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quarta-feira, 31 de julho de 2013

70 - Vinhas da ira (The grapes of wrath) – Estados Unidos (1940)


Direção: John Ford
Após cumprir pena por homicídio, Tom Joad volta para casa onde encontra a propriedade de sua família arrasada pelo clima e pela ganância dos bancos. Com pouco potencial de trabalho no horizonte da poeira de Oklahoma, toda a família empacota suas coisas e parte para a terra prometida: a Califórnia. 

“Vinhas da Ira” ou “No dia em que Hollywood ficou vermelha”.

Esse clássico de John Ford (cuja obra literária é de John Steinbeck) é ousado por tocar em tabus do império estadunidense. Famílias destroçadas pela ganância dos bancos? Onde já se viu! Se viu, por exemplo, na recente crise das hipotecas, onde famílias perderam suas casas por conta de um sistema financeiro e econômico daninho e perverso.

Polícia oprimindo trabalhadores? Como pode?

O Estado financiando fazendas coletivas, com condições dignas de trabalho e cuja gestão é eleita pelos próprios moradores/trabalhadores? E ainda por cima com bailes aos sábados? Quem esse John Ford pensa que é? Do MST?

Queria voltar no tempo para ver a reação dos cidadãos dos Estados Unidos ao verem esse filme. E fico imaginando Alexandre Garcia tecendo uma crítica sobre ele e o Arnaldo Jabour comentando.


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segunda-feira, 29 de julho de 2013

69 - O divo (Il divo) – Itália (2008)


Direção: Paolo Sorrentino
Calmo e impenetrável, Giulio Andreotti, líder do Partido da Democracia Cristã, representa o poder na Itália há quatro décadas. Com quase 70 anos de idade, Andreotti se encaminha ao sétimo mandato consecutivo como Primeiro Ministro. Sem temer nada nem ninguém, gerencia o país em completa simbiose com o poder imutável dos velhos governantes. Desta forma, batalhas eleitorais, atentados terroristas ou acusações comprometedoras vêm e vão sem atingi-lo. Até que o contra-poder mais forte da Itália, a Máfia, decide declarar guerra a ele. 


Se peneirasse esse filme, quatro elementos se destacariam facilmente: Paolo Sorrentino, Toni Servillo, Giulio Andreotti e a trilha sonora.

Começando pela trilha: um prazer à parte. Clássico, pop e moderno interagindo brilhantemente com cada cena. Às vezes, parecia até um videoclipe. Em outros momentos, o próprio personagem sutilmente (e brilhantemente) dialogava com a música. Até samba tem.

Guilio Andreotti: uma espécie de Berlusconi atual. Um ACM, um Sarney, só que muito mais poderoso e um pouco mais mafioso. Um dos donos da Itália. Uma figura interessantíssima, que sambava com a Máfia, com a Igreja, com o Parlamento, com o Judiciário. Uma figura, que revela uma rede de poder, corrupção e crimes assustadores, sobretudo se considerar que a Itália deveria ser um país desenvolvido politicamente. Andreotti morreu alguns anos depois do lançamento do filme. Certamente viu a sua vida sendo representada no cinema. Provavelmente deve ter tido uma crise existencial e desejado matar os realizadores do filme.

Toni Servillo: simplesmente brilhante no papel.

Paolo Sorrentino: com apenas um filme (As Consequências doAmor) se tornou um dos meus diretores preferidos. Agora, definitivamente ele o é. Sorrentino trabalha cada cena com uma dedicação impressionante. Como um amante que, casado há alguns anos, ainda busca apaixonar seu amor a cada dia. Um dia para completar o todo. Uma cena para fazer valer o filme inteiro. Cada sequencia é especial para Sorrentino. Ele se dedica e o resultado é notado facilmente. Na posição de sua câmera, no caminhar dela, no seu plano perfeito, na sua mise-em-scene. Cada sequencia – e não é exagero – é pensado delicadamente, extraindo dela todo o potencial que ela tem.


Il Divo é um tipo de filme que tem tanta coisa boa agregada, que dá gosto de ver.


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domingo, 28 de julho de 2013

68 - Moscou (Moscou) – Brasil (2009)


Direção: Eduardo Coutinho
Em Belo Horizonte, o Grupo Galpão aceitou o desafio de montar, ao longo de três semanas de ensaios, a peça teatral “As três irmãs”, de Tchekhov.

