianos, mas todos possuem algo em comum: a cidade de Salvador não é apenas uma locação, mas é personagem essencial à obra.


Um dia na rampa (1957) – curta-metragem
Direção: Luiz Paulino dos Santos

“Um dia na rampa já era documentário de invenção, documentário poético e até documentário sensorial. É do tempo do moderno. É filme sinfonia, filme de Neorrealismo, filme de Cinema Novo. Um dia na rampa é dos precursores do Cinema Novo brasileiro.

Partiram para Um dia na rampa, aquela história de filmar a pé, carregando tudo nas costas, tempos heróicos do cinema brasileiro. Conseguiram pagar o copião, mas não conseguiam finalizar o filme. O dinheirinho acabou. Através de Martim Gonçalves, fundador da incrível Escola de Teatro da Bahia, conseguiram uma sessão do copião de Um dia na rampa para o Magnífico Reitor Edgard Santos, no antigo Cine Guarani. Magnífico conseguiu o dinheirinho que faltava. Lançaram o filme no Cinema Liceu, em sessão do Cineclube da Bahia. Vasconcelos Maia, cronista do Jornal A tarde, escreveu sobre o filme e acabou fazendo amizade com Luiz Paulino dos Santos. Vasconcelos Maia era obá e apresentou Paulino ao universo do candomblé. Dessa imersão, Luiz Paulino dos Santos desenvolve Barravento, mas essa é outra história.” (André Sampaio) 


Bahia de todos os Santos (1960) – longa-metragem
Direção: Trigueirinho Neto

“É um filme de autor, de ruptura, um filme carregado de equívocos, um filme que, mergulhado no social, foi estrangulado pela personalidade individualista de seu autor. Briguei e continuo a brigar porque considero Bahia de Todos os Santos uma ruptura com o cinema tradicional que se fazia no Brasil, tão importante, em 1959, como Rio 40 graus e Rio Zona Norte; como mais tarde Porto das Caixas e num plano especial Os Cafajestes. Trigueirnho Neto, violentamente apegado à desmistitifcação, se liberta das próprias noções do que vem a ser cinema e propõe, neste abstrato canto baiano, uma destruição do discurso cinematográfico” (Glauber Rocha)





A grande feira (1961) – longa-metragem
Direção: Roberto Pires

"Com A Grande Feira, os soteropolitanos estavam na platéia e, em larga medida, nas imagens projetadas na tela do cinema, fazendo desse filme a experiência de maior êxito de crítica e público do Ciclo baiano. Como bem observou o jovem crítico Caetano Veloso, esse filme de Roberto Pires criava a Bahia mais Bahia que o cinema já havia mostrado. Por esta relação complexa entre cinema-cidade-público transposta para o filme por seus realizadores, destaco aqui A Grande Feira como a produção mais representativa daquela sociedade que produziu o que considero a nova onda baiana.” (Maria do SocorroCarvalho)






SuperOutro (1989) – média-metragem
Direção: Edgard Navarro

“Inscrevi um roteiro chamado “Superoutro” e o filme foi negado. Entendi o recado: não vou pela minha poética, não vou pegar uma história com esse maluco, porralouca, maconheiro. Não vamos dar cartaz para esse cara ficar fazendo “O Rei do Cagaço” novamente. Cara cagando, sujando tudo, emporcalhando, iconoclasta. Vai ser iconoclasta na puta que o pariu.
Em seguida, o “Superoutro”. Tive dificuldade para terminar, porque a Embrafilme queria que fossem vinte e cinco minutos, mas o filme cresceu: passou para quarenta e cinco e eles não toparam dar a grana para finalizar. Consegui através da oposição a ACM [Antônio Carlos Magalhães], com o secretário de Fazenda no governo do Waldir Pires.” (Edgard Navarro)



Cidade Baixa (2005) – longa-metragem
Direção: Sérgio Machado


“O jeitinho calmo de falar do Deco é o meu, o desejo à tolerância - apesar da Bahia ser uma terra bem intolerante - que o filme fala eu conheço também, é a minha história.
Provar, mais uma vez, o que Sérgio Machado fala: quanto mais perto se olha para um ser humano, mais parecido com você ele é. Várias pessoas compartilham dessa opinião, e eu acho que este filme é muito bem-sucedido nisso. Se você passar esta história para outro lugar, com outra classe social, os sentimentos serão compreendidos da mesma forma. Tanto é que ganhamos o prêmio mais inesperado no Festival de Cannes, dado pela juventude porque não é um filme exatamente feito para jovens.
Ao mesmo tempo, foi uma prova de que esta história é universal pois o filme foi muito bem recebido, teve boas críticas e vendeu bem. É também muito legal o cinema brasileiro estar mostrando outra cara para o mundo diferente da violência urbana e questões sociais. Não que este filme não tenha, mas, junto com esses temas, vem um muito forte: o amor. Tanto que as cenas de briga são filmadas como se fosse sexo, como se estivessem fazendo amor.” (Lázaro Ramos)


