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domingo, 29 de setembro de 2013

90 - O beijo da mulher aranha (Kiss of the Spider Woman) – Brasil (1985)


Direção: Hector Babenco
No presídio de um país latino-americano, dois prisioneiros ensaiam uma difícil convivência. Um deles, Molina, é um homossexual condenado por corrupção de menores. O outro, Valentin, é um militante político, torturado diariamente pelas autoridades que desejam obter informações sobre suas atividades de resistência ao Regime.

O filme, por si só, já representa uma diversidade. É diretor argentino, fazendo filme brasileiro, com atores que falam em inglês.

De uma ousadia histórica. Muito do que se faz hoje no cinema, numa tentativa de naturalizar a sexualidade e mostrar que o ser humano deve ser respeitado, independente de com quem ele vai pra cama, se encontra em O Beijo da Mulher Aranha.

Muito do resgate político da nossa história também está lá.

Fico só imaginando como foi a repercussão dessa obra, em 1985. Será que apareceu algum deputado-pastor com uma melancia na cabeça clamando por moralidade e prometendo o inferno aos que trabalharam no filme?

Seja lá qual foi a voz que se levantou contra a obra de Babenco, certamente foi contra o respeito ao outro e a possibilidade de um relacionamento admirável, envolvendo dois homens totalmente diferentes.


sábado, 28 de setembro de 2013

89 - Rashomon (Rashômon) – Japão (1950)


Direção: Akira Kurosawa
Jovem é estuprada e assassinada numa floresta. Quatro testemunhas apresentam seus pontos de vista, a fim de que se chegue ao que e como de fato tudo ocorreu. 

Kurosawa e a arte de contar uma mesma história, a partir de diferentes versões, e diversos pontos de vista.

E, em cada uma delas, uma nova emoção revelada, verdades camufladas e mentiras relativizadas. Sempre, com novas possibilidades.


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terça-feira, 24 de setembro de 2013

88 - Outubro (Octubre) – Peru (2005)


Direção: Daniel Veja Vidal; Diego Veja Vidal
Clemente é um homem tímido, dono de uma loja de penhores. Sua vizinha Sofia, uma mulher solteira, o vê como a única esperança de sair da solidão. Todo mês de outubro, ela é devota do culto de Nosso Senhor dos Milagres. Um dia, Clemente descobre na porta de sua casa um bebê recém-nascido, fruto de sua relação com uma prostituta que desapareceu. Enquanto ele procura pela mãe da criança, Sofia começa a tomar conta do bebê.

No final das contas, todo mundo precisa de alguém. Precisa cuidar e ser cuidado. Independente da idade, dos valores morais e da personalidade. Uma hora, a hora chega. E só o orgulho pode pôr tudo a perder.

No final das contas, todo mundo é um pouco criança. Ou, pelo menos, precisa de uma para recuperar valores que a dureza da vida vai deixando pra trás.


Não é a toa que outubro é o mês delas!


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domingo, 22 de setembro de 2013

87 - A Aura (El Aura) – Argentina (2005)


Direção: Fabián Bielinsky
Dois amigos viajam para uma cidade isolada do interior, para caçar. Mas um acidente acontece, desencadeando uma série de descobertas perigosas.

Uma pena que o Fabián Bielinsky tenha morrido tão cedo. Poderia ter se tornado um dos bons roteiristas argentinos da atualidade.

Em Nove Rainhas ele criou uma ótima história, com um roteiro dos mais inteligentes e divertidos. Em Aura, o roteiro ficou alguns degraus abaixo, mas ainda assim foi muito bem bolado. Enveredando, porém, para um clima de mais ação e suspense.


Já Darín, está no dois filmes do diretor – como também costuma estar em 11 de cada 10 filmes argentinos. E sempre sendo um diferencial para a obra. Mas, dessa vez, quem realmente fez a diferença foi o cachorro e seu olhar dos mais expressivos.


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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

86 - Rocco e seus irmãos (Rocco i suoi fratelli) – Itália (1960)




Direção: Luchino Viconti
Cinco irmãos e mãe viúva partem para a cidade grande em busca de novas oportunidades. No local, cada um segue rumo diferente.