Eduardo Coutinho tem a principal característica de um gênio: a imprevisibilidade. Tal como os craques de futebol. Tal como, por exemplo, um Petkovic, do Vitória, de 1998 e 1999. Com Pet era assim: você pensava que ele ia chutar com a direita, ela deixava a bola correr e pegava de canhota; você achava que ele ia cruzar o escanteio no primeiro pau e ele fazia um gol olímpico; você achava que ele ia chutar de fora, mas ele entrava na área driblando um, dois e fazia o gol; você achava que ele cobraria a falta no canto do goleiro e ele botava por cima da barreira. Gênio!

Coutinho é assim. Ele sai do aterro de lixo (Boca de Lixo) e sobe a favela (Santo Forte) mais de dez anos depois de ter subido Santa Marta (Santa Marta – duas semanas no morro). Em um, ele pagava um cachê simbólico aos moradores (o que testava a própria credibilidade de uma obra documental), no outro ele falava de religião, expondo a religiosidade de seus personagens de uma forma bastante particular. Aí você achava que ele ia pular para outro cenário, e ele continuava na favela (Babilônia 2000). Coutinho permanecia no morro, ouvindo seus moradores, mas trocando a pauta “religião” por “novo milênio”, o que dava ainda mais liberdade de fala aos entrevistados e gerava uma riqueza e um experimento ainda maior.

Aí você achava que ele ia mergulhar ainda mais no universo periférico, ele descia o morro e subia os elevadores de um prédio de classe média (Edifício Master). A câmera mais paradinha, a voz do diretor mais presente, a narrativa radicalmente mais fragmentada. Dos anos 2000, do morro e asfalto do Brasil atual, Coutinho voltava no tempo para tentar compreender melhor o presente (Peões). O fio condutor, portanto, não era mais os comentários sobre o presente, nem as expectativas do futuro, mas a memória.

Daí, do nada, Coutinho pega a estrada e vai para um lugar ao léu, sem roteiro, sem saber onde vai dormir, sem saber direito como começa e muito menos como termina (O Fim e o Princípio). E quando você achava que o diretor iria radicalizar cada vez mais a construção narrativa e a estética documental, ele vai pro teatro (Jogo de Cena). Lá, ele brinca de “ ‘verdade’ ou ‘mentira’?" . Deixa a câmera mais quieta, entra em cena e chuta o pau da barraca para revelar que tudo na vida parte de representações e o documentário não mostra a realidade, mas sua representação dela.

E quando você achava que Coutinho desceria do palco para desconstruir ainda mais o cinema documentário, ele resolve fazer Tchékhov e reconstruir o documentário (Moscou). Uma peça dentro do filme ou o filme dentro da peça?

Aqui, ele continua brincando de fazer cinema, com uma propriedade invejável, digna de grandes mestres. A pergunta “até onde é documentário, até onde é ficção”, feita em muitas de suas obras, já aparece superada. Agora, a sensação é de estar diante de um novo gênero, ainda inexplicável e muito menos rotulável.

Em um passeio soviético, Coutinho se apropria do texto de Tchékhov para impulsionar sua narrativa; do cinema olho de Vertov para guiar sua câmera; e da montagem de Eisenstein para dar sentido à sua obra e torna-la única e autoral. A impressão é que nada disso foi coincidência e, portanto, não haveria nome melhor para o filme do que simplesmente: Moscou.

Ai, esses gringos!


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

67 - O Orador (O le tulafale) – Samoa (2011)



Direção: Tusi Tamasese
Um curioso retrato da cultura samoana, o filme conta a história do agricultor Saili. Ele e sua família procuram viver de modo reservado e por isso evitam o contato com outras pessoas da vila. Quando um fato inesperado ocorre, Saili terá que assumir um papel desafiador para conquistar o respeito de sua comunidade.


Que aperto no peito! Que nó na garganta! Que Samoa! Que lindo!


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terça-feira, 23 de julho de 2013

66 - Morangos silvestres (Smultronstället) – Suécia (1957)


Direção: Ingmar Bergman
Professor aposentado faz viagem até Estolcomo para receber um prêmio pela carreira. Durante o percurso ele tem um pesadelo que desencadeia recordações de uma série de episódios de sua longa vida.