10 Centavos (2007) – curta-metragem
Direção: Cesar Fernando de Oliveira
“O roteiro é de autoria de Reinofy Duarte, o argumento surgiu a partir de um sonho, depois a história foi elaborada tendo as locações como elemento motriz. O que mais me motivou a fazer o filme foi demonstrar que mesmo personagens que vivem a margem da sociedade, ainda lutam para ter dignidade. Sendo que o filme poderia se passar em qualquer lugar do mundo que tivesse problemas sociais parecidos com os nossos.” (Cesar Fernando de Oliveira)
Para assistir o filme no Porta Curtas, clique aqui.




Ó pai, ó (2007) – longa-metragem
Direção: Monique Gardenberg

“Tá tendo terremoto é? Que beleeeza! Vocês sabiam que terremoto é coisa internacional? Aí ó, mostrando o desenvolvimento galopante da Bahia, já pau-a-pau com o continente Europeu;  Você é Bahia é ou é Vitória, afro?; Vai aonde assim, toda bonita, parecendo jegue de lavagem?; Ô mainha.. deixa eu ir amarrar o mal; Ô meu irmão, não me chame de meu irmão não, viu meu irmão, porque eu não sou seu irmão; Reginaldo, o que você anda aglutinando?; Fique na sua aí, viu Muzena; Se feche, viu negão; Você é negro, você é negro, você é negro, você é negro, você é negro, você é negro, você é negro!; Quando a gente sua, não sua o corpo tal qual um branco, Boca?; Vá tomar no cu.” (Ó pai, ó)


O Guarani (2008) – curta-metragem
Direção: Cláudio Marques; Marília Hughes
“O Guarani diz respeito ao cinema que ficava na Praça Castro Alves e que está se transformando em várias salas pela varinha de condão da magia empresarial (se isto é possível). Mas tenho uma ligação afetiva com o cinema Guarany. Não seria exagerado dizer que passei minha vida dentro do Guarany e, entre todas as salas de Salvador, era a minha preferida. Desde pequeno, inaugurando minha cinefilia, e, em conseqüência, minha trajetória de cinéfilo soteropolitano (que depois pisaria em outras plagas), o Guarany, para mim, tinha um encanto particular. Da Praça Castro Alves, ou, como se dizia antigamente, do Largo do Teatro, sentia o cheiro do ar condicionado do cinema, que me inebriava, como uma madeleine proustiana. Gostava de chegar mais cedo somente para ficar sentado na bela sala de espera, olhando os filmes anunciados para breve e aguardem, maravilhado com sua bombonière com os drops enfileirados, tudo muito arrumado, balas, jujubas, chicletes - longe, muito longe, da bagunça do hoje, dos baldes imensos de pipocas, dos refrigerantes 750ml post mix, das guloseimas, etc.
Com a decadência galopante do centro histórico da cidade e a abertura das avenidas de vale e, principalmente, a construção dos shoppings centers, os cinemas do centro foram entrando em decadência. Neste período, em 1982, uma Jornada foi toda concentrado nesse cinema, com grande êxito, aliás. O Guarany passou a ser administrado por esta empresa e vem daí, talvez, sua decadência. 
E a lembrança do Guarany leva, necessariamente, à lembrança do Bar e Restaurante Cacique, lugar ideal para uma cerveja gelada ‘a las cinco de la tarde’, após uma ‘matinée’.” (André Setaro)
Para assistir o filme no Porta Curtas, clique aqui.


A morte de Quincas Berro D´água (2010) – longa-metragem
Direção: Sérgio Machado
“Só tem que chorar a morte quem morreu sem ter vivido” (Quincas Berro D´água)











Jardim das folhas sagradas (2011) – longa-metragem
Direção: Pola Ribeiro
Cosi euê
Cosi orixá
Euê ô
Euê ô orixá

Sem folha não tem sonho
Sem folha não tem festa
Sem folha não tem vida
Sem folha não tem nada

Eu guardo a luz das estrelas
A alma de cada folha
Sou aroni



Download:

* Pacote de torrents de todos os filmes, exceto os curtas "10 Centavos" e "O Guarani", que podem ser vistos pelo PortaCurtas.