Nenhum cinema representa melhor a família do que o italiano.

E Rocco é uma síntese belíssima da vida de cinco irmãos, com suas diferenças, destinos e tragédias.

Um filme, cuja sensibilidade das histórias e dos personagens retroalimenta a estética da obra.

E, apesar de todos os problemas, é impossível não se apaixonar pela família italiana.



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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

85 - A viagem para o mar (El viaje hacia el mar) – Uruguai (2003)


Direção: Guillermo Casanova
Um grupo de cinco moradores de uma cidadezinha no interior do Uruguai e um forasteiro partem para conhecer o mar.

Deve ser uma das experiências mais marcantes de um ser humano ver o mar pela primeira vez. Nunca tive, nem nunca terei essa experiência. Já conheço. Antes de falar ou andar eu já me banhava nas águas de Iemanjá. Sempre tive o maior litoral do meu país à minha disposição. Infelizmente, morrerei sem saber o que sente quem o vê pela primeira vez.

Talvez seja uma experiência semelhante à de quem conhece e toca na neve. Essa eu já não tenho, mas um dia terei.

Parecida, mas creio que nem se compara, foi quando eu avistei o rio de la Plata, na praia de Pocitos, no Uruguay.


E, no Uruguay, é que foi produzido “El viaje hacia el mar”. Uma obra simples, leve. Ideia, atores e paisagens excelentes, mas um roteiro um pouco falho. Um filme fraco tecnicamente, mas que preserva o seu encanto. O encanto daqueles que experimentam o ineditismo e a “inexplicação” que só a natureza proporciona. E como a própria película diz: "la magia está en el camiño".


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sábado, 14 de setembro de 2013

84 - Agua fria do mar (Agua fria de mar) – Costa Rica (2010)


Direção: Paz Fabrega
No feriado de Ano Novo, Mariana e Rodrigo, jovem casal costariquenho, seguem de carro para a costa do Pacífico. Tarde da noite, enquanto procuram abrigo, encontram Karina, uma menina de sete anos que mora próxima à praia. No dia seguinte, o casal descobre que Karina sumiu e a praia está inundada de cobras marinhas venenosas, expulsas do mar por uma corrente de água gelada.

Um filme para se ver com uma sobrancelha levantada, o dedo indicador abaixo do nariz e o polegar no queixo. Ou seja, com uma cara de: o que isso significa? O que isso quer dizer? Qual o objetivo disso? Onde a diretora quer chegar? Como assim?

Mas também com um sorriso sereno: que lugar lindo! Que menina esperta! Que coisa engraçada!


Se, ao final, a face fica mais tensa ou mais relaxada, aí depende de cada espectador.


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terça-feira, 10 de setembro de 2013

83 - Terra (Zemlya) – Ucrânia (1930)


Direção: Aleksandr Dovjenko
O filme conta a história de uma comunidade rural que vive em uma fazenda na Ucrânia e que passa a contestar a exploração em que estão submetidos.

1917: ano da Revolução Russa. Como não poderia deixar de ser, o cinema também é contagiado pela ideologia comunista, que prometia romper as tradicionais relações de exploração do homem pelo homem.

Terra, filme ucraniano (União Soviética), de 1930, é a perfeita tradução do panfleto comunista para convencer as massas camponesas de que a luta pela Reforma Agrária, a libertação da condição de explorado e derrubada das elites latifundiárias era algo urgente e necessário. A obra de Dovjenko é uma pequena pérola do cinema mundial, pois de um lado capta uma passagem importantíssima da história mundial do século XX, dentro do olho do furacão, no calor do momento. E, por outro, presenteia o cinema com um filme ousado, sobretudo nos extraordinários 15 minutos finais, onde cenas de delírio, contestação de um deus, montagem frenética e nu feminino total revelam um progressismo estético surpreendente para um cinema que era ainda jovem.


Uma preciosa relíquia do cinema, independente da ideologia política do quem o assiste.


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domingo, 8 de setembro de 2013

82 - Luz silenciosa (Stellet Licht) – México (2007)


Direção: Carlos Reygadas
Johan e sua família moram no norte do México. Eles são praticantes de uma seita protestante derivada do cristianimso chamada menonite, que prega vida simples e se nega ao batismo. Há ainda muitas outras regras. E contra todas elas, inclusive de Deus e do homem, Johan - marido e pai - se apaixona por outra mulher.