De uma sensibilidade enorme. De uma beleza envolvente. E de uma técnica cinematográfica sutil e certeira.
Bergman e seus passados, suas lembranças, suas discussões religiosas e filosóficas.
O diretor consegue em um mesmo plano, ou em tempos distintos, pôr o velho e o novo lado a lado. As angústias do passado com a vitalidade da juventude. Aquilo que não tem mais jeito e a maturidade de encarar o que ainda resta.

Um filme belo e sereno.


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quinta-feira, 18 de julho de 2013

65 - Nascido para matar (Full Metal Jacket) – Estados Unidos (1987)


Direção: Stanley Kubrick
Filme que retrata o duro treinamento dos soldados norte-americanos antes de irem para a guerra do Vietnã e suas reações no local, durante as batalhas.

- Que broche é esse no seu uniforme?
- Um símbolo de paz, senhor.
- Onde arrumou isso?
- Não me lembro, senhor.
- O que está escrito no capacete?
- ''Nascido para matar'', senhor.
- Escreve ''nascido para matar'' e usa um broche de paz? É uma brincadeira de mau gosto?
- Não, senhor.
- O que quer dizer?
- Não sei, senhor.
- Não sabe muita coisa.
- Não, senhor.
- É melhor entrar na linha, ou vou comer o seu rabo!
- Sim, senhor.
- Responda a minha pergunta, ou assuma as conseqüências.
 - Refiro-me a dualidade do homem, senhor.
- Dualidade?
- Teoria junguiana, senhor.
- De que lado está?
- Do nosso lado, senhor.
- Ama seu país?
- Sim, senhor.
- Faça seu trabalho. Junte-se a nós e vamos vencer isso.
- Sim, senhor.
- Meus fuzileiros me obedecem como se obedecessem a Deus. Ajudamos os vietnamitas, porque dentro de cada um há um americano tentando sair. É um mundo cruel, filho. Temos de ficar frios até que passe essa onda de paz.

- Sim, senhor.


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terça-feira, 16 de julho de 2013

64 - Viajantes e Mágicos (Travellers and Magicians) – Butão (2003)


Direção: Khyentse Norbu
Dondup, morador do interior do Butão, tem a chance de ir para os EUA se conseguir chegar na capital de seu país em dois dias. Depois de perder o ônibus, ele pega carona com um grupo exótico de personagens, que o acompanharão na jornada.

Butão! Um país que somente há cinco anos saiu de uma monarquia absolutista para uma monarquia constitucional. 38 mil km2 e uma população que não chega nem a 1 milhão. 90% de seus habitantes vivem da agricultura. Entre a China e a Índia, ele está lá, com suas montanhas e florestas belíssimas.

Viajantes e Mágicos nos proporciona uma amostra grátis das belas paisagens de Butão e da cultura de seu povo. É, portanto, um filme que já atrai por apresentar ao espectador um cinema totalmente desconhecido, de um país que muita gente nem deve saber que existe.

Mas, além disso, ele é muito bem produzido. O “road movie” vai agregando personagens de diferentes personalidades e objetivos. E com tantas dificuldades e esperanças eles vão seguindo viagem. Por fim, o espectador percebe que não foram apenas os personagens que viajaram. A bela fotografia, de belíssimas paisagens, é uma viagem à parte.


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sábado, 13 de julho de 2013

63 - Não por acaso (idem) – Brasil (2007)


Direção: Philippe Barcinski
Ênio é um engenheiro de trânsito que comanda o fluxo de carros em São Paulo. Mônica, sua ex-mulher, mora com Bia, sua filha que nunca se encontrou com o pai. Teresa está se mudando para ir morar com seu namorado Pedro. Um acidente conectará a vida de todos.

Sempre tem um filme nacional de qualidade escondido por aí.
Não por acaso pode ser um pouco confuso, mas é capaz de desenvolver alguns elementos de forma muita precisa. Como, por exemplo, as cenas vistas por uma perspectiva de cima para baixo, sejam nas jogadas de sinuca, sejam no movimento do tráfego urbano.
Tais planos, muito bem elaborados, casam bem com a proposta do diretor de trabalhar o acaso, o caos e suposto poder de controlá-lo.
Mas, nem tudo é perfeito. O roteiro começa bem, mas vai perdendo força, culminando em um desfecho superficial, com muitas coisas sugeridas e que ficaram em aberto pela falta de um maior desenvolvimento da história de seus personagens.

