quarta-feira, 16 de abril de 2014

37 – O leão de sete cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças) – Itália (1970)


Direção: Glauber Rocha
Pablo, guerrilheiro latino-americano, e Zumbi, líber negro rebelde, unem-se para libertar um país africano (ou, quem sabe, todo o continente...) a ferro, fogo e sangue. No processo revolucionário que desencadeiam, eles enfrentam o mercenário alemão que, auxiliado pelo agente norte-americano e pelo assessor português, governa em nome da misteriosa Marlene.

Simplesmente foda! Tão antigo e tão atual. Tão velho e tão vanguardista.

“Há 2 mil anos, leões e leopardos corriam livres pela floresta. Os deuses eram livres nos céus e mares. Há 500 anos vieram os brancos e suas armas de fogo massacraram leões e leopardos, e suas armas de fogo incendiaram o céu e a terra dos deuses. Levaram nossos reis e nosso povo para a América como escravos. Nossos deuses partiram com eles. Na América, viram os sofrimentos de nossos reis e nosso povo. Os negros trabalharam duro para enriquecer os patrões brancos. Seu suor era de sangue, que adubou as plantações de tabaco, algodão, cana-de-açúcar e todas outras riquezas da América. Um dia, nosso povo pegou em armas para reconquistar a liberdade. Nosso povo e nossos deuses lutamos há mais de 300 anos contra os brancos que nos dizimam barbaramente. Mas não matarão a mim, Zumbi, que reencarno os chefes assassinados. Esta lança rachará a terra em duas. De um lado ficarão os carrascos. Do outro, toda a África... livre! Aqui e em todo lugar, todo negro levará em si um pouco da África. Mas agora não enfrentaremos suas armas com lanças e com magias. Contra o ódio, o ódio. Contra o fogo, o fogo.”

“Há países ricos e países pobres. Os países ricos exploram os países pobres. É a colonização religiosa, econômica, cultural e política. A colonização determina a alienação nacional. O principal problema da luta anticolonialista é a destruição do complexo de inferioridade nacional.”


“Eis o caminho do progresso, feito de estradas e escolas, sem esquecer os hospitais, telefones internacionais, televisão e suas transmissões. Eis o progresso do país. Eis o que é a liberdade: trabalhar sem reivindicar; servir sem protestar; amar sem erotismo; criar sem vanguardismo; falar sem admiração.”


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