Daqueles filmes que dependem do grau de sensibilidade do espectador, no ato da exibição.

Onde não se pode ser impaciente durante os longos planos e silêncios. O filme tem o seu tempo. Ou o espectador se encaixa no ritmo dele, ou é melhor abandoná-lo logo de cara. As primeiras cenas servem como bons testes. Se você for tocado pelo plano inicial e depois conseguir esperar o término da oração sem perder a paciência, então prepare-se para um filme que mexerá com seus sentidos. Caso contrário, pule para o próximo filme de sua lista.


Para quem já assistiu A Palavra, não faltarão referências. Arrisco a dizer que Luz Silenciosa é uma versão moderna do clássico de Carl Theodor Dreyer. Ainda que, a princípio, “Palavra” se contraponha ao “Silêncio”.


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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

81 - Marighella (idem) – Brasil (2012)


Direção: Isa Grinspum Ferraz
Maior nome da militância de esquerda no Brasil dos anos 60, Carlos Marighella atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil entre os anos 1930 e 1969 e foi considerado o inimigo número 1 da ditadura militar brasileira. Líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor do mundialmente traduzido "Manual do Guerrilheiro Urbano", sua vida foi um grande ato de resistência e coragem. Dirigido por sua sobrinha Isa Grinspum Ferraz, o longa-metragem Marighella é uma construção histórica e afetiva desse homem que dedicou sua vida a pensar o Brasil e a transformá-lo através de sua ação.

Dizem que o mundo dá voltas, que determinadas modas sempre viram tendências novamente e que certos condenados a História absolverá. Pois bem. Décadas depois a história do baiano Carlos Marighella está voltando à tona, repaginada, re(escrita) por várias mãos, que tentam lhe conceder um mérito que a “história oficial” e a memória do povo nunca lhe concederam.

De Isa Ferraz nasce esse documentário sentimentalista e pessoal, que não se perde muito em causos ou polêmicas e se fixa no resumo de vida de Marighella, contada sobre a perspectiva de seus familiares e companheiros de luta. Um tanto superficial, mas uma ótima porta de entrada para aqueles (sobretudo os mais jovens) que desejam conhecer melhor quem foi essa figura que marcou o seu lugar na história do Brasil.

No dia 13 de agosto, uma sessão na Câmara dos Deputados, fez a devolução simbólica do mandato de deputados cassados em 1948, quando o Partido Comunista foi levado à clandestinidade. Dentre eles, foram homenageados os baianos Jorge Amado e Carlos Marighella.

No seu último CD, Abraçaço, Caetano Veloso inseriu a faixa “Um Comunista”, canção feita em homenagem a Marighella.

Durante a ocupação na Câmara de Vereadores de Salvador, promovida pelo Movimento Passe Livre, lá esteve exibida por diversos dias uma bandeira com a imagem de Marighella. Era o seu rosto estampado na frente do poder Legislativo da cidade, em pleno Centro Histórico de Salvador.

Eventos surgem aqui e ali, como a recente exposição fotográfica realizada por estudantes da UFBA, dedicada à Marighella, com direito à exibição de um vídeo produzido por eles e o relançamento do documentário.

No futebol, um grupo de torcedores do Vitória, denominado Brigada Marighella, já está confeccionando a sua bandeira em sua homenagem, que deverá tremular nas arquibancadas do Barradão a partir dos próximos jogos.

Em breve o também baiano e torcedor do Vitória Wagner Moura irá dirigir uma ficção sobre Marighella, produzido pela O2 de Fernando Meirelles e baseado no livro “Marighella – o guerrilheiro que incendiou o mundo”, do escritor Mário Magalhães.

E em uma das recentes passeatas realizadas em Salvador, uma parada especial: o monumento em homenagem ao deputado (e filho de ACM) Luiz Eduardo Magalhães, localizado em uma das principais avenidas da cidade. Na oportunidade, os manifestantes substituíram a placa que homenageava Luiz Eduardo Magalhães por uma simbólica, homenageando Carlos Marighella. No ato, uma canção para descontrair:
“Eu quero homenagear
A minha cidade tão bela
Tira Luiz Eduardo
Bota Carlos Marighella”


E assim a História vai aprontando das suas, sendo escrita e reescrita, vista e revista, voltada e revoltada!