De uma forma geral, Não por acaso, é um bom filme, irregular em alguns aspectos, mas bem feito em outros.


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domingo, 7 de julho de 2013

62 - Manhattan (Manhattan) – EUA (1979)


Direção: Woody Allen
Homenagem de Woody Allen à Manhattan, filmado em preto e branco, e conta a história de um quarentão em crise de relacionamento, que se vê envolvido com uma jovem de 17 anos, sua ex-mulher e a amante de seu amigo.

Ao começar a ver, pensei “Annie Hall”. Não é coincidência que essa obra precedeu Manhattan. Assim como em seus filmes recentes, Woody Allen preserva muita coisa de um filme pra outro. Às vezes, sendo até repetitivo e pouco criativo.

No entanto, tem uma coisa que sempre será original: as ótimas sacadas do diretor. Um gesto aqui e uma fala acolá, que são típicas de Woody Allen. Como aquela piadinha que qualquer um gostaria de ter tido a ideia de dizer, ou determinada ironia que vale à pena escrever num papel, para tentar lançá-la em algum momento oportuno da vida.

Manhattan é cheio dessas piadinhas originais, como também é cheio de traços que Allen repetiria em diversos outros filmes, inclusive os atuais.


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sexta-feira, 5 de julho de 2013

61 - Star Wars: Episódio IV – Uma nova esperança (Star Wars) – EUA (1977)



Direção: George Lucas
Luke sonhe em ir para a Academia, mas se vê envolvido em uma guerra intergaláctica, quando descobre que a princesa Leia está presa por um grupo que pretende construir uma gigantesca estação espacial com capacidade para destruir um planeta. Ao lado do jedi Obi-Wan Kenobi, do mercenário Han Solo e de seus amigos robôs, ele irá tentar salvar a princesa Leia e seu planeta.

Mais um da série “Eu nunca...”.

Dispensa qualquer tipo de comentário.


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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Top 10 - JULHO


A metalinguagem é recorrente no cinema. Ela, por si só, já é uma forma de homenagear a sétima arte. É um jeitinho que o cineasta tem de compartilhar suas referências e apresentar suas próprias experiências com o ofício. Os grandes diretores sempre arranjam um jeito de mostrar o filme dentro do filme, seja em uma cena, uma fala ou dedicando toda a sua obra ao próprio cinema.

Assim, o Top 10 de Julho é dedicado ao cinema. Aos filmes que falam de filmes, que falam de filmes...


Cantando na chuva (Singin´in the rain) – Estados Unidos (1952)
Direção: Stanley Donen, Gene Kelly
O som no cinema: a revolução. E para brincar com essa fase especial da história cinematográfica – a passagem dos filmes mudos para sonoros – nada melhor do que um musical. Aliás, “o” musical. Ironicamente, muitos dos atuais espectadores acabam sendo levados para esse filme a partir do som, de sua música, de “cantando na chuva”, de Gene Kelly pendurado no poste, segurando o guarda-chuva fechado e tomando um delicioso banho ao ar livre. É o adeus ao cinema mudo e as boas-vindas a mais um sentido da sétima arte.



Oito e meio (8 1/2) – Itália (1963)
Direção: Frederico Fellini
Fellini por Fellini. A auto-representação de um diretor em crise consigo mesmo. O autor e o seu cinema particular. A mão de Fellini, o corpo de Marcello Mastroianni, as lembranças e fantasias de um personagem. O filme é um presente dado por Fellini a si mesmo. E Fellini é um presente que o cinema nos deu.







O Desprezo (Le mépris) – França (1963)
Direção: Jean-Luc Godard
Mil e uma referências nesse filme. Quando as identifica, a obra fica ainda mais rica e interessante. Mas, além disso, é uma verdadeira homenagem de Godard à literatura, a cineastas, aos clássicos gregos, aos aficcionados por Brigitte Bardot e, claro, ao cinema. Um roteirista, um diretor, um produtor e uma missão: realizar um épico.