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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Top 10 - SETEMBRO


3 de setembro. Há exatos 73 anos nascia Eduardo Galeano, um dos maiores latino-americanos da nossa História.

Em comemoração ao seu aniversário, o Top 10 de Setembro é dedicado a ele. E, por consequência, à América Latina.

Continente esse que “nasce” fadado à pobreza, por conta de suas riquezas. Seus metais e bens naturais a tornou vítima de séculos de roubo, expropriação e estupro cultural. Sua independência não a fez independente, passando apenas de uma mão para outra: os termos “colono” e “colônia” foram substituídos por “credores” e “devedores”. Ou seja, a América Latina “nasce” de um roubo e herda, de sua independência, uma dívida externa que a mantém dependente.

Passam-se décadas e o continente é assolado por golpes militares. Passam-se anos e é devastado pelas políticas neoliberalistas de seus governos. Chega o novo século e, com ele, a promessa de tempos melhores.

E cá estamos nós. Latinoamericanos! Vivenciando um momento único da história do nosso continente, que parece produzir um momento único a cada década. Certamente estamos em um momento melhor do que antes, mais promissor e esperançoso, mas ainda longe do que merecemos.

América Latina: decifra-te ou te devoram.

E não há quem a decifre melhor do que Eduardo Galeano. Ler suas obras e ouvir seus depoimentos nos permite compreender melhor quem somos, de onde viemos, para onde vamos e por que ainda vale à pena sonhar.

Que hoje seja só mais um, de mais alguns aniversários que esse uruguayo comemore.

Assim, o Top 10 de Setembro homenageia ele: Eduardo Galeano. E ela: América Latina.

PS – Post especialmente dedicado a Iury, Soli, a los hermanos que visitán a esse sitio, e a todos os que se sintam contemplados.




Guantanamera (Guantanamera) – Cuba (1995)
Direção: Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabío
Contra Cuba se aplica una lupa inmensa que magnifica todo lo que allí ocurre cada vez que conviene a los intereses enemigos, llamando la atención sobre lo que pasa en la revolución, mientras la lupa se distrae e no alcanza ver otras cosas importantes y que los medios de comunicación no hacen por informar.*







Buena Vista Social Club (Buena Vista Social Club) – Alemanha (1999)
Direção: Wim Wenders
Em realidade scribo cuando me pica la mano. Y quiero contar porqué. Esto se lo escuché una vez a un negro tamborero de Santiago de Cuba, hace muchos años. Eran como las tres de la mañana y llevaba tocando muchas horas, entonces le pregunté cómo lo hacía. Al tambor le arrancaba voces, llantos, risas, era impresionante, el tipo era un mago. Él me respondió: Yo toco cuando me pica la mano. Me pasa lo mismo, escribo cuando me pica la mano, no obedezco ninguna orden, ni las de afuera ni las de adentro. No escribo por cumplir, sino cuando me pica la mano.



Amores Brutos (Amores perros) – México (2000)
Direção: Alejandro González Iñárritu
Ainda que não possamos adivinhar o futuro, sim, temos ao menos o direito de imaginar como queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos; mas a imensa maioria da humanidade não tem mais do que o direito de ver, ouvir e calar. Que tal se começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal se delirarmos, um pouquinho? Vamos a fixar os olhos mais além da infâmia, para adivinhar outro mundo possível:

- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;
- Os carros sendo esmagados pelos cães...

Cidade de Deus (idem) – Brasil (2002)
Direção: Fernando Meirelles
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.

Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:

Que não são, embora sejam
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

A revolução não será televisionada (The revolution will not be televised) – Irlanda (2003)
Direção: Kim Bartley, Donnacha O´Briain
É um escândalo no mundo de hoje o monopólio da mídia e a maneira que ela manipula a opinião pública mundial. Isso se nota ao vermos o que ela diz e o que ela se omite em dizer.








Diários de motocicleta (Diarios de motocicleta) – Argentina (2004)
Direção: Walter Salles
Mira, en una tierra como Latinoamérica que está gravemente enferma de impotencia, o sea, donde em nombre del realismo se predica siempre la resignación, y esperar y esperar, y la esperanza se cansa de esperar, el Che es un impaciente, um hombre de esperanza y por eso es un profeta, una especie de Issaías de América Latina, un anunciador de otros tiempos. Tal vez habría que decir que nosotros también tendremos la paciencia para esperar al Che, el regreso del Che. Claro, él resucita en cada uno que cree em lo que él creyó, y resucita em los grandes movimientos populares de liberación en estas tierras que no fueron condenadas por ningún Dios a la desgracia que soportan.

O banheiro do papa (El baño del Papa) – Uruguai/Brasil (2007)
Direção: César Charlone, Enrique Fernández
A rainha Isabel fez-se madrinha da Santa Inquisição. A façanha do descobrimento da América não podia explicar-se sem a tradição militar de guerra de cruzadas que imperava na Castela medieval, e a Igreja não se fez de rogada para dar caráter sagrado à conquista de terras incógnitas do outro lado do mar. O papa Alexandre VI, que era espanhol, converteu a rainha Isabel em dona e senhora do Novo Mundo. A expansão do reino de Castela ampliava o reino de Deus sobre a Terra.


Che (Che: part one) – Estados Unidos (2008)
Direção: Steven Soderbergh
"El nacedor"
¿Por qué será que el Che tiene esta peligrosa costumbre de seguir naciendo? Cuanto más lo insultan, lo manipulan, lo traicionan, más nace. 
Él es el más nacedor de todos.
¿No será porque el Che decía lo que pensaba, y hacía lo que decía?
¿No será porque eso sigue siendo tan extraordinario, e nun mundo donde las palabras y los hechos muy rara vez se encuentran, y cuando se encuentran no se saludan, porque no se reconocen?

A teta assustada (La teta asustada) – Peru (2009)
Direção: Claudia Llosa
Muitos políticos no mundo inteiro, não é algo que passa somente em nosso país, exploram um tipo de histeria coletiva a respeito do tema da insegurança. Te ensinam a ver o próximo como uma ameaça e te proíbem de vê-lo como uma promessa, ou seja, o próximo, esse senhor, essa senhora que anda por aí, pode roubar-te, sequestrar-te, enganar-te, mentir para você, raramente oferecer-te algo que valha a pena receber. Creio que essa forma parte de uma ditadura universal do medo. Fomos treinados para ter medo de tudo e de todos e este é o álibi que necessita a estrutura militar do mundo. Este é um mundo que destina metade de seus recursos à arte de matar o próximo. Os gastos militares, que são o nome artístico dos gastos criminais, necessitam de um álibi. As armas necessitam da guerra, como os abrigos necessitam do inverno.

O medo ameaça:
Se você ama, terá Aids.
Se fuma, terá câncer.
Se respira, terá contaminação.
Se bebe, terá acidentes.
Se come, terá colesterol.
Se fala, terá desemprego.
Se caminha, terá violência.
Se pensa, terá angústia.
Se duvida, terá loucura.
Se sente, terá solidão.

Ao sul da Fronteira (South of the border) – Estados Unidos (2009)
Direção: Oliver Stone
Acho que nessa nossa região estamos vivendo um período interessante, lindo, muito criativo, muito fértil. Difícil de entender, às vezes, principalmente quando se olha de fora e de cima. As coisas que se entendem de verdade, as coisas que podemos entender com a razão e sentir com o coração, são as coisas que a gente é capaz de olhar de dentro e de baixo. Se a gente olhar de cima, com a típica arrogância dos nossos professores de democracia dos Estados Unidos ou da Europa; e se além de olhar de cima, a gente olhar de fora, não entende nada. E não entende nada por uma razão, por um motivo muito importante: a nossa é a região do mundo que, provavelmente, é a mais diversa de todas. É a pátria das diversidades humanas.



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*Todos os textos são de autoria de Eduardo Galeano.

**Pacote com o torrent de todos os filmes e suas respectivas legendas.