A noite americana (La nuit américaine) – França (1973)
Direção: François Truffaut
Um dos melhores filmes de Truffaut. Ou o pior filme de Truffaut. A noite americana é um capítulo à parte na história do cinema. Uma ponta de um iceberg. Foi o filme que acirrou ainda mais a briga entre os ex-amigos Truffaut e Godard e tornou a reconciliação impossível. Em carta, Godard chamou o colega de mentiroso. Truffaut respondeu: “invejoso e ciumento”. O mais importante é que, no meio desse fogo cruzado, ficou um filme que homenageia o cinema, revela o seu set de gravações e os profissionais que nele trabalham. A polêmica só amplia a áurea da obra.



Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso) – Itália (1988)
Direção: Giuseppe Tornatore
Dizer que esse filme é um presente para o cinema é muito pouco. Ele é um tesouro da humanidade. A obra possui uma sensibilidade rara de se alcançar. É a beleza saltando aos olhos. É a penetração na camada mais profunda da alma humana. São nossas vidas passando por um negativo. São as lágrimas escorrendo pelo sorriso. É Ennio Moriconne acariciando os ouvidos. Cinema Paradiso é uma prova de amor ao cinema. E os beijos são a síntese desse mais puro sentimento.




Boogie Nights – prazer sem limites (Boogie Nights) – Estados Unidos (1997)
Direção: Paul Thomas Anderson
Uma incursão aos bastidores da indústria pornô. Loiras siliconadas, atores “bem dotados”, drogas, dinheiro, vícios, virtudes e vaidade. Luz, câmera e muita ação. Parece banal, mas não é. O segredo: Paul Thomas Anderson! E seus atores. E um jeito de fazer cinema que só ele sabe fazer. Filme pra rir, se espantar, se excitar e se apaixonar ainda mais pelo cinema.






Os Picaretas (Bowfinger) – Estados Unidos (1999)
Direção: Frank Oz
Uma comédia, com a sutileza e graça de Frank Oz, e uma atuação divertidíssima de Eddie Murphy. Os Picaretas é a forma hollywoodiana de rir da própria Hollywood. É o bom humor para criticar a pendenga dos produtores decadentes, o glamour das celebridades, os roteiros esdrúxulos, as macacadas dos efeitos especiais nas cenas de perseguição e, por que não dizer, a idiotização do próprio público, que consome qualquer porcaria que se promova no mercado. É pra ver e rir!




Adaptação (Adaptation) – Estados Unidos (2002)
Direção: Spike Jonze
Um dos que assinam o roteiro é Charlie Kaufman. Charlie Kaufman também é o nome do personagem interpretado por Nicolas Cage. Nicolas Cage também tem dois personagens no filme. Confuso? Muito. Esse é um filme extremamente desequilibrado, insano. Como se fosse uma representação da mente de um roteirista angustiado. Mas, no final das contas, a ironia ao “cinema fácil” prevalece. Todo aspirante a cineasta deveria ver essa obra, nem que fosse para chegar a uma conclusão tão simples, quanto correta: todo filme, para dar certo, tem que ter alguma cena de violência e de sexo. Duvida? Então, assista.


Dirigindo no escuro (Hollywood Ending) – Estados Unidos (2002)
Direção: Woody Allen
O cinema e suas ironias. Um diretor que, inesperadamente, fica cego. Abre o plano, corta pra cá, o que foi isso? Seguem as filmagens, vira pro lado, muda pra lá, o quê que tá acontecendo aqui? O resultado: um filme que talvez Hollywood não goste, mas que os franceses acharão cult. Olharão aquela cena em que os atores estão fora do plano e pensarão: esse diretor é um gênio. Não, ele só é cego. Woody Allen em grande forma, mais uma vez brincando com o cinema.




Saneamento Básico – o filme (idem) – Brasil (2007)
Direção: Jorge Furtado
O cinema brasileiro nos dias atuais. O modelo de financiamento, o argumento, o roteiro, as filmagens, a edição e a exibição. A “ode ao cinema”, versão brasileira. Filmado em um lugar lindo (Monte Belo! Pertinho de Bento Gonçalves!), com uma trilha sonora italianescamente deliciosa (Piangi con me!), atores de primeira (Lázaro e Wagner!) e personagens adoráveis (Oi, Silene Seagal, aonde você vai tão bo-nita?). Afinal de contas, cinema é tão importante quanto saneamento básico